domingo, 5 de julho de 2026

COMPATIBILIDADE DE GÊNIOS


                Quando estamos em processo de mudança psicossomática, quando necessitamos de algo ou alguém que faça por nós algo de apoio, ou quem sabe quando sabemos que porventura somos mais diletantes do que a medida, nada do que pensávamos antes vai importar tanto, se na realidade o que diligentemente faríamos vai depender do que fizermos no hoje, quais são efetivamente as mudanças e como podemos contribuir para dar andamento a todo esse processo. Posto quando mais tranquilos psiquicamente, sabemos que a vida não é boa para muitos em processo de recuperação em seus males mentais, mas quem sabe de algo que porventura venha a ser mais aquietado por nossas sombras, quem sabe a vida não encerraria a caminhada onde aqueles mais recusados na sociedade não seriam exatamente os tipos que a vida no escopo da solidariedade não se daria mais facilmente para que os brancos e os negros se entendessem melhor, literalmente, assim como os negros e os brancos? É dura a vida, mas é a vida, meus irmãos, e aquele que sai do hospício, negro, pobre, enlouquecido pelo capacitismo de toda uma sociedade, não encontrará em um branco seu amigo, igualmente enfermo, mas não totalmente de sofrências, pois sim, quem sabe o que o Salvador nos coloca adiante de nossos olhos, senão o perdão a nós mesmos, a quietude de sermos aqueles onde o perdão maior se nos acompanhe, sequer a face que muitas vezes o desprezo por necessitados requer para ser combatido a atenção necessária a todas as populações vulneráveis do mundo, sem distinção étnica, de classe, de enfermidades, existencial ou quaisquer outras, pois os direitos humanos são eticamente o que há de mais importante na vida em sociedade, e navegarmos por um mundo efetivamente mais – repetindo – humano, é aquilo que se espera de um processo civilizatório perene.

                Toda aquela sociedade bem comportada, tudo aquilo que se revela o desdenhar de um ser humano em situação vulnerável, todo aquele que se conforma em saber que a loucura pode ser algo em que a atenção mais cuidadosa diante de uma ordem que não seja nefasta, seria algo a ser pensado mais amplamente, com o citado cuidado de não pisarmos nos ovos moles de uma festa pagã, em desordem com o cantar de comensais, felizes por gastar, apenas isso... Para não se dizer de coisas onde o registro da inquietude de muitos se faz agigantar críticas na ordem em que se apagam os vestígios da normalidade em nome de pequenas loucuras, como a pecha de ser alguém que passa por critérios de moralidade que nada tenham a ver com a normalidade aparente de ideias precisas e verbos bem colocados. O que se espera de uma civilização não voltada para o fascismo é justamente crer ainda na democracia, mesmo porque qualquer cidadão que necessita de amparo psicossocial tem esse amparo – ainda – nos braços do Sistema de Saúde pública. Na ordem institucional onde nos encontramos, os pobres e os desvalidos ainda encontram suas frentes de participação social diante de quadros onde o viés de Eros ainda seja a melhor saída, pois aqueles instintos de morte não pertençam à realidade do ser humano, ainda que a supressão de alguns vícios não possa sucumbir à esteira de quem pode estar mais silente com relação à sua recuperação individual, frente a toda uma sociedade ou de grupos que entendem ser importante a dita recuperação.

                Saberíamos mais se a vida não fosse tão mais simples do que apenas viver. A complexidade por vezes nos pega desprevenidos, e o que antes jactamos poder escolher sermos melhores do que quase tudo o que está por aí, determinado por questões quase litigantes, está relacionado na forma de nos portar perante o outro, e usarmos da segregação quase compulsória em nossos atos toma o vulto de uma ofensa da qual não temos uma medida correta e, sem sombra de dúvida, inexata. Por essas e outras, não escapamos de termos ações defensivas diante do mundo, quando algo ameaça nosso modo de ser perante a idiossincrasia que declaramos de alguém ser idiotice ou coisa similar... Quando se tinha uma ideia do que fazer quando a incompatibilidade de sermos quem desejávamos ser, mesmo nas situações onde o que pressupúnhamos na crença particular sobre algo ou alguém, a transcrição do que agregaria, em outros tempos, é mais do que necessária para que se fundamente uma questão da isenção da culpa quando efetivamente pensarmos na liberdade de crenças, opinião e modos existenciais. Acontece que em outros tempos a permissividade em sabermos que o cânone de uma estrutura religiosa, uma entidade como uma grande Igreja, será sempre um baluarte da doutrina que porventura havemos por conhecer, posto a missão de se evangelizar o outro, ou seja, divulgar a palavra do Senhor, é tarefa ou condição sine qua non para eventualmente equacionarmos a questão da religação com Deus e nossa tarefa enquanto fieis a determinada entidade, ou Igreja. Por isso a Santa Missa é uma frequência que une a espiritualidade, amalgama a fé, e cristaliza o poder dos sacramentos que a citada Igreja nos apresenta. O que antes parecia uma virtual incompatibilidade de gênios se torna fecundamente a forma mais consolidada de estarmos finalmente em comunhão com nossos acertos, e devidamente encaminhados pelos caminhos do Cristo Rei, conforme os desígnios da Eucaristia, que nada tem a ver com projetos, mas pode ser uma profissão de fé.

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