quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

A LIBERTAÇÃO E SEU PARADIGMA


                Enquanto seremos naqueles dias de um ontem soberbo, em nossas soberbas, não sabemos quem somos exatamente, nem ao menos o que reside dentro de nossos requisitos mais essenciais, a medicina, um hospital, uma prisão, um lar, ou mesmo o andarilho que toma como lar a rua e suas praias, quando porventura reside nelas como se fossem suas, e não propriamente de Deus, mas na consonância, nas leis territoriais urbanas. Afora tudo o que poderíamos dizer a respeito da luta a favor da liberdade, o que supunha o sofrimento de uma pulsão mal resolvida de meia hora, pode ser a pulsão da mocinha em fumar seu baseado em paz, com sua paranoia até ver que terá fumado o cigarro e terá feito a sua cabeça, mesmo que em sua solidão tome a coragem e ligue para o namorado em seu celular, a sua porta para o infinito, ou o mesmo mar que só tem lhe levado à paz porque não tinha ninguém na praia para ver sua atitude de viciada... Mas, afora a crítica, quem somos nós para não seguirmos a cartilha do Governo Federal que permite que se fume da erva, quiçá porque essa droga ainda relaxe, certamente seguirá fazendo mais estragos na consciência, pois o álcool relaxa e a coca dá mais “energia”, não é mesmo? Eric Clapton, um monstro da guitarra, gostava sobremodo dessa droga, pois o fazia ter a performance de um deus do instrumento, mas outros viam na sua música o libelo que fazia com que certas amarras levassem ao consumo desenfreado da substância, aquela que até Freud consumira durante um tempo em sua vida... Não adianta tecer a roupa com ventos gelados, assim como não se apaga uma vela com gasolina. Posto na loucura como a conhecemos com uma doença afeita à atenção da saúde pública, não encontra muita compreensão da psicanálise, e o Estado oferece o serviço da psiquiatria tão somente, e Lacan e sua abordagem de cura das psicoses só encontra teoricamente naquilo que hoje em dia tornou-se mais cognitivo-comportamentalista, uma abordagem psicológica que apenas os fármacos tem dado conta do recado, pois as drogas como um todo são muito, mas muito mesmo, recorrentes nas sociedades contemporâneas. Como válvula de escape, como meio de se curtir o sexo, como o álcool nas festas e eventos, como o pó na sociabilização e contratos de trabalho e suas “performances profissionais”, e etc e tal, por aí afora.

                A libertação por si mesmo virá naqueles que se mantenham sóbrios e aguentem as sacudidelas do destino, com o osso do peito, pois é piorando certas condições que se adquire a fortaleza de se cumprir a vida com a pena que nos impõe o sistema, seja quem formos na rua ou no lar, em uma prisão ou em um hospital, paraplégicos ou com mobilidade, com câncer ou não, loucos ou “normais.” Parece que neste país somos obrigados a temer a investida de regimes autoritários, de golpes de Estado ou coisas similares, porventura porque tivemos um passado recente de extremo autoritarismo e barbárie, e por vezes a suposta predisposição de um fechamento do regime encontraria um pretexto no combate à criminalidade, à corrupção e etc, como foi feito já anteriormente no país, no sentido de militarizar cada vez mais a sociedade e deixar que os simples civis, que são todos os cidadão do Brasil busquem mais e mais refúgio na alienação, galopando sinistramente o acometimento das doenças psíquicas nesse campo...

                Qual seria a direção da liberdade? Quantos passariam por ela? Por que razões alguém quer ser proprietário até do pensamento dos outros? O que vem a ser atenção psicossocial, senão o mesmo controle que por vezes pode ter, até prova em contrário, intenções dogmaticamente ideológicas? Porque estaríamos em reconstrução, isso é fato, mas na verdade não temos tido muitos avanços na saúde mental como um todo, posto quiçá os paramédicos têm inundado o saber da medicina boa, através de enunciados, como chavões e preconceitos e ainda a soberba de se achar da área médica aquele que faz um cursinho de estudos de enfermagem, ou é treinado para submeter um enfermo com a brutalidade e a inoculação de drogas pesadas como nunca se teria cogitado existissem no planeta.

                Um velho embate, as drogas ilícitas em um crescendo, e as drogas médicas sustendo esse movimento sem uma saída a curto prazo, de forma emergencial, pois o Estado ainda não possui condições para abraçar realmente com a atenção necessária a essas populações acometidas pela brutalidade dos sistemas e da exploração que a vida sem rumo impõe a certas pessoas com um pouco mais de sensibilidade e bagagem e capacidade crítica, aliás, os mais visados pelos agentes das fábricas da loucura: os traficantes e afins. Se torna um dilema fundamental libertarmo-nos, pois por vezes na imensidão de uma praia, com toda a suposta liberdade do mundo, o alienado sequer se detém a contemplar ao mar e a si mesmo...

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