quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

PESCAR ILUSÕES


                Quem diria, uma mulher, um homem, a passagem, quando nos vemos: ela, com seus compromissos, um cenário, um café, eu livre – ou quase – e, na visão de alguns, um olhar que não foi trocado, seria melhor que aqueles tempos onde o flerte era possível, mas quem sabe, no amadurecimento, sabemos melhor sobre o “instinto de sobrevivência...” Quem dera, uma opinião e, ao menos gesto do homem ao retirar o guarda-chuva de perto de outra pessoa, ao mais leve comentário de que “agora trouxe esse guarda-chuva, mas não tem nada a ver, agora não chove, faz sol, me desculpe, eu o trouxe porque o tempo está feio, mas mais tarde acredito vá chover...” Qual não fora, a mulher olha taciturna, a cara de poucos amigos, sem nada a dizer: companheiros, muita gente não fala, a não ser no whatsapp. Essa noção de tentar recriar vínculos de comunicação é próprio da Natureza humana, e fala-se mais ao analista tudo o que vem à cabeça, ou se dê tratos à bola para falar mentiras em uma fake “criativa”, afora isso, tentar criar vínculos com uma comunicação mais real é um tipo de projeção de que aquilo já não mais faria parte do repertório humano...

                Até mais ver, bye bye, adeus, são palavras que assumem um contrato na comunicação, sua entonação, seu modo de pronúncia, se apenas é um bye, o tchau, ou se é bye bye, mesmo porque o Brasil já passou por episódicos filmes em sua cultura... Ah, o instinto de reprodução, quem diria, algo além mesmo da linha do equador, para cima e para baixo. Até que ponto usaremos uma camisinha, ou até que ponto se faça o sexo anal, sem camisinha, na condição de não se preocupar com a Sida, ou coisa parecida. Não importaria tanto, afinal, os sintéticos vieram para ficar, aquele papel batizado com a substância transformaria o sexo como algo possível. E o futuro? Esse é para inglês ver, andar transmitindo por aí a doença pode virar esporte, pois na realidade a ilusão é algo que muitos “pescam”, e Maya é apenas um nome, um mito e não caímos na ilusão, pois tudo faz parte dela. Mas efetivamente não fizeram ainda os filmes que não fizessem jamais, pois de acordo com a nouvelle vague, algo ainda estaria aberto nas gerações que ainda possuíam bom cinema, aqueles que tinham a arte com pano de fundo e conteúdo na expressão do cineasta e no argumento.

                Como se diz, um bom remédio é sonhar, mas para isso há que se dormir, e isso não está mais na moda, todos estão plugados, com aqueles que vendem na sex shop, mas isso é opção de consumo, há quem vibre com a possibilidade. Pois sim veremos alguém beijando de língua um objeto de borracha, dentro de uma boca que move o objeto? Bota pilha ou pega na bateria, o boneco... O complexo de castração agradece! Mesmo porque o que consola a muitos e muitas é apenas um homo erectus, ou quem sabe o cromagnon estaria na frente de trabalho de uma estiva particular, de um barco de Cartagena para o mundo. Para muitos "ficarem bem", como se diz. Como se dizia em tupi: em Pernambuco o mar fez um furo, o mar está furado: vai ver que são as pedras, de onde o mar passa, lampeiro, como em um costão no sul o mar enfrenta o paredão de rochas de uma ilha perdida entre um Atlântico quase pacífico...

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