sexta-feira, 21 de novembro de 2025

O ANÁTEMA DOS VENCIDOS


                Como descrever que grande parte da população é execrada por simplesmente existir com situações de vulnerabilidade social, como se até biblicamente fossem colocados sob o jugo da condenação? Qual seria o termo que descrevesse que alguns fossem os eleitos de Deus, esse pai conforme a predição de muitos os que Nele creem, nas formas simbólicas de julgamentos que se tornaram obsoletos ao olhar mais atento até da medicina, que a todos vê exclusiva e empiricamente de forma mais justa? Esse juízo já não é mais científico e, no entanto, revela que aquele Deus virá para julgar os vivos e os mortos, não deixando sequer os mortos em paz. Essas pobres criaturas já assinaram suas sentenças de morte, ou simplesmente navegam pelas ruas defendendo seus trocados, e humildemente rogam por algum dinheiro, nem que seja cinco reais, isso, exatamente essa quantia, que lhes dê a sustentação de uma caminhada de séculos... Haveríamos de ter condolência por essa gente, se condoer um pouco, mas no caso de muitos locais em cidades de alguns Estados, ou ainda que raramente, a segregação é clara, e se proíbe de ficarem na cidade aqueles a quem não é permitida a permanência, revelando abertamente o cerne fascista do governante, e a anuência de muitos que não suportam sequer a presença dos pobres em um estádio de futebol, por exemplo. Como se em vida essas populações vulneráveis fossem condenadas a viver no limbo, na Terra, ainda que Jesus Cristo viesse para julgar, mas certamente a esses não os julgaria, pois aí é que reside a velha questão da alma cristã. Se Ele vem para julgar, ele julgará os ricos sobre o planeta, aqueles que discriminam, os corruptos e ladrões, os malfeitores, aqueles que não sofrem o pão do diabo, mas justamente julgaria com energia, colocando-os todos no mesmo Juízo, este que tantos falam, inclusive os donos de mega corporações religiosas que pregam o Juízo Final pelos quatro cantos do mundo e possuem estruturas empresariais ilimitadas, à custa de fieis seguidores que são cegos ao problema da injustiça social reinante nas sociedades de hoje em dia.

                Fervorosamente, quem dera, alguns megamilionários devem pedir piedade, antes que a eles não seja concedido sequer o tempo para tal empreitada. A libertação vem para os fracos e oprimidos e é essa libertação que se prega em todos os Evangelhos. Posto os vencidos de hoje, aqueles que sequer possuem uma casa, nas mãos dos fariseus que os impedem de parar em algum lugar, serão os vitoriosos de sempre... Um semblante de uma mulher desprezando o pobre, dizendo outros que eles voltassem para o seu lugar de origem de jegue, tudo filmado e postado nas redes sociais, são um testemunho vivo e registrado de questões dessa Natureza onde o que reside na velha ordem é tudo uma questão de tempo, e fascistas dessa “estirpe” viverão a condenação eterna, e merecem justamente o julgamento de Deus, haja vista muitos já estarem amargando a liberdade entre celas quando tentaram o golpe do oito de janeiro no país e eram gente da mesma espécie. O libelo fica, e os doutores da lei, os bons doutores, os progressistas, incluso a polícia federal, depõe a favor da justiça social em nossa nação, obviamente enquadrando criminosos, o que deve ser feito, mas gente de bem que por razões de serem maioria pobre não poderem se fixar em certas cidades é um contrassenso anticonstitucional. O povo não pode deixar de ser ele mesmo um testemunho de tais rincões onde isso ocorra. Deve registrar, divulgar, tecer uma rede, denunciar, deixar como páginas sujas de nossos tempos, e fazer de tudo para resistir a esse tipo de desmando governamental, incluso nos tempos eleitorais, que seja, uma oposição consciente e não covarde deve fazer uso desse tipo de material e projetar em um telão em praça pública, como denúncia de fato, fazer pressão e ir às ruas, pois senão o fascismo toma a dianteira e faz das suas, como sempre fez em regimes populares, onde certas alternâncias por vezes se tornaram sinistras, como foi Fujimori no Peru e os golpes na América Latina nos idos de sessenta e setenta do século passado.

                A exclusão não deve jamais existir, e proibir que se dê alimentos ao povo no mínimo é algo tirânico passível de ser julgado com um tribunal ou intervenção federal no município, pois é o mínimo que um Governo Popular devia fazer se prosseguirem esses desmandos. Em uma democracia como a nossa não se mexe jamais com o direito de ir e vir e de permanecer em uma cidade, do jeito que se queira, pois até ato em contrário, todos são inocentes perante a Lei. Essa mesma lei que não se ressente de ser justamente o anteparo que protege a nossa democracia, o direito de participação, de manifestação, de estar com o comportamento livre, de se usar a roupa que quiser, de ser andarilho ou milionário, pois é a lei dos homens, e se Deus é mais justo na repartição do céu para os que sofrem na Terra, isso é uma questão espiritual, pois na Lei dos homens o que se clama é sempre a manutenção das liberdades individuais, apenas isso, como uma matemática, ou resolver um problema de lógica elementar. Assim como a fé é algo opcional, deve-se ter em conta que a democracia é um dever, ao menos na nossa República.

                Aceitarmos certas situações onde estar caminhando na rua livremente é redundância, onde crescermos enquanto filhos de pais ou mães solteiras pode ser fato, onde há pessoas no crime, e acharmos que há a justiça dos homens, onde a sociedade é pautada pela Lei, jamais deve-nos fazer crer piamente que coisas como o fascismo, crime previsto em Lei, deva subsistir na citada sociedade onde vivemos. Assim como o nazismo, primo irmão do fascismo, seja coisa do passado, e isso é uma questão de ordem, pois deixar germinar esse tipo de sementes, é como ter um ninho de serpentes em baixo de nossa cama...

                Em síntese, os vencidos já foram vencidos, hoje e sempre, e toda vez que houver o menor laivo desse tipo de manifestação crua, seja episodicamente, pontualmente, ou registrada e viralizada como fator de propaganda, ou mesmo em nações predominantemente contrárias a democracias como a que temos em nossa nação, toda a diligência e vigilância de nossos meios de inteligência e divulgação desse tipo de intenção bárbara devem ser utilizadas como ferramental de utilidade pública para que evitemos que esse tipo de ocorrências danifiquem mais estruturas sociais já fragilizadas por crises ou por necessários processos de edificação de uma sociedade cada vez mais justa e amigável socialmente. Por essas e outras é necessário estar sempre resistindo a esses desmandos de criaturas que, aí sim, na justiça de Deus, não terão boa colocação depois da morte.

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