Algumas
células do nosso corpo biológico respondem de forma complexa, e muitos
estudiosos da neurologia fazem dos receptores cerebrais a última verdade em
termo de funcionamento bioquímico da realidade do ser humano, cogitando que até
mesmo em nossa verdade espiritual existiria a verdade dos neurônios.
Externamente ao que acontece em nossas entranhas corpóreas, somos bombardeados
por estímulos os mais variados, por ordem de palavras e áudios, de filmes, de
coisas que surgem das realidades digitais, porquanto, teremos a certeza de que
tudo isso é real, pois é coisa perceptível, que temos como constatar, pegar,
imergir nas ilusões como fosse de fato uma sensação? A nossa própria certeza,
quando espiritual, seria incerta, pois seria explicada como necessidade
neurológica, crescimento interior, mas o espírito não existiria aos olhos da
ciência, no entanto... Nada do que seja sumamente crucial, distante do fogo,
distante das sensações, o que não é propriamente um sexo como o conhecemos em
sua totalidade, o desejo, aquilo do corpo ideal, a construção, uma mansão, algo
de edifício, um muro de concreto, uma rua de asfalto, dura e quente, o mar e
sua beleza, sim, o vemos, mas vemos outras coisas além de tudo, além do que os
nossos sentidos podem perceber? O que vemos propriamente em uma poesia, além da
transcrição de uma alma, de um artista, quando temos a certeza de que nenhuma
inteligência artificial poderia sequer supor fazer uma poesia de Cícero, Dante
Alighieri, ou mesmo qualquer anônimo surrealista, quando sabemos igualmente que
quando a poesia nos toca mais do que nunca, nos toca o espírito... E por que
sabemos que este passa a existir? Isso por que temos fé?
Quiçá nos atinarmos com uma nação como nação, com um estadista como estadista, nada
mais é do que ilusão, pois na realidade estaremos vivendo conforme a sociedade
como ela se nos apresenta. Não somos sempre uma representação ou representados, e não somos onde nascemos, necessariamente. E abstrairmos coisas de natureza política, nada mais
signifique do que isentarmo-nos de estruturas essencialmente não mais
pertinentes a uma vida onde, se ignoram nossa maneira de ver a espiritualidade,
ou mesmo o modo como vemos a matéria, não nos interessaria mais tanto o que
pensassem de nosso modo de viver, qual não fosse, darmos valor a quem nos valoriza,
apertarmos o círculo daqueles que são realmente solidários e têm algo a
oferecer do amor que teimamos em ter por muitos, mas muitos sequer se dão a
chance de caminhar ao menos pelas veredas do afeto, quais multiplicadores de
frios projetos, quais gananciosos homens e mulheres que nada mais fazem do que
exibirem-se de fato para aqueles que @s querem consumir, como a uma lata de
refrigerante, ou uma empada rápida de frango. Tudo que é materialista rui como
um escombro, se não como ruína ao redor de milênios ou segundos, rui por vezes
moralmente, como pensamentos, ações ou palavras. Nada do que é essencialmente
novo não será descartável instantes depois, e disso a se falar de toda uma
sociedade cosmética...
Devemos fazer
a nossa social, bateremos as fotos dos encontros, privaremos dos consortes, das
damas e dos cavalheiros, colocaremos nossos filhos neste mundo em chamas, mas
eles já nascerão com mais uma lata de combustível pendurada nas suas futuras mochilas de soldados mercenários. Pois prosseguimos sendo os
mesmos materialistas, certos de que somos este corpo, e de que a princípio não
passamos “ainda” pelas mazelas pelas quais passa aquele cidadão que para nós
não existe, na rua, esmolando ou catando um lixo para se drogar ou comprar um
corote na próxima esquina. Nosso egoísmo não nos deixa termos compaixão pela
humanidade, e jamais gostaremos de um chinês por que existe um presidente dos
EUA que nos orienta a não gostarmos da maior parte da humanidade que apenas
quer fazer um comércio democrático com países como o nosso: necessitado ao
menos dessa abertura. E muitos ficarão surpresos se um cidadão tiver uma
opinião a respeito de algo que para ele faz sentido, como os direitos humanos,
haja vista existirem os Direitos Humanos Internacionais, que põe à prova
qualquer questionamento dessa ordem. O materialismo igualmente possui a sua
certeza, pois também somos feitos dos neurotransmissores cerebrais, e isso é condição
para muitos, seres humanos afeitos a uma dinâmica espiritual, navegando por sombras
e ilusões tão concretas que se tornam reais... Por isso o alcoolismo e as
drogas são tão presentes no mundo, talvez para que o homem e a mulher tentem se
aproximar de mundos que para eles só fazem sentido se passam a se alienar,
tendo a impressão ou a sensação de que são transcendentais ao menos ao seu duro
trabalho, ou que estão inseridos em um grupo diferente, ou mesmo que fazem
parte do mundo dos avessos, um mundo ilícito: essa estranha mania de certas
pessoas de fazerem ou praticarem o errado. Esses mundos todos, que são muitos
na sociedade contemporânea, nos fazem pensar muito, e um sexagenário apenas escreve nesta vida a vida que já vivera, e ainda há por viver, se deus assim o
desejar. E deseja, deseja estar livre da nicotina, já não bebe o álcool, gosta
de estar entre seus iguais, e não deseja muito além disso, pois enquanto viver
na Terra estará mais pleno com sua sorte de privar com aqueles e aquelas que
aparecerem, e que aparecem pouco, pois no mundo digital temos a sorte de sermos
ao menos um pouco do que somos realmente, pois muitos se ocultam, se travestem
da farsa, mas no verdadeiro feeling espiritual já é possível para alguém devidamente
consciente separar ou ao menos saber distinguir o que é joio e o que é o trigo
nestes tempos de ausência e crises de identidade, de vidas conturbadas e
inquietas, do que é uma presença que não vale mais tanto a pena, daquelas que,
virtuais, ainda se mostram um pouco a mais, pelo menos durante os cinco minutos
em que se dignam a aparecer...
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