A
magnitude de nossa fé não é delimitada pelo fato de estarmos alheios das possibilidades em medir o que seja viável para estarmos em sincronia espiritual com uma fé divina. Simplesmente passamos por vibrações espirituais, por sacrifícios, por
etapas, por conclusões, racionais ou irracionais, mas vivemos a impressão de
que seremos, com um mínimo domínio teológico, mais aptos a fazermos crer em nós
mesmos a impressão de que estaremos controlando em nós mesmos certos substratos
de nosso eu com a compreensão de que, distante do muito ou do impossível que
pensamos não estar ao nosso alcance, dentro de nosso possível, Deus dá conta do
recado e nos coloca adiante de nós mesmos a vereda que antes não tínhamos
condições de trilhar, livre dos obstáculos do caminho, mas devemos ter
condições de prosseguir, sempre, na vereda, pois o ato de fé é de prática, pois
o Criador faz o impossível para que alcancemos nossos objetivos, mesmo sabendo
que nosso possível seja um severo sacrifício ante o cansaço, o trabalho, a
devoção e a determinação de prosseguirmos em Seu caminho. A função primeira de
nossa espiritualidade é seguirmos o passo Dele em torno de Seus mandamentos e a
tábua de nossa salvação é o que nos resguarda, nos tira de muitos perigos, nos
avisa, quando oramos por clamar Sua proteção, ou mesmo quando pedimos a Ele,
esse Poder Trino, a parte que nos cabe, em missão que fartamente nos dispõe a
Natureza de nossos atos diante do Altíssimo.
Sabendo-nos
sofredores em lugares onde por vezes nos sentimos mais tristes, quando estamos
aparentemente ilhados em meio a dissabores, agrilhoados por preocupações,
quando recebemos um ignorar tácito de alguém, o desencontro de uma mentalidade
hipócrita, ou mesmo estando em locais mais festivos e as tentações vêm a
roldão, tentemos o equilíbrio entre as coisas, entre os nossos conflitos
internos e nossas extroversões com relação ao meio que nos cerca, por vezes
sendo introvertidos publicamente e extrovertidos no recôndito de nossos lares.
Ao inverter papéis, estaremos mais felizes quando solitários, e taciturnos por
entre as gentes, e o que pode parecer um fato existencial pouco comum pode ser
a saída como estratégia onde passamos a comandar melhor nossa ação diante de um
mundo que nos espera o previsível, o comportamento repetitivo, ou mesmo o vício
que temos por algo que se nos pega irremediavelmente perante o nosso bem estar
psíquico, minando-o.
Passamos
por dias afoitos, querendo lutar por nos livrar do tabaco, e por vezes mal
sabemos que a nossa fé nos diria que Deus essencialmente nos quer livre dele, e
por mais que cruzemos por sinais divinais que nos digam o oposto, quem sabe
seja porque ainda não retiramos nossas ervas daninhas do nosso jardim, pois há
flores e frutos que querem apenas respirar um alento de vida... São Francisco
comungara das uvas com um frade que estava doente e debilitado, e este se
lembrara por sempre o dia em que passaram conversando sob uma videira,
simplesmente orando a Deus e o louvando. Os jardins desse santo eram repletos
de bem aventurança transcendental, e de conforto espiritual aos que deles desfrutavam.
Assim como fora um homem desapegado, que sofrera, renunciado dos prazeres
mundanos, São Francisco revelou ao mundo uma vida em que simplesmente que, onde
houvesse a dúvida, ele levaria a fé... Fez de seu caminho uma seara espiritual
reconstruindo igrejas, falando aos sofredores, irmanando com a Natureza e seus
seres, tornando o seu possível o impossível de Deus. Assim sendo, o possível
que realizamos, dentro de nossas limitações humanas, dentro de nossa fé, quando
a praticamos obrando na senda, Deus faz o impossível acontecer. Não fora por
isso, há dias em que precisamos refletir...
