Seriam
muitos os dias em que passariam mais e mais homens, em geral homens, pelas
ruas, seriam eles, muitos mesmo... Com sede de que? De fome? Algo de se querer
mais pela vida, de não se aperceberem tanto de seu entorno, focados no lixo, em
um cenário em que não haveria literatura que os traduzisse em sua concretude,
na exatidão, não haveria um registro no cenário cultural da humanidade que
desse um suporte, seríamos uma América dos homeless,
de algo de mendicância quase alternativa, e quais seriam as soluções para isso,
se os governos se sucedem querendo algo melhor para muitos, e poucos usufruem
do muito que falta para a grande maioria... Tanto de tudo nas diversas nações
que nos perguntamos, a necessidade de fronteiras, posto não ser o mundo o palco
de convencionais desventuras, a que provisionamos o desenvolvimento, que
espécie de egoísmo nos separa? Pois, sim, a história da riqueza dos homens,
quiçá pudéssemos aprender melhor nas universidades, ou mesmo sermos os diletantes,
pois ler ainda é uma boa coisa, companheiros de vereda... Não seríamos jamais
os mesmos se não tivéssemos a razão que não fosse boa para qualquer um e que não
se configure controvérsias uma simples opinião, pois não se conteste para
contestar apenas, mas o que seria exatamente a sede que aplaca a fome, senão
algo que alguém coloca em sua vida que alheia de sua raiz a seiva bruta, para
nela colocar algo, uma dose qualquer de alguma coisa, catar as latas o dia
inteiro para no final da jornada trocar por algo, uma substância, um torpor e
quimera ilusória, um alvéolo a mais que fenece na flor frágil e pulmonar da
humanidade.
A flor
que nasce por vezes dos dedos inquietos do toque, aos toques que um cidadão
deposita sobre um pago, um ávido toque de trabalhador inquieto, e os rumos do
tempo prosseguem, no viés de que a democracia permite que as linhas corram
livremente aqui e acolá, pelas lavras do mesmo trabalho, que se não pinte
esperanças menores, pois será sempre nesse cenário que as coisas aumentam
paulatinamente, e o que antes era a sede que teria o viandante, a fome
sobremodo ainda exista. Nesse vai lá e fica aqui de novo, aos que gostam de
ficar com suas parceiras sobremodo nem sabem se elas gostam realmente de ficar
com eles, ou em que condições são todos os “ficantes
rumorosos do tempo...” Na realidade, a solidão de se não estar com alguém que
se ama, não é mais algo que não se retira do tempo, pois no ritmo em que as
coisas vão, por vezes apenas a questão de se relaxar se torna algo mais
importante, onde as curvas do platô vem falar com o mais gozar lacaniano não o
gozo agigantado, mas aquilo que falta, a mais valia acumulada do gozo que
resta, o objeto a de algo que falta,
o resto, a acumulação, a validação de um valor que se guarda, essa reserva onde
objetivamente, com o mesmo objeto da libido se torna uma história que se
suceda, como uma continuação da prática dentro da mesma sintaxe. E a sede de
matar a fome se torna igualmente e propriamente algo tão concreto que a coisa
se torna mais pragmática do que o esperado, ou mesmo o mais gozar seja apenas
aquilo da busca desenfreada com outros ficantes
o mesmo prazer, vez por outra meio inacabado, vez por outra mais pleno. E,
para aqueles que não têm o prazer passível de ficar e tergiversar com cópulas
amorosas de fato, seria algo de falta, que vem com o princípio de prazer
vinculado apenas com o prêmio de alguma substância que substitua as coisas para
estar-se de bem com o mundo, abrindo o jogo da psique com modalidades químicas
de risco como um todo, em que quando não ser resolve, a pulsão de morte se
torna uma condição ao risco, literalmente falando, posto anda-se por lugares
não muito próprios, e segue-se sendo exposto a uma incontinência de se estar
solitariamente pelas ruas, na situação de mendicância, lutando dia a dia por um
principiar do dia, e terminando os dias por um principiar da morte em vida...
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