sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

AS SOMBRAS DE NÓS MESMOS

 

                Quando finalmente um médico dá uma prescrição a respeito de uma doença, ela já está manifesta, assim como um sociólogo sabe quando pega a ferida em uma sociedade e suas relações, por vezes extremamente desiguais, nos níveis econômicos de classe de suas populações: algumas em um conforto excessivo, e grande parte na carestia. A nós mesmos nos perguntamos ser ou não ser possível a exata compreensão de certas realidades, e algo de materialista dialético não nos dispõe sequer uma saída à altura, na crença de que extirpar da Natureza a ganância que faria a sociedade menos desigual é a mesma noção de lucro de ganhos para elucidar a questão econômica, mas a Natureza citada está exaurida, e será da riqueza já acumulada que se deve fazer uma distribuição mais equânime para aqueles que residem na linha da miséria. Saber que essa questão da nossa relação preservacionista com a Natureza, e que a riqueza da humanidade há de ser no comparte e na não exploração do homem pelo homem para que alguns enriqueçam muito, enquanto outros vivam mal e porcamente, isso é a tomada de consciência planetária onde certamente os interesses mais vis e escusos das grandes corporações e sistemas financeiros internacionais que tornam famílias brutalmente ricas demonstrarão a sua tentativa renitente em prosseguir sendo a esfera dominante no seio de sociedades cada vez mais injustas socialmente. Companheiros: basta o que temos e não precisamos estar contando vis metais de ouro do alto de palacetes blindados, perante uma rua onde sequer queremos caminhar, a não ser pegando nosso audi e indo diretamente para um aeroporto e vice e versa, de Roma a Venice, de Nova Iorque por vezes a Burundi, onde vamos ver como andam nossas minas de diamantes e as guerras que para lá levamos através de nossos mercenários.

                A consistência de um saber que transcenda qualquer inteligência pré-fabricada, revela que sejamos conscientes de que aquele aparato todo de pérolas ensartadas em cordões de ouro no colo de uma sacerdotisa do prazer, uma messalina ao melhor estilo romano, não remonte que a cidade aberta de Fellini não fosse apenas uma Fontana de Trevi. Não remontemos guerreiros que não o sejam de fato para uma sociedade mais justa, e socializemos aquele cidadão que urge por justiça social, no sentido de proporcionar a continuidade de um Governo que apenas é o melhor, pois as outras opções, conservadoras, apenas darão continuidade para uma exclusão cada vez mais majorada, o que na realidade causará mais e mais explosão de violência, do tráfico de entorpecentes e dos preconceitos de toda a Natureza...

                O laivo de supormos que na verdade não estaremos ausentes de uma palavra religiosa, ou melhor dizendo, da subjetividade espiritual, revelará a nós mesmos que essa suposta subjetividade pode se tornar mais concreta, a nível de psiquismo, ou mesmo de progresso na manutenção da saúde mental de imensas populações, quando levarem – esse mesmo povo – a termo, não apenas o aconselhamento da medicina, como fator decisório em suas vidas, mas a dignificação, que o seja, nas palavras do Cristo, que tão à mão as temos, como solução prática em nossas vidas... Por vezes há veredas que não cremos poder existir sequer, como solução diária, como pressuposição de que nossos sofrimentos não dariam mais conta sequer do que seja um dia a dia construído sobre alicerces que foram mal erigidos. Cabe a nós edificar outros, sem perder antigas e reparáveis estruturas aparentemente danificadas, mas com a proficiência, com a pertinácia de remontar a arquitetura dentro do suposto concreto em que erigiremos eternamente nossa morada, material e espiritual, sobretudo. Nosso eu mais profundo não será mais a sombra do que estava destruído, quer sejamos antigos ou novos na caminhada. Por uma suposição escorreita do que vem a ser a nossa própria tomada de consciência para esses citados caminhos, algo de boa nova vem a dar nos costados de uma recuperação livre de obstáculos, mesmo que a aura de uma socialização que venha a nos fazer crescer no dia a dia não seja apenas um ideal de vida, ou uma teoria anódina, mas efetivamente um pragmatismo levado a termo, seja por parte de homens ou de mulheres, cada qual em seus turnos, cada qual em seus passos, sozinho ou irmanado...

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