quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A RELAÇÃO CÓSMICA DO HOMEM COM A NATUREZA


              Nada do que sentimos perante um outro ser humano não possa estar afeito a que o sejamos diante da vastidão dos seres que se apresentam na Natureza. Esse sentimento de socializarmo-nos, de travarmos conhecimento, as relações de serviço perante o escopo social, tudo não interfere a que nossa percepção se agigante e procedamos a deixar fluir um andamento místico diante do que seja a nossa relação com o cosmos, representado de modo ímpar na manifestação dos elementos naturais, seu Espírito Supremo e sua inesgotável fonte, manancial indizível daquilo que por vezes sequer supomos existir, nas nossas crenças e valores arraigados, como raízes ainda não profundamente fincadas no solo, mas como uma árvore que ainda predizemos como razão inata ao nosso andamento, ao nosso ser... Há uma relação inequívoca, como alguns indígenas da Mesoamérica, ou mesmo cordões de Brahman, ou crenças de índios amazônicos se predispõe a que o ser humano tem profundas conexões com a Natureza e o Cosmos, esse semblante que por vezes ignoramos, descartando unicamente a possibilidade de estarmos Unos com esse Poder tão maravilhoso e real que inesgotavelmente estaremos explorando seus recursos ad aeternum, justamente pois cada indivíduo pode encontrar nessa totalidade e comunhão a possibilidade inerente a essas questões uma frente que se abre diante de tudo e todos, a troco de pertencimentos a uma Natureza, citada esta acima, que perfaz a realidade última do que é fora do humano, e do que é humano, pois o todo e o fragmento dela igualmente fazem parte.

              O encontro com o espírito da Natureza revela a nós mesmos,  quem sabe, o próprio signo solar, a vida diurna, ou mesmo um hálito de selva para os índios, quem saberia mesmo dizer, ao cidadão citadino, da urbe, não propriamente um enveredar-se pelo materialismo e sua dialética, mas justamente encontrar a dialética na Natureza sob outro formato, pois a cada qual se é dada uma compreensão, inclusive sobre as diversas substâncias que por vezes alteram a percepção da realidade, não apenas como diversas drogas que acabam por minar o ser, mas na repetição de padrões que podem levar ao embrutecimento espiritual, no estranho paradoxo em que, no caso de um xamã de verdade, em sua tribo, a sua realidade com algo que o faça ter alucinações pode encaminhar seus ritos em direção à Natureza de sua cultura, mas no caso dos habitantes da cidade, a mesma substância só verá a boa ou má “viagem”, em geral, apenas a “bad trip”. A realidade máxima das religiões no Ocidente e no Oriente, pelo menos as “oficiais”, demandam que não se use nada que mude o estado de consciência, justamente para que as pequenas ou grandes loucuras não dissociem a mente de pessoas que têm que viver sob a égide dos sistemas em que estão inseridos, mas não invalida o fato de que algumas religiões, inclusive que pontificam sobre o Evangelho, não invalidem a questão primeira de se ampliar o nível espiritual para termos uma comunhão maior com relação à Natureza e seus episódicos níveis a que se compreenda essa citada forma ou modo de se atuar perante determinadas circunstâncias.

              Em regras mais amplas, a modo de se gerar um pertencimento a níveis seguros de consciência, sem o risco de se diluir nossa lucidez, adições alucinogênicas, ou mesmo drogas como o álcool ou qualquer outra que modifique o humor, não traduzirão nada a não ser uma não agregação de algo que seja bom para a saúde mental, e nisso está incluída a questão anímica ou espiritual, pois o espírito anima o corpo, a mente e a nossa inteligência.

              O animismo centrado, algo que nos dê o suporte mais severo, uma certa disciplina mental, o estarmos abandonando a nicotina, como exemplo clássico, quando “ainda” algo não nos tenha acometido, a questão espiritual escorreita no sentido mais amplo que remonte variações de flexibilização na questão de primeiras escolhas, de priorizarmos o que realmente seja importante para a nossa segurança psíquica, isso faz parte de um tipo de “combo”, onde a sucessão de coisas que assumam um papel fundamental a que nos tornemos mais e mais independentes dos vícios, revelam apenas que aquele que não pode ficar sem uma substância possui a doença da citada dependência, da adição a uma droga, a doença das compulsões e de não sermos mais donos de nossas ações... Ao espelhamento de que a Natureza pode vir a ser um aprofundar-se espiritualmente no que possuímos, apenas o céu e os pássaros, ou um animalzinho de estimação, a visão de um inseto e sua ciência, isso conforma a que não estamos sozinhos no planeta, e que não precisamos de modo algum de maconha para perceber melhor as coisas, em um exemplo real. No entanto, quem somos além de meros precursores de outros que veem a Natureza tal como ela é, sua dimensão cósmica, sua realidade de fato: consonante e condizente com a realidade mais imediata, e com uma realidade mais profunda... De fato, seremos melhores se, quando percebermos a Natureza como nossa linha familiar mais profunda, de sermos seus filhos, pais e irmãos, e a todos os seus seres e biomas, estaremos mais encravados no propósito de mudarmos as coisas para que não possamos mais devastar esse manancial de vida que gera a própria vida, e de que dela fomos gerados, para todo o sempre...

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