sexta-feira, 25 de abril de 2025

CARTA A UM AMIGO QUE NÃO EXISTE


               Saudades de tua ausência. Mas quem dera, se terias sido presente algum dia, essa presença quiçá não me trouxesse nenhuma nostalgia, pois quem não existe não traz recordações. Estivesses em momentos de sonho, vestias a sombra do carrasco, e verteria na desesperança toda a esperança sem substratos que eu imaginara. E tuas amigas não fogem à regra, elas aparecem, sob as encomendas do tempo... Se delas és o chefe, eu mal compreendo dessas administrações invisíveis! Mas não, resides no meu inconsciente como figura que pode surgir do imaginário, do simbólico ou do real que não é nada, posto território vazio. Seu nome eu não sei, pois te dizes sequer existência, não és, não estás, só tens, e tens deveras, partindo que sejas quiçá uma conta no banco, ou uma offshore tupiniquim. Não podes ser meu amigo sempre, serás aquele ladrão bom e crucificado ao lado do Senhor? Aquele existiu há muito tempo e hoje é apenas um tipo de reunião de versículos sob a sombra da Paixão...

               Inconteste, teço uma querela risível da minha insignificância em querer entender de política, e fostes aquilo que quiçá eu lera em uma teoria conspiratória, ou seja, em um livro de Marx, que tantos temem pela verdade nele encerrada, pois aquilo que me significas de tua não existência, faço presente em linhas que poderias ser criado a partir do nada, de um script mal construído de uma IA, ou um código binário excludente nas páginas do não ser, esse nirvana encantador que jamais alguém trilhou, sequer o Sidarta Gautama...

               Fim de história, feche tua porta que sequer é material e não sejas nem um espírito posto o que vem para agregar desse mundo sutil são os fantasmas que rodeiam Shiva quando ele se encontra feliz em mais um crematório, dançando com a lua a dança da aniquilação do cosmos.

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