Todo o
ser humano se comunica... Lacan afirma que o inconsciente é a própria linguagem
e estabelece um padrão linguístico para a existência daquele. Em sua assertiva,
denominou: “O Inconsciente Como Linguagem”, um tipo de padrão que reitera a
psicanálise na livre associação do divã, dando continuidade ao trabalho de
Freud, que já afirmava na existência do inconsciente em sua primeira tópica, na
conformação do inconsciente, no consciente, e na existência do nível
pré-consciente. No entanto, na ausência da comunicação do indivíduo enquanto isolado
dos seres que mantém um padrão de conversação realmente mais profunda, mais
sincera, que não seja falando apenas frivolidades, onde o mercado seja a moeda
de troca, onde você troca duas palavras com o comércio para comprar uma água,
onde não existe e menor sombra de troca de comunicação mais, quem não possua
uma sinergia mais espiritualizada e não perceba que a comunicação vai muito
além do escopo verbal, não estará preparado para enfrentar a rotina diária
crendo que fora da comunicação não existirá qualquer nível de bem estar seu com
relação ao seu entorno.
Existem outros níveis de consciência onde a espiritualidade confira mais retorno a que se possa ser feliz, como quando você possui uma percepção mais acurada daquilo que se encontra próximo ou distante, quando você já tenha se emancipado espiritualmente e possua a citada percepção diante do muito a que traçamos comunicações que não necessariamente sejam verbais: o latido de um cãozinho, sua companhia, seu afeto, o desenvolvimento de uma planta quando você a rega, a comunicação implícita e budista no fato da existência de um inseto. A meditação profunda que você faz de si para si mesmo, escutando os mantras pronunciados pelo seu próprio entoar. O universo da música, a fala que temos internamente quando escrevemos, os sinais quase imperceptíveis que, depois que escrevemos a mensagem tenha chegado ao destino e, finalmente, a concepção de Deus em que ele estará presente em todos os nossos atos, gestos e palavras, não necessariamente dentro de uma sintaxe linguística, mas sob a questão mais simples de sabermos que a comunicação transcendental não necessita de divã. Apesar de ser uma ótima abordagem para muitos casos, a psicanálise não possui cursos de formação para esse tipo de experiência espiritual... Em todo caso, não precisamos contestar jamais processos terapêuticos que têm trazido benefícios à grande parte das populações que sofrem de sofrimento psíquico.
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