sexta-feira, 25 de abril de 2025

CARTA A UMA ATMOSFERA


               Seríamos por um dia quem desejávamos ser, ao menos por um dia, ou quem sabe todo o ganho de um dia seja gasto pelo capitalista que fica rico com o que o trabalhador empresta como força motriz, sua única propriedade: o trabalho... Quem seria egoísta, ou não, pois as coisas não funcionam assim no capitalismo selvagem? E quem gostaria de ganhar mais justamente um salário menos expropriador da citada força, senão o trabalhador, e serão esquemas e mais esquemas onde a exploração dos pobres pelos ricos é continuada, e olhe que sequer falei em algo de monta, realmente revolucionário. Seria apenas uma questão de consciência, por vezes subtraída na modalidade das drogas permitidas, quiçá a sensação de bem-estar em se estar usando, quem sabe muitos nem concebem esses limites impostos com a alcunha da liberdade!

               Escrevo uma simples palavra a uma atmosfera. Quem sabe, não saíssemos do padrão de negócios do empreendedorismo altamente conservador aprendido no primeiro mundo, mas seria interessante quiçá ao menos que se fizesse ou se concedesse a participação nos lucros da empresa, se quiséssemos permitir um ganho onde o trabalho não seja aquilo dos sem saída, e mais aquilo onde o seu resultado impede que se ganhe o suficiente para que o trabalhador possa usufruir da vida, ao menos sendo um consumidor de tudo o que o sistema praticamente ordena que o faça. Mas não, os jovens da labuta preferem dar o seu sangue e ficam satisfeitos se o empregador oferece insumos ou “prêmios” que os estimulem a continuar nessas exaustivas jornadas... Que tipo de oficina dos diabos é a chamada empresa inteligente da atualidade, senão um modo de controle, onde o empregador demite sumariamente alguém que seja mais “rebelde”, ou onde a negociata vira “negócio comum...” Senão, não seríamos mais os tais do consumo, pois há aqueles que consomem o que veem pela frente e há aqueles que querem consumir uma pedra da droga, vendida nas comunidades, depois de vender um saco de latas de alumínio, caminhando praticamente o dia inteiro, onde o quinhão pode estar traduzido igualmente por garrafas pet, pois daqui a pouco o plástico vai ser reciclado e valerá para o sistema o ganho das migalhas de catadores, onde as cooperativas ainda não são realidade em solo nacional. A dimensão e o caráter de muitas coisas assumem variados aspectos perante o ser nessa miríade de problemas sociais e disparidade de ganhos, onde os poucos que ganham muito ganham cada vez mais, e grandes massas ainda enfrentam a linha da miséria, mesmo com a ajuda e auxílio do governo federal, pois muitas vezes sequer sabem administrar esse ganho.

               É uma era de mudanças, e muitos que caem vitimados por drogas e alcoolismo porventura encontram a ajuda dos CAPS, pois esse serviço, desde que foi implantado, jamais deixou de atuar frente a problemas de saúde mental e recuperação dos dependentes químicos, no caso dos CAPS/AD: álcool e drogas. Só que a demanda pode estar aumentando, e muitas vezes o serviço público de saúde não dá a conta necessária, pois a quantidade das drogas que chega no país é avassaladora, e facções como o Comando Vermelho e o PCC já estão “aliados” para defender com unhas e dentes seus territórios, encontrando nos grandes centros nacionais suas áreas em que concentram força e capital necessários para vascularizar o crime em todos os lugares onde ocorrem seus modais operacionais, sendo as capitais territórios onde encontram seara fértil para atuarem sinistramente. E quando, infelizmente, o tráfico se vincula a movimentos subversivos, isso sobremodo afeta a nossa democracia, assim como no caso dos EUA, onde o controle ferrenho proposto por Trump contra as drogas está sendo confundido com fascismo.

               Quando a questão das drogas vira moeda comum, mesmo aquelas que muitos acreditam ser inofensivas, como a maconha, possuem suas versões semi-sintéticas, onde os efeitos sobre o sistema nervoso é devastador. E pode ser que alguém viciado apenas em maconha “natural”, a essa vítima seja oferecida uma droga como a K9, o gosto é o mesmo, mas fatalmente seus efeitos podem até mesmo levar o ser humano a surtos profundos mentais e mesmo à morte. Em síntese, os perigos que os jovens enfrentam na atualidade são sobremodo concretos, e a ilusão a que são submetidos com as diversas drogas, entre elas quiçá a pior, a maconha, perfaz uma retórica que só tem feito engrossar as fileiras da desesperança aos familiares e os corredores de hospitais psiquiátricos mundo afora. Nesse viés sobremodo importante, há que se tomar medidas cabais para que não se incida nesses padrões que levam a doenças de cunho mental por vezes que demoram largo tempo para serem controladas, principalmente quando os pacientes não largam imediatamente o vício, prosseguindo nessas modalidades por longo tempo ainda, se metendo em encrencas na justiça e virando até mesmo traficantes, ou fazendo parte desses exércitos, ou como olheiros, ou para pagar uma dívida, ou até mesmo para fazerem parte de um grupo, pois a sociedade passa a não aceitar mais um enfermo mental já que o preconceito ainda é muito grande nessa órbita.

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