A nós
nos perguntariam os quatro ventos: quereis o néctar da liberdade? Eu, como
cidadão que busco me comportar, perante uma vida civilizada em uma sociedade
que creio seja justa, condizente com princípios que norteiem um bem estar, não
apenas meu, que não sou egoísta a esse ponto, mas daqueles que me cercam, do
próximo, do distante, quem dera, que fosse, saberia tanto a humanidade da alma
de um pecador que busca esquecer que já tanto pecara? Ah, diriam alguns, o
pecado não existe, mas já se tenha a dimensão, que seja, uma vida afeita ao
crime não seria um tipo de pecado ao olhar mais consistente da justiça dos
homens? O bom e o mau caminho, um certo, por vias duras, quem sabe, trabalhar,
sofrer, os infortúnios da vida, e a liberdade, meus irmãos, onde fica? Ficar
com a mulher do próximo, por ser gostosa como a mais tentadora luxúria e ela se
abrir toda, vale o esforço daquele que estará enredando pelo caminho do
inferno? Quem sabe o próximo que ela ignora não seja tão bonzinho... Sim, há
pessoas que gostam de se vingar, e o mundo é feito muitas vezes de grande parte
desses seres, a coisa se mistura muito.
O
princípio da liberdade tem regras, tem regulações, só quem é criança bem bebê ainda
não o conhece de pleno, pois depois que vamos à escola, e mesmo no seio
familiar, até os cinco anos estaremos já tendo uma noção bem ampliada dos
nossos deveres, dos nossos limites, se o fogo é quente e queima, se o gelo é
gelado, se podemos brincar com nossos brinquedos, que não podemos quebrar o
brinquedo de nosso irmão, que roubar está errado, ou seja, aprendemos com boa
progenitura, e por vezes quem faz o papel de pai e mãe é a mãe, apenas, e isso é
uma realidade cada vez maior... O hedonismo, sim, aqueles que só curtem a vida
prazerosa e isso seria errado, não propriamente, mas às custas do próximo
talvez sim. O lucro em excesso, a exploração do outro em excesso, a apropriação
indébita, se apropriar do trabalho e sua força, sem dúvida é questionável, mas
não é crime, conforme as leis do capitalismo moderno. Se o caminho fosse o
socialismo quiçá fosse distinta a relação humana, mas aí é uma questão de
controvérsia, pois o que se discute é a liberdade. Obviamente, quem nada
possui, nem roupas, sequer pode entrar em um shopping center, tem que ficar do
lado de fora, quem sabe catando latas de alumínio para tentar se dopar com
alguma substância, ou mesmo estar lutando como um mouro para tentar um "bico" e
conseguir uns trocados para pagar uma refeição. Ele é livre, será que optou por
isso? Quiçá alguns optem por viverem nas ruas, mas por vezes é uma questão de
dependência, as drogas os aprisionam nas ruas, paradoxalmente, muitas vezes.
Fala-se
tanto em sistema, mas acontece que o mundo inteiro tem no capital sua mola
mestra, não fazemos nada sem ele, apenas há algumas nações onde os problemas
sociais são maiores, e outras não possuem carestias tão gritantes nessa ordem.
O mundo é tal qual é, mas devemos saber que culturalmente há locais do planeta
onde a mescla com essa civilização inóspita por vezes ainda não aconteceu, e
isso deve ser preservado. A liberdade deve ser uma premissa cidadã, quando
voltamos nosso olhar para esta nossa civilização: crenças, costumes, tabus,
fetiches, fé ou não, propriedade ou não, religiosidade ou não, a busca por
caminhos, o empreender algo, criar uma expressão gráfica ou visual, a liberdade
de expressão, da literatura, do pensamento, desde que, pontuada a velha questão,
isso não influencie modalidades de conduta que vão interferir na democracia de
uma nação que se preza assim, ou mesmo no socialismo de uma nação que se preze
assim, pois o que deve existir é que o coletivo sempre seja a razão de existir
de qualquer família, grupo, escola ou nação. Conforme o ditado: “todos os
caminhos levam à Roma.” Isso, bem dito, quem sabe não pegaremos um atalho? Quem
sabe, a Roma, cidade aberta felliniana...
Às
vezes me pergunto se os índios pueblos, de onde Jung tirou sua
experimentação em viver com eles, as questões das mandalas na areia, que muitos
que piravam na tribo iam praticar esses desenhos para voltar ao centro, será
que esse povo ainda existe, no modo como o médico encontrou em seu tempo? Ou Darci
Ribeiro, o grande antropólogo brasileiro, quando foi viver com índios na
Amazônia, o que aprendera? Os povos originários, essa sede de conhecermos culturas
as mais remotas... Como dizia o cartunista em seu “Henfil na China”, os chineses,
naquela época em que foi visitar esse imenso país, eram como “índios”. A
experiência de voltar no tempo, ver a literatura russa e francesa, as duas gigantescas
da Europa, tudo o que esse continente dispôs à humanidade, e hoje, bem, hoje
aparentemente os libertários do fracasso já creem que o mundo está acabando.
Nada acaba sem nem ter começado e a nossa espécie já não está há muito tempo
por cá, apenas há algumas centenas de milhares de anos, e frente ao mundo e sua
história não voga muito. Apesar de que, nos Shastras está escrito que a
humanidade por aqui já está desde há muito e muito tempo...
A
liberdade está aqui e está em outro lugar, nada nos impede de ver, sentir,
cheirar e tocar, mesmo que não sejamos sequer muito lúcidos, pois uma refeição
melhor a alguém pode ser a ampliação da mesma, e estarmos cientes de que aquele
que sofre encontrará uma compensação depois não deixa de ser a mesma ciência
supracitada, em sabermos que essa compensação vem na forma de se ter expiado o
carma neste planeta, e que melhores dias virão, quem sabe, ainda nesta forma de
existência. Muit@s são grandes guerreir@s no mundo contemporâneo e iremos encontrar
seu modo de viver mais plenamente conforme a aptidão para o combate.
Simplesmente, não podemos arrefecer os ânimos e desistir dos embates que fazem
parte da Natureza das coisas. Não será na turva e inexata questão de merecermos
uns aos outros que estaremos silenciosamente construindo algo, pois por vezes o
diálogo que tecemos em gestos e palavras fala mais alto ao coração do que simplesmente
falar sempre o que já disseram inúmeras vezes, nos falsos discursos e nas
promessas vãs. A liberdade de se ser verdadeir@ é uma das mais amplas e no
entanto mais árduas, pois conquistar a nossa maneira de ter voz ativa é como
passar a níveis mais profundos de consciência.
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