Muitos
seres humanos preferem não estudar, não ler, estarem afeitos a uma vida que
consideram mais imediatista, não possuem curiosidade pelas coisas do mundo, ou
mesmo veem no conhecimento as coisas mais pragmáticas, o trabalho em si, a vida
cotidiana das coisas, e são seres que muitas vezes são muito sábios, dentro de
seu universo. São pessoas práticas, muitas vezes iletrados, por vezes até
analfabetos. Foge ao sensato sermos preconceituosos ao enumerarmos que, apenas
aqueles que estão em uma vida de estudos e acadêmicos seriam mais inteligentes,
pois muitas vezes são os mesmos que desenvolvem “os gases tóxicos” que ajudam a
destruir nosso mundo, em virtude de uma indústria virulenta... Ou mesmo os
estudiosos da física nuclear, que desenvolvem bombas para destruir, em guerras,
nações inteiras. No entanto, há uma classe de homens que gostam de conhecer,
através dos estudos ou mesmo do empirismo, uma gama de conhecimentos teóricos e
práticos, quando leem com vigor sua literatura, os conhecimentos os mais
variados, nas vertentes onde esse conhecimento vai emergir para seu próprio
benefício, existencialmente, de ordem filosófica, espiritual ou mesmo
científica. Mesmo que fique mais no plano intelectual ou mental, sendo que passe
a desenvolver a intuição como prática de forma a que venha a agregar, mas cada
qual tem seu caminho, seu processo, e a sabedoria é um tipo de escala, e
obviamente tem tudo a ver com a inteligência, no sentido em que esta sirva para
beneficiar a si mesmo e a outros, quando temos comiseração pelo próximo, somos
mais solidários e menos egoístas.
Jung
estudou os “tipos psicológicos”, onde há polarizações entre pensamento,
sentimento, sensação e intuição, e entre estes tópicos a introversão e a
extroversão. Por exemplo, alguém pode, a grosso modo, ser mais “pensante” do
que sentimental, ou sentir mais a sensação do que propriamente a intuição,
dentre essas variantes o pensamento introvertido ou extrovertido, e etc, qualificando
algumas características que podem estar presentes no indivíduo, meio que de
forma orgânica, para que se saiba a tendência da tipificação do ser humano, a
grosso modo, como foi citado. A construção de uma individuação, ou mesmo quando
o ser humano equilibra de tal forma o seu potencial a ponto de desenvolver a
sua intuição na mesma ou igual medida à sua capacidade de sentir sensações, ou
seja, desenvolver a percepção consciente e inconsciente equilibradamente, ou
mesmo quando seu lado intelectual se equilibra com os seus sentimentos, quase
como se equilibrasse seu anima e seu animus ou como, na acepção taoísta, um
equilíbrio entre energias opostas como o ying e o yang, como se espiritualmente
e mental e fisicamente fossemos unos, como um viés holístico do ser, assim como
na realidade a aquisição do conhecimento virá sempre para nos alertar que só
assim estaremos livres da ignorância, e partir para uma prática diária dos
ensinamentos que recebemos na vida, na ciência, na literatura e na arte nos
possa dar a sabedoria paulatina e sempre em mutação, tão necessária em um mundo
que existe hoje quase como em uma aldeia. Posto serem muitos os dados e as
informações a respeito do mundo, mas por vezes no simples conhecimento
espiritual praticamente de feições budistas, quando se tem uma noção clara da
igualdade dos seres no planeta, isso vem de uma prática, independente até mesmo
das noções acadêmicas, mas as doutrinas ou os ensinamentos de um mestre espiritual
nos ajudam a compreender, de forma sistêmica, que todo esse conhecimento que
nos chega vem para nos agregar mais e mais sapiência, mais e mais sabedoria que
soma a um nível de consciência que nos capacita a sermos mais independentes, não
apenas no caminho intelectivo, mas na abertura de que este nos capacite a
desenvolver a citada consciência, que é a essência mesma do ser.