Nas
vertentes de um ocaso onde pensamos que estaríamos sem saída, onde nada do que
pensáramos daria certo, Jesus aparece como exemplo imortal, seu sofrimento nos
nubla nossa vida incerta, e pensamos nesse impossível revelado, tornando a fé e
sua razão algo que faz sentido em nossas vidas: subiu aos céus, reside ao lado
de Deus... Maria, sua mãe, fica na Terra, a Casa Comum, conforme a encíclica Laudato Sí de Francisco, o último Papa.
Maria, a mãe Gaya, e seu filho, Jesus Cristo, o unigênito, o Deus encarnado.
Saberíamos de nossa fé algo mais do que isso, quiçá, quem sabe o Budismo nos
traga luzes sobre Sidarta Gautama, o Buda, ou quem sabe Krsna resida no coração
da devoção, igualmente... Mas quando pensamos em Francisco, o santo, pensamos
em Jesus, onisciente, dentro do ser crístico que reside em nós, principalmente
no mundo Ocidental. Não importa a orientação, o Ser Maior concebemos diante das
possibilidade de nossa fé, dentro do que seja a crença que temos por um Deus
que perdoa, que leva a luz onde há trevas, e que leve a fé onde haja a dúvida.
Essa mesma fé que remove montanhas, que podem ser desde obstáculos
intransponíveis até corações transformados em pedra, que cristalizaram de tal
modo a insensibilidade que se tornam verdadeiros desfiladeiros de
desventurados, onde só um amor e perdão gigantes, e a fé pétrea as transformam
em tenras ervas de primavera... Jesus foi sacrificado por aqueles que não
compreenderam sua palavra, mas sua crucifixão estava escrita por sua própria
ressurreição, que até hoje faz com que um homem qualquer possa escrever sobre
isso com as palavras vivas da Verdade e da Luz. “A fé nos permite sorrir apesar
da dor, não desistir jamais, procurar e aceitar as vontades de Deus, superar as
aflições, combater o bom combate, dar um testemunho de vida coerente, não se
enganar com as ilusões do prazer fácil e, enfim, ter a lucidez que nos indicará
os melhores caminhos para a nossa evolução pessoal.” ("A Oração de São
Francisco", Anderson Cavalcante e Gabriel Perissé, Ed. Sextante).
Situando
nossa condição mais favoravelmente, não sentimos a dor daqueles que atravessam,
opressos, o oceano de suas angústias. Para estes a dita dor é motivo de se
querer uma superação necessária, e seguir trabalhando a obra posta no sacrifício,
sente-se por fim pelo menos nos signos que deixamos ao longo de um período
os resultados do poder de Deus sobre nossa obra e nós mesmos. O fenômeno da
salvação vira uma questão de tempo, e as mudanças em nossa vida passam a
acontecer antes do que esperávamos, na velha textura que deixamos ao vento,
para que a Natureza dos eventos do Cristo a toque, como em uma alquimia que
desse certo: o milagre em nossas vidas!
Desde que
passem os dias, as coisas podem se encaixar, o tempo é inexorável, as gerações
se sucedem, surgem governos, conflitos, pessoas se intoxicam e, enquanto isso,
somos meros instrumentos da paz do Senhor. Seguimos conversando conosco mesmos,
e isso não apazigua a muitos, mas no mínimo traduz-se em tomada de consciência
sobre muitos fatos que se nos ocorrem, justo, quando refletimos ou meditamos
sobre nossas vidas, dando um intervalo entre algo que acontecera antes e aquilo
que marcamos para um compromisso escalar, não como algo que nos faça mal, mas
justamente o que vem para equalizar e equilibrar o andamento de uma roda que
ainda fazemos girar mesmo com as dificuldades de encontrar a fé e a força
necessárias para tanto. A partir daí, por vezes quando já estamos exaustos,
Deus nos concede o que era impossível para nós, e obtemos Dele o empurrão para
que andemos com mais facilidade sobre a superfície que, antes nos parecesse
chumbo, vira um tapete de cristal imantado com energia para que naveguemos
sobre ele com a facilidade de verdadeiros seres humanos...
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