sexta-feira, 8 de novembro de 2024

DO SER E DAQUILO QUE DESEJAMOS TER


               Não haveria como dissociar o ser alguém ou algo, na tipificação de sermos porventura por vezes objetos, daquilo que desejamos ter, não apenas uma coisa ou objeto em si, mas a ação de se apropriar daquilo que tenha potencial de ser propriedade, consonantemente, ou função primeira da citada ação, rotina, texto lógico, ou mesmo concordância da comunicação entre o sujeito e o predicado. Não que as coisas não se tornassem confusas, mas de fato elas se tornam assaz assim, quando o que acontece é que a selva dos objetos nos torna um deles, por vezes reféns do funcionamento de um sistema onde tudo e todos são catalogados, listados, identificados, na miríade mais conforme de códigos onde toda uma categoria de informação fica à disposição dos órgãos que sabem bem como proceder nesse objetivo de talhar a questão inequívoca entre sermos realmente o que desejamos ser daquilo que somos enquanto proprietários de algo, ou alguém, se for considerar a posse, mesmo que se torne efêmera, na esteira não só de produzirmos o ato de se obter a “meta”, como descartar seus resultados ou produtos no viés do perecível por vezes até mesmo quando o objeto que nos cubra é a vida afetiva ou sexual.

               Para as coisas “funcionarem” a doença vira sinônimo de gastos do tempo, vira a certeza da existência da medicina, quanto de sabermos incluso que um homem ignorante ou muito ignorante em escala costuma chamar um outro que se expressa além da sua compreensão, de enfermo mental e a pecha mais comum é a esquizofrenia, “totem e tabu” da sociedade contemporânea, por onde o chamado fim da linha se dará perante o escopo da vida, e tergiversa a respeito da impotência conotando ou dando a entender que seja sexual, na presença daquele veterano que o assusta ou ameaça dentro de seu perfil quase animalesco da possibilidade de auferir seus “lucros existenciais” sobre os costados da fêmea que se expressa com desenvoltura e demonstra sensibilidade à flor da pele e inteligência superior a ele, o que lhe dá o temor que todo o macho não disfarça sequer, nesta sociedade que o autor Desmond Morris, em seu “O Macaco Nu” tanto elucida com certeira adequação ou espelhamento do que vem a ser a sociedade humana, onde a pulsão sexual se torna algo de propriedade, citando o que já fora citado anteriormente, e onde a economia onde apenas o mercado se torna o patrão de todos se dá na anterioridade mesma da história, perfazendo antigos regressos da caverna, onde um homem é descartado por ser mais escalado evolutivamente porquanto mais humano enquanto um "neandertal" ainda se jacta ser mais “evoluído”.

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