terça-feira, 25 de novembro de 2025

UM TEMPO EM QUE NOS ENCONTRAMOS CONOSCO


                Gostaríamos tanto de ser algo, uma função, um ser objetificado além de nossos interesses, ou seríamos todo o tempo os mesmos que esperam de nós em nossos atos, aquilo que porventura para tal coisa fomos criados, ou mesmo uma mera ilusão, um artifício, ou uma questão comportamental apenas... O que seremos diante do tempo que não cessa? Aquilo tudo em que nos projetamos, nossos ideais, nossa fé diante das pessoas, os relacionamentos que deixamos para trás, ou mesmo as decepções, os entorpecimentos, as drogas que nos deixam brutos?

                Quando paramos contemplativos diante do nosso imo mais profundo, nos encontramos com algo que por vezes não achamos de pronto, a mente se nos dilacera em pensamentos, os sentidos sentem mais do que parelhas de cavalos inquietos, e o nosso lado espiritual quiçá devesse esperar um par de dezenas de anos para que nos aquietemos, pois sim? Uma leve impressão de quem somos seria mais do que suficiente, e talvez estejamos ainda no meio de nossa jornada... Para encontrarmos com nosso eu mais silente em nós, precisamos de uma ajuda por vezes externa, uma terapia, alguém que nos dê o suporte necessário, ou mesmo de um sábio que ajude a que encontremos um caminho de luz. Alguns que já trilharam searas ásperas diante da vida, e sobreviveram incólumes graças a Deus, diante de tudo e todos, e experienciaram a sua fé por algo maior do que si mesmos, podem tomar alguma dianteira e afirmar que o caminho para sermos melhores no mínimo é evitar, para citar um princípio básico, estarmos nos agregando aos vícios, aos relacionamentos tóxicos, e tudo o que essa palavra pode significar, em atos, pensamentos e palavras.

                Uma vida em trabalhos e serviços, uma vida dedicada, pronta, resolvida enquanto missão diária, valora o citado ato, consubstancia o sentir-se útil e investe na nossa psique e na nossa espiritualidade, enquanto almas convertidas a uma sociedade em construção paulatina, pois dois de nós em trabalho já se contrapõem àqueles que tergiversam em oposição ao labor de estar presente na vereda cristalina da valoração do ato supracitado. A ação em relação com o tempo, estar-se ocupando, não pensar muito no que fazer, mas como fazer, e não no que sentir, mas como agir para sentir-se melhor depois da empreitada, depois de uma jornada de um dia, posto o serviço igualmente será sentido em nossa atitude perante o outro mesmo que o voluntariado de nossa escolha não seja o pão do outro que trabalhou para obtê-lo, conforme a crítica idiossincrática de um sistema de relações humanas onde se liste as razões para não fazer, diante de um tempo que não espera, por cima de uma especulação estéril... Diante de algumas conjecturas, o estado em que se encontra o ser humano psiquicamente com os outros que o cercam, pode ser animicamente favorável, mas quando a sintonia depende exclusivamente da relação consumo e dependência, seja no comércio, seja em algo que demande uma situação crítica onde um sentimento aflore afetivamente fora de hora e lugar, deixamos para depois as situações onde isso ocorra e contra investimos, no sentido de resistir a que seja dada a largada a uma situação de entrega, para que refreemos nossos ímpetos e guardemos nossa energia no tempo e no espaço errôneo por vezes, saindo de cena e trabalhando em algum lugar onde a validação dos ganhos afetivos seja produzida efetivamente nas trilhas mais lógicas, onde a razão seja equivalente a uma inteligente modalidade do ser, progressiva e por vezes pontual. Nessas relações de tempo e espaço estaremos nos validando na suprema valia do querermo-nos bem, e situarmos nesse escopo é fundamental para preservarmos o conteúdo essencial de nosso eu, tesouro que é obtido passo a passo, por vinte e quatro horas, geralmente em virtude do que encontramos de ser genuinamente aceito e completo no final ou no entremeio das jornadas do citado dia.

                Por um aspecto do que se fazer em uma ação imediata, devemos treinar-nos a não procrastinar muito, e resolver diante de tentações que se nos apresentam, as ditas tentações simples do serviço, em não delongar acordos já firmados anteriormente, e evitar mudar de posições, posto senão o citado serviço se compromete, e devemos dar o tempo necessário para o assentamento de funções que se deem na nossa conta, como uma receita que não esperávamos, vindo logo após um investimento compulsório. Nessa questão, o lucro existencial que obtemos diante de fatos que se nos apresentam corriqueiros, deve ser superlativado com a valorização de mais atos agregadores, e partir para mais e mais ações do dia em que não projetáramos o suficiente nesse intervalo, para que as perdas não esperadas percam para as validações progressivamente positivadas.

                É da Natureza do ser humano, esse animal quase contábil por si, ser de trocas, de câmbios, insuflado por um mundo em mutação, um mundo que perde por um lado e ganha por outro, e o encontro de nosso ser, mesmo que sejamos jejunos em relação a muitos que cumpriram jornadas por si depois de sofrimento em vitórias, não precisamos sofrer de passagens e quimeras por repetição, e nosso imo agradece se atalhos forem surpreendentemente sendo revelados à nossa revelia, mas o importante é que estejamos caminhando sempre limpos de toxinas, pois estas substancialmente é o que nos desorganizam diante de um mundo afeito ao caos muitas vezes, e a imagem da espiritualidade para alguns a outros demanda certa percepção, que a outros a droga não aumenta, mas apenas deturpa. Alucinar em nossos sonhos mais pueris, é mais infantil do que não sermos adultos, no entanto já amadurecidos na casca e na raiz... Portanto, a vez por vezes é o agora, e consubstanciar a matéria é tarefa que devemos praticar diuturnamente, nessa maravilhosa alquimia em que nos descobrimos a decifrar nossos próprios signos e dialogar conosco nesse encontro que se faz em todos os dias, desde o despertar da aurora até o sublimar de quaisquer ressentimentos do caminhar. No ato da caminhada, praticando, relembrando o último passo e pensando no próximo que vamos dar. A prática da recordação...

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