Sentir
algo sem referenciar o sentir é como deixarmos rolar a percepção, e certamente
não usarmos a razão para sequer nos situarmos quando estamos usufruindo de
algo, na falta de um juízo para sabermos se – de fato – aquele sentir é bom ou
ruim para nós. No entanto, o que antes eram flores, pode parecer com um cacto
com o tempo, o que antes era primavera, pode se tornar um gélido inverno, assim
como o inverso ocorra, depende do tempo que passa, e das circunstâncias onde e
como vivemos, e de quem somos de fato, em essência. Por vezes a velhice de um
homem ou de uma mulher pode parecer tépida e tranquila, mas pode ser que a vida
desse indivíduo tenha sido marcada por sofrimentos severos, e quando toma
consciência, não há um tempo certo, podemos tomar consciência de uma vida mais
simples e elevada, mesmo aos noventa anos de existência. Quando, tomados por
vícios e doenças deles decorrentes, a questão toda é pararmos e tomarmos
consciência da gravidade, se quisermos sobreviver, já em idades que impõe
fragilidades ao nosso corpo. Algo como um facho, um archote de conhecimentos
pautados por luzes em nossa citada consciência, pode ser algo espiritual, uma
série de insights, ou mesmo uma conversa com um homem da ciência ou um mestre,
um sacerdote em uma missa, ou no encontro íntimo e introspectivo com as coisas
que passam a ser anímicas, como a Natureza e seus seres, um mantra soletrado
baixo, um ato devocional, etc, qualquer coisa assim pode verter um manto de
serenidade sobre o nosso espírito e clarear a nossa mente, por vezes tão
assoberbada por circunstâncias que antes nos pareciam severas e duras. Na
realidade, na acepção crua da realidade, existe um onirismo que não está
presente só na letargia do sono, mas que transcende aquela e que pode ser anima
ou animus, um lado oculto, um símbolo perdido no inconsciente coletivo, ou
mesmo a dureza fria de uma lógica cartesiana e, por vezes, tão útil.
Muitos
cidadãos do mundo correm, no entanto, no usual de suas vidas cotidianas, atrás
de coisas para preencher seus vazios, na forma de objetos, prazeres mundanos,
atos de consumo, mensagens pseudoafetivas, amores que projetam como ideias,
consomem abusivamente o álcool, drogas, e etc, e se iludem como a parafernália
da sociedade moderna como se tudo o que se nos apresenta fosse um novo mundo,
mesmo recebendo as notícias de que o que fazem mais não seja do que colaborar
para a destruição do mesmo, com tantas as indústrias poluentes, tantas
contendas geopolíticas e tantas as relações de poder.
Em eras
como a nossa, de profundas mudanças tecnológicas, o abuso das comunicações para
fins quaisquer que não sejam mais essenciais, quando se evita simplificar as
coisas, o ser humano, para sobreviver em meio à crise de identidade e
financeira, busca trabalhar incessantemente, para ganhar o pão e a morada em
sistemas cruentos como o nosso nos dias atuais. Passa a consumir exageradamente
a própria informação que, suculentamente, seu ego alimenta em linhas de tempo
de seus celulares, na forma própria de recriar laços afetivos, ou recriar
relações de mando ou de poderes, como jamais se viu na superfície terrestre,
nessa acepção nua e crua de se obter o consumo da informação internamente, como
se nossa fala fosse mais importante a nós de se escutar, do que a mensagem que
jamais receberemos, pois do outro lado o outro mensageiro já nos desligara do
sistema, muitas vezes, ou remotamente cambia uma relação frenética nas pausas
em que não responde para nos tornar atrelados ao seu próprio e açambarcado
sistema de informações, muitas vezes remetendo a mensagem para outro endereço e
analisando-a, para depois sucinta e dentro da farsa ensaiada, suprir-nos da
resposta, por vezes tardia, mas exata como algo que não tenha conteúdo maior, porquanto
fala de conteúdo dispensável...
O funcionamento da engrenagem de consumo, dentro da esfera das guerras comerciais deste novo milênio está atrelado com mecanismos de controle e etapas onde estratégias de comunicação virtual são utilizadas, a grosso modo, muito mais intensamente do que se supõe, e a margem de humanismo está sendo cada vez mais solapada, mesmo no boicote existencial aos seres mais autênticos, ou nas máfias paralelas, tanto no Ocidente como no Oriente. Isso reduz aos que são mais afeitos à libertação espiritual de cerne verdadeiro, e não os grupos de seitas ou religiões “protegidas” por um status estrutural das sociedades no âmbito das cidades e dos campos, que acabam por perseguir grupos religiosos, como os da Umbanda, que ainda são livres em sua concepção mais pura e de raiz cultural africana. Como um exemplo cabal, as facções criminosas muitas vezes se aliam a grupos evangélicos na guerra declarada contra os membros dessas religiões, cometendo crimes e outras barbáries, em cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo, grandes centros de nossa nação. Demanda que se faça um sistema de segurança operacional de monta a reprimir esse tipo de barbárie, pois somos um país laico, de livre expressão cultural e religiosa, e deixar que elementos nocivos e iludidos como essa súcia de traficantes e bandidos que cometem esse tipo de crime saiam ilesos é compactuar e se conformar não apenas com o que eles significam para a sociedade em termos de bandidagem e sectarismo religioso, mas nos insumos que fazem garantir a muitas vítimas o consumo de drogas que cada vez mais alimentam essas citadas facções e as fazem expandir a rede do crime.
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