Quando
estamos em processo de mudança psicossomática, quando necessitamos de algo ou
alguém que faça por nós algo de apoio, ou quem sabe quando sabemos que
porventura somos mais diletantes do que a medida, nada do que pensávamos antes
vai importar tanto, se na realidade o que diligentemente faríamos vai depender
do que fizermos no hoje, quais são efetivamente as mudanças e como podemos
contribuir para dar andamento a todo esse processo. Posto quando mais
tranquilos psiquicamente, sabemos que a vida não é boa para muitos em processo
de recuperação em seus males mentais, mas quem sabe de algo que porventura
venha a ser mais aquietado por nossas sombras, quem sabe a vida não encerraria a
caminhada onde aqueles mais recusados na sociedade não seriam exatamente os
tipos que a vida no escopo da solidariedade não se daria mais facilmente para
que os brancos e os negros se entendessem melhor, literalmente, assim como os
negros e os brancos? É dura a vida, mas é a vida, meus irmãos, e aquele que sai
do hospício, negro, pobre, enlouquecido pelo capacitismo de toda uma sociedade,
não encontrará em um branco seu amigo, igualmente enfermo, mas não totalmente
de sofrências, pois sim, quem sabe o que o Salvador nos coloca adiante de
nossos olhos, senão o perdão a nós mesmos, a quietude de sermos aqueles onde o
perdão maior se nos acompanhe, sequer a face que muitas vezes o desprezo por necessitados
requer para ser combatido a atenção necessária a todas as populações
vulneráveis do mundo, sem distinção étnica, de classe, de enfermidades,
existencial ou quaisquer outras, pois os direitos humanos são eticamente o que
há de mais importante na vida em sociedade, e navegarmos por um mundo
efetivamente mais – repetindo – humano, é aquilo que se espera de um
processo civilizatório perene.
Toda
aquela sociedade bem comportada, tudo aquilo que se revela o desdenhar de um
ser humano em situação vulnerável, todo aquele que se conforma em saber que a
loucura pode ser algo em que a atenção mais cuidadosa diante de uma ordem que
não seja nefasta, seria algo a ser pensado mais amplamente, com o citado
cuidado de não pisarmos nos ovos moles de uma festa pagã, em desordem com o cantar
de comensais, felizes por gastar, apenas isso... Para não se dizer de coisas
onde o registro da inquietude de muitos se faz agigantar críticas na ordem em
que se apagam os vestígios da normalidade em nome de pequenas loucuras, como a
pecha de ser alguém que passa por critérios de moralidade que nada tenham a ver
com a normalidade aparente de ideias precisas e verbos bem colocados. O que se
espera de uma civilização não voltada para o fascismo é justamente crer ainda
na democracia, mesmo porque qualquer cidadão que necessita de amparo
psicossocial tem esse amparo – ainda – nos braços do Sistema de Saúde pública.
Na ordem institucional onde nos encontramos, os pobres e os desvalidos ainda
encontram suas frentes de participação social diante de quadros onde o viés de
Eros ainda seja a melhor saída, pois aqueles instintos de morte não pertençam à
realidade do ser humano, ainda que a supressão de alguns vícios não possa
sucumbir à esteira de quem pode estar mais silente com relação à sua
recuperação individual, frente a toda uma sociedade ou de grupos que entendem
ser importante a dita recuperação.
Saberíamos
mais se a vida não fosse tão mais simples do que apenas viver. A complexidade
por vezes nos pega desprevenidos, e o que antes jactamos poder escolher sermos
melhores do que quase tudo o que está por aí, determinado por questões quase
litigantes, está relacionado na forma de nos portar perante o outro, e usarmos
da segregação quase compulsória em nossos atos toma o vulto de uma ofensa da
qual não temos uma medida correta e, sem sombra de dúvida, inexata. Por essas e
outras, não escapamos de termos ações defensivas diante do mundo, quando algo
ameaça nosso modo de ser perante a idiossincrasia que declaramos de alguém ser idiotice
ou coisa similar... Quando se tinha uma ideia do que fazer quando a incompatibilidade
de sermos quem desejávamos ser, mesmo nas situações onde o que pressupúnhamos na
crença particular sobre algo ou alguém, a transcrição do que agregaria, em
outros tempos, é mais do que necessária para que se fundamente uma questão da isenção
da culpa quando efetivamente pensarmos na liberdade de crenças, opinião e modos
existenciais. Acontece que em outros tempos a permissividade em sabermos que o
cânone de uma estrutura religiosa, uma entidade como uma grande Igreja, será sempre
um baluarte da doutrina que porventura havemos por conhecer, posto a missão de
se evangelizar o outro, ou seja, divulgar a palavra do Senhor, é tarefa ou
condição sine qua non para eventualmente equacionarmos a questão da religação
com Deus e nossa tarefa enquanto fieis a determinada entidade, ou Igreja. Por
isso a Santa Missa é uma frequência que une a espiritualidade, amalgama a fé, e
cristaliza o poder dos sacramentos que a citada Igreja nos apresenta. O que
antes parecia uma virtual incompatibilidade de gênios se torna fecundamente a
forma mais consolidada de estarmos finalmente em comunhão com nossos acertos, e
devidamente encaminhados pelos caminhos do Cristo Rei, conforme os desígnios da
Eucaristia, que nada tem a ver com projetos, mas pode ser uma profissão de fé.
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