Quando
a sabedoria prática nos auxilia, em termos de ação, a discernir aquilo que seja
melhor ou pior para nós mesmos, como o processo do conhecimento histórico – por
exemplo – é dialético, saibamos que estarmos em sua busca é um caminhar rumo ao
desconhecido por toda a vida, assim como a percepção aumentada daquilo que a
Natureza nos oferece no seu dia a dia, e como ela nos orienta com relação à empreitada
rumo aos passos que damos em busca de analisarmos o passado, século a século,
historicamente, fazendo ou traçando paralelos onde hoje, nos tempos
contemporâneos, um segundo se processa mais informações do que em um milênio
atrás... Mas não deixa de ser uma gama de lixo eletrônico, pois o citado
conhecimento dista das informações, postos estas existem como fluxo eletromagnético,
não necessariamente linear, enquanto individual ou coletivamente, o
conhecimento é algo mais importante do que apenas a informação, e saber distinguir
um da outra é assaz importante. Se formos considerar que mais de um bilhão de
pessoas estão trocando informações através dos celulares, mais precisamente coisas
como whatsapp, aqui no Ocidente, e que essas informações não mudam
necessariamente as estruturas do pensamento nem objetivam ganhos de Natureza
espiritual ou intelectiva, e que para a grande massa, estar afeito a uma
leitura mais própria de literaturas realmente importantes que somem à sinistra
ordem das coisas, de uma vida materialista em excesso e dos vieses do consumo,
o conhecimento concreto toma um vulto antes desconhecido e passa a valer muito
mais do que a simples informação, e agências de inteligência internacionais
pecam por errar por caminhos onde sequer tem mais o controle em que porventura
gostariam de imergir. Essa sobrecarga de sentimentos ausentes, e de vida
pregressa e remota, nos faz andar com as muletas dos gadgets, como se estes fossem
mais importantes do que a nossa própria vida, a ponto de nos sentirmos muito
mais solitários e operativamente nulos sem eles. Cria-se uma tremenda relação codependente
pseudo afetiva com relação a um objeto, tornando o ser humano, consequentemente,
objeto do objeto...
Entre sairmos
compulsoriamente para resolvermos um problema, deixaremos o campo limpo para
que outros saiam e resolvam seus problemas, outros, com fluxos de informações os
mais variados, e nos tornamos reféns dos encontros virtuais, da máquina em si,
da economia da bateria, da coisificação, e da perda do viés afetivo, pois supre
a nossa carência um áudio, e as cartas escritas perdem o sentido, inclusive com
a alma de nossa caligrafia... Queremos mais e melhor, relações sexuais que
valham a pena, espiritualmente somos quase nulos, e messiânicas presenças estarão
no próximo meet nos esperando, a cada vinte e quatro horas. Os poetas que vivem
nos livros já morreram faz muito tempo, e matamos a poesia dos vivos a cada
fração de segundo, pois a IA já perfaz das suas, tecendo laudas de palavras melífluas
e míticas, e a enfermidade psíquica orgânica e sistêmica já é realidade
mundial, pelo menos no mundo decadente ocidental. Viramos reféns dos sistemas,
e a carne é a única testemunha, pois a droga e o álcool viram a fuga, onde a citada
carne povoa os sonhos despertos da raça humana que, se não fosse a última
realidade de uma criação de Deus, quem dera seja seu último sonho de ter criado
uma criatura que encontra na destruição planetária seu modus operandi secreto e
explícito, paradoxalmente. Pode ser um cenário pessimista, mas há daqueles que
são felizes por encontrarem na Natureza sua cumplicidade e seu ânimo em viver,
sobrevivendo aos infortúnios sinistros do capitalismo que tornou tudo o que
está aí para presenciarmos, ipsis literis. A Natureza e sua Dialética é o
único caminho de volta...
Quando
consideramos que tudo isso que enfrentamos, que todos os infortúnios da
humanidade é fruto da Natureza demoníaca de muitos que habitam o planeta, e que
ainda outros há que são divinos, de Natureza divina, e que essa luta prosseguirá
por muito tempo, ou quiçá faça parte do planeta, e quando nos apercebermos que
a Era que sucede enfrentarmos seja a Era de Ferro, uma Yuga que não cessará tão
cedo, compreenderemos melhor que cada laivo da tecnologia, cada gadget é uma
peça de Krsna, Deus, e que jamais alguém, mesmo que seja o chamado “socialista
de carteirinha” deixará seu egoísmo de lado e abdicará do trono de suas
propriedades, pois o conforto é um dos novos pecados capitais, amigo da luxúria,
e quando ameaçado, pai da ira, e ninguém sai dessa zona ao pensar naqueles que
nada possuem, e que jamais na história das nações vai haver um movimento socialista
autêntico para que se reparta o pão de forma solidária, ao menos no que pregava
o Cristo, um verdadeiro socialista, no sentido espiritual do termo... Pode
haver um tempo melhor, se muitos seres humanos deixarem de ser antropofágicos, se deixarem de ser devoradores de suas próprias circunstâncias, se não se imiscuirem mais em
cometer a maldade, com o único propósito de terem afeição por ela, e continuarem a
ser as criaturas dos diabos que jamais deveriam estar navegando ilesos pelos
caminhos da Terra.
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