Como
descrever que grande parte da população é execrada por simplesmente existir com
situações de vulnerabilidade social, como se até biblicamente fossem colocados
sob o jugo da condenação? Qual seria o termo que descrevesse que alguns fossem
os eleitos de Deus, esse pai conforme a predição de muitos os que Nele creem,
nas formas simbólicas de julgamentos que se tornaram obsoletos ao olhar mais
atento até da medicina, que a todos vê exclusiva e empiricamente de forma mais
justa? Esse juízo já não é mais científico e, no entanto, revela que aquele Deus
virá para julgar os vivos e os mortos, não deixando sequer os mortos em paz.
Essas pobres criaturas já assinaram suas sentenças de morte, ou simplesmente
navegam pelas ruas defendendo seus trocados, e humildemente rogam por algum
dinheiro, nem que seja cinco reais, isso, exatamente essa quantia, que lhes dê
a sustentação de uma caminhada de séculos... Haveríamos de ter condolência por
essa gente, se condoer um pouco, mas no caso de muitos locais em cidades de
alguns Estados, ou ainda que raramente, a segregação é clara, e se proíbe de
ficarem na cidade aqueles a quem não é permitida a permanência, revelando
abertamente o cerne fascista do governante, e a anuência de muitos que não
suportam sequer a presença dos pobres em um estádio de futebol, por exemplo.
Como se em vida essas populações vulneráveis fossem condenadas a viver no
limbo, na Terra, ainda que Jesus Cristo viesse para julgar, mas certamente a
esses não os julgaria, pois aí é que reside a velha questão da alma cristã. Se
Ele vem para julgar, ele julgará os ricos sobre o planeta, aqueles que
discriminam, os corruptos e ladrões, os malfeitores, aqueles que não sofrem o
pão do diabo, mas justamente julgaria com energia, colocando-os todos no mesmo
Juízo, este que tantos falam, inclusive os donos de mega corporações
religiosas que pregam o Juízo Final pelos quatro cantos do mundo e possuem
estruturas empresariais ilimitadas, à custa de fieis seguidores que são cegos
ao problema da injustiça social reinante nas sociedades de hoje em dia.
Fervorosamente,
quem dera, alguns megamilionários devem pedir piedade, antes que a eles não
seja concedido sequer o tempo para tal empreitada. A libertação vem para os
fracos e oprimidos e é essa libertação que se prega em todos os Evangelhos. Posto
os vencidos de hoje, aqueles que sequer possuem uma casa, nas mãos dos fariseus
que os impedem de parar em algum lugar, serão os vitoriosos de sempre... Um
semblante de uma mulher desprezando o pobre, dizendo outros que eles voltassem
para o seu lugar de origem de jegue, tudo filmado e postado nas redes sociais,
são um testemunho vivo e registrado de questões dessa Natureza onde o que
reside na velha ordem é tudo uma questão de tempo, e fascistas dessa “estirpe”
viverão a condenação eterna, e merecem justamente o julgamento de Deus, haja
vista muitos já estarem amargando a liberdade entre celas quando tentaram o
golpe do oito de janeiro no país e eram gente da mesma espécie. O libelo fica,
e os doutores da lei, os bons doutores, os progressistas, incluso a polícia
federal, depõe a favor da justiça social em nossa nação, obviamente enquadrando
criminosos, o que deve ser feito, mas gente de bem que por razões de serem maioria
pobre não poderem se fixar em certas cidades é um contrassenso anticonstitucional.
O povo não pode deixar de ser ele mesmo um testemunho de tais rincões onde isso
ocorra. Deve registrar, divulgar, tecer uma rede, denunciar, deixar como páginas
sujas de nossos tempos, e fazer de tudo para resistir a esse tipo de desmando
governamental, incluso nos tempos eleitorais, que seja, uma oposição consciente
e não covarde deve fazer uso desse tipo de material e projetar em um telão em
praça pública, como denúncia de fato, fazer pressão e ir às ruas, pois senão o
fascismo toma a dianteira e faz das suas, como sempre fez em regimes populares,
onde certas alternâncias por vezes se tornaram sinistras, como foi Fujimori no
Peru e os golpes na América Latina nos idos de sessenta e setenta do século
passado.
A
exclusão não deve jamais existir, e proibir que se dê alimentos ao povo no
mínimo é algo tirânico passível de ser julgado com um tribunal ou intervenção
federal no município, pois é o mínimo que um Governo Popular devia fazer se
prosseguirem esses desmandos. Em uma democracia como a nossa não se mexe jamais
com o direito de ir e vir e de permanecer em uma cidade, do jeito que se
queira, pois até ato em contrário, todos são inocentes perante a Lei. Essa
mesma lei que não se ressente de ser justamente o anteparo que protege a nossa
democracia, o direito de participação, de manifestação, de estar com o
comportamento livre, de se usar a roupa que quiser, de ser andarilho ou
milionário, pois é a lei dos homens, e se Deus é mais justo na repartição do céu
para os que sofrem na Terra, isso é uma questão espiritual, pois na Lei dos
homens o que se clama é sempre a manutenção das liberdades individuais, apenas
isso, como uma matemática, ou resolver um problema de lógica elementar. Assim como
a fé é algo opcional, deve-se ter em conta que a democracia é um dever, ao
menos na nossa República.
Aceitarmos
certas situações onde estar caminhando na rua livremente é redundância, onde crescermos
enquanto filhos de pais ou mães solteiras pode ser fato, onde há pessoas no
crime, e acharmos que há a justiça dos homens, onde a sociedade é pautada pela
Lei, jamais deve-nos fazer crer piamente que coisas como o fascismo, crime
previsto em Lei, deva subsistir na citada sociedade onde vivemos. Assim como o
nazismo, primo irmão do fascismo, seja coisa do passado, e isso é uma questão de
ordem, pois deixar germinar esse tipo de sementes, é como ter um ninho de serpentes em baixo
de nossa cama...
Em
síntese, os vencidos já foram vencidos, hoje e sempre, e toda vez que houver o
menor laivo desse tipo de manifestação crua, seja episodicamente, pontualmente,
ou registrada e viralizada como fator de propaganda, ou mesmo em nações
predominantemente contrárias a democracias como a que temos em nossa nação, toda a diligência e vigilância
de nossos meios de inteligência e divulgação desse tipo de intenção bárbara
devem ser utilizadas como ferramental de utilidade pública para que evitemos
que esse tipo de ocorrências danifiquem mais estruturas sociais já fragilizadas
por crises ou por necessários processos de edificação de uma sociedade cada vez
mais justa e amigável socialmente. Por essas e outras é necessário estar sempre
resistindo a esses desmandos de criaturas que, aí sim, na justiça de Deus, não
terão boa colocação depois da morte.
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