Quando
finalmente um médico dá uma prescrição a respeito de uma doença, ela já está
manifesta, assim como um sociólogo sabe quando pega a ferida em uma sociedade e
suas relações, por vezes extremamente desiguais, nos níveis econômicos de classe
de suas populações: algumas em um conforto excessivo, e grande parte na carestia.
A nós mesmos nos perguntamos ser ou não ser possível a exata compreensão de
certas realidades, e algo de materialista dialético não nos dispõe sequer uma
saída à altura, na crença de que extirpar da Natureza a ganância que faria a
sociedade menos desigual é a mesma noção de lucro de ganhos para elucidar a questão
econômica, mas a Natureza citada está exaurida, e será da riqueza já acumulada
que se deve fazer uma distribuição mais equânime para aqueles que residem na
linha da miséria. Saber que essa questão da nossa relação preservacionista com
a Natureza, e que a riqueza da humanidade há de ser no comparte e na não
exploração do homem pelo homem para que alguns enriqueçam muito, enquanto
outros vivam mal e porcamente, isso é a tomada de consciência planetária onde
certamente os interesses mais vis e escusos das grandes corporações e sistemas
financeiros internacionais que tornam famílias brutalmente ricas demonstrarão a
sua tentativa renitente em prosseguir sendo a esfera dominante no seio de
sociedades cada vez mais injustas socialmente. Companheiros: basta o que temos
e não precisamos estar contando vis metais de ouro do alto de palacetes
blindados, perante uma rua onde sequer queremos caminhar, a não ser pegando
nosso audi e indo diretamente para um aeroporto e vice e versa, de Roma a
Venice, de Nova Iorque por vezes a Burundi, onde vamos ver como andam nossas
minas de diamantes e as guerras que para lá levamos através de nossos mercenários.
A consistência
de um saber que transcenda qualquer inteligência pré-fabricada, revela que
sejamos conscientes de que aquele aparato todo de pérolas ensartadas em cordões
de ouro no colo de uma sacerdotisa do prazer, uma messalina ao melhor estilo
romano, não remonte que a cidade aberta de Fellini não fosse apenas uma Fontana
de Trevi. Não remontemos guerreiros que não o sejam de fato para uma sociedade
mais justa, e socializemos aquele cidadão que urge por justiça social, no
sentido de proporcionar a continuidade de um Governo que apenas é o melhor,
pois as outras opções, conservadoras, apenas darão continuidade para uma
exclusão cada vez mais majorada, o que na realidade causará mais e mais
explosão de violência, do tráfico de entorpecentes e dos preconceitos de toda a
Natureza...
O laivo
de supormos que na verdade não estaremos ausentes de uma palavra religiosa, ou
melhor dizendo, da subjetividade espiritual, revelará a nós mesmos que essa
suposta subjetividade pode se tornar mais concreta, a nível de psiquismo, ou mesmo
de progresso na manutenção da saúde mental de imensas populações, quando
levarem – esse mesmo povo – a termo, não apenas o aconselhamento da medicina, como
fator decisório em suas vidas, mas a dignificação, que o seja, nas palavras do
Cristo, que tão à mão as temos, como solução prática em nossas vidas... Por
vezes há veredas que não cremos poder existir sequer, como solução diária, como
pressuposição de que nossos sofrimentos não dariam mais conta sequer do que
seja um dia a dia construído sobre alicerces que foram mal erigidos. Cabe a nós
edificar outros, sem perder antigas e reparáveis estruturas aparentemente
danificadas, mas com a proficiência, com a pertinácia de remontar a arquitetura
dentro do suposto concreto em que erigiremos eternamente nossa morada, material
e espiritual, sobretudo. Nosso eu mais profundo não será mais a sombra do que
estava destruído, quer sejamos antigos ou novos na caminhada. Por uma suposição
escorreita do que vem a ser a nossa própria tomada de consciência para esses
citados caminhos, algo de boa nova vem a dar nos costados de uma recuperação livre
de obstáculos, mesmo que a aura de uma socialização que venha a nos fazer
crescer no dia a dia não seja apenas um ideal de vida, ou uma teoria anódina, mas
efetivamente um pragmatismo levado a termo, seja por parte de homens ou de
mulheres, cada qual em seus turnos, cada qual em seus passos, sozinho ou
irmanado...
Nenhum comentário:
Postar um comentário