As
fronteiras do sonho, as da realidade, o sonho é uma coisa real, no sentido que
seja uma entidade psíquica onde temos de fato as nuances daquilo que se passa
no nosso inconsciente, pessoal ou coletivo. Temos por uma suposição de um
onirismo, digamos, estarmos acordados e lavrarmos uma poesia, é uma situação onírica,
os poetas que, como afirmara Jung, são os únicos profetas na contemporaneidade
onde são permitidos... Nos debruçamos no sonho, pegamos nossos gadgets, nossos
smartphones, nossos compactos, ou mesmo boxes inteligentes, como caixas onde
tudo pode acontecer, até mesmo a realização de um sonho, um contato, a
comunicação, o pressuposto indescritível de termos chegado até aqui, a palavra
cristã, o gesto pagão, as nuances supracitadas do indizível, até mesmo isso. Daquilo
que se repita, não se repete todas as vezes, os animais, os seres, o
funcionamento das máquinas, a objetificação do prazer, o compromisso, a falta,
a discórdia, a exploração e as misérias e a riqueza!
Que
tipo de Deus arquetípico seria de monta o exemplo do mito do homo-deus? Visto
de um cenário muitas vezes dantesco uma guerra, do alto, através de um
satélite, quem sabe o controle de um display não fosse apenas uma sedimentação
de algo previsível há muito tempo atrás. As fronteiras da realidade atravessam
as do sonho, e as conjunturas dentro de estruturas sólidas sói reformularem-se
continuamente, mas estruturalmente só se tem uma repetição onde a revolução
tecnológica encerra em si mesma a anuência de que apenas seria possível viver
com o gadget dentro de nós mesmos, nos acompanhando para todos os lugares... A
notícia boa é quando fazemos funcionar os sistemas, e devemos ou podemos ousar
estar cientes de que isso é o que realmente importa de merecermos, senão o fato
de um demente precoce, portaria algo como uma doença onde ele se encontra a
quatro chaves já não pode mais sequer acessar algo parecido com uma máquina, e
nem mais fumar seus cigarros, pois o veredicto de certas clínicas já o condenou
a estar preso, eternamente em “tratamento.”
Aceitar
que esse tipo de brinquedo nos acompanhe sempre não deixa de estabelecer uma
relação codependente com a máquina, posto a vida nos tempos de hoje expõe as vísceras
do narcisismo, mas ignora o fato de que muitos olham para o celular como se
olhassem para si mesmos, e o que é pior, se afogam com o feedback que recebem
de serviços, fotos, imagens ou mesmo likes que aparecem no torto e no direito da
vida eletrônica, mesclada visceralmente com o nosso conteúdo moral e espiritual
e fisiológico. O mundo acaba sendo uma coisa muito parecida, mudando acentos e
sotaques, paisagens, tipos de carros... As expressões fisionômicas não devem destoar
tanto, a não ser em regiões ou conflagradas por crises, em regiões pauperizadas
onde nem todos possuem os gadgets, em síntese, locais que não estão vivenciando
a mesma trava existencial de tudo o que acontece no planeta, esse sistema
praticamente totalitarista que vai tomando conta de tudo e todos, e quem busca
destoar é considerado, ou louco ou subversivo aos olhos do “Grande Estado”. Quem
sabe a profecia de Aldous Huxley com seu “O Admirável Mundo Novo” estivesse certa,
ou quem sabe o “Mundo Ovo” de Eli Heil, fosse mais certo e admirável com sua
arte do que muito o que se fez de arte na humanidade. Pois a arte, caros irmãos,
não irá morrer e nem as formas em que ela pode ser realizada, já que o mundo
sempre será dos loucos e dos artistas, a condição sine qua non para que ao
menos ele se torne, frente à corrente dos hedonistas modernos, bem mais
interessante do que parece. Os “simbióticos” do regramento da moral e da boa
conduta nem sempre despertam a razão primeira dentro de si mesmos, pois aqueles
que estão urgindo por atenção e dão seus nós a torto e a direito já são partícipes
da sociedade contemporânea e seus direitos nos seios de uma sociedade que se
diz liberal devem sempre ser preservados, pois os Direitos Humanos não são apenas
mais uma conquista, mas configuram Lei. Pois que um mundo admirável jamais será
novo se não possuir regras de conduta civilizatórias, e pontuar pelos gadgets
pode ser algo tão revolucionário quanto sonhar acordado, mas inferir que a
realidade esteja coesa com esse tipo de maquinha nem sempre está de acordo com
coisas que são mais prementes, pois quando perdemos a máquina devemos ainda nos
sentir inteiros para tanto, e não crer quase piamente que perdemos uma parte do
nosso corpo ou de nossa mente! Ressalvas à parte, isso é mais real do que um
sonho sonhado em vão...
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