quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A LIMPEZA, NO SONHO REAL


              Apolo, o mítico Deus do sol greco-romano, em sua manifestação do dia, torna-se a presença que faz com que as gentes floresçam desse o alvorecer quanto no ocaso do mesmo e citado dia, desde sempre, desde que a Terra é a esfera que tão bem conhecemos. Saberíamos melhor da Mitologia, destarte, como se fazia há muito: vivendo o mito. Há coisas como o sol, que realmente merecem deuses, como nos mitos hinduístas temos Indra, o semideus do clima. E o sol é profilático, quase uma panaceia, não vivemos sem a sua luz, seu brilho, seu calor. Ele cicatriza feridas, desinfecciona e limpa, quando bem utilizado... Sua força é tamanha que rege todo o nosso sistema, e sem ele não haveria vida em nosso planeta. A sua simples presença é real motivo de determinação da Natureza em prosseguir dando continuidade em sua própria essência, apenas realizando fotossíntese, fixando minerais, e dando relevo à vida mesma, tal qual a entendemos, dentro dos nosso sentidos imperfeitos e limitados, inerentes à raça humana. Essa determinação não depende de nossos sentidos jamais, mas das ações que impetramos com eles, na real dimensão ou latitude do que por vezes estaremos fazendo com relação ao meio ambiente, dentro das possibilidades lógicas humanas, mas sempre tendo consciência de que estaremos mais falhos ao pensar que tudo poderíamos fazer se tivéssemos um poder que cogitamos ser possível, mas na realidade é por vezes apenas fruto da história, ou especulação fruitiva dos mesmos sentidos, no território nada pleno do improvável, dentro das pressuposições do absurdo, muitas vezes, posto apenas agora se está tornando urgente e praticável a energia solar, tão largamente utilizável em painéis e em outros mananciais, afora o citado sol, que a Natureza dispõe fartamente para que não dependamos exclusivamente da energia proveniente dos combustíveis fósseis. Frente a essa nova realidade, flui um sentido mítico, espiritual, paralelamente, no sentido de estarmos querendo sair de poluições internas, de um sentido pleno e existencial de pureza interior, de sairmos das drogas e da influência do álcool, por exemplo, e isso é recorrente na Natureza da consciência planetária, pois, mormente enquanto buscamos nossos erros no passado, as coisas não vão muito bem no presente, e as projeções nesse campo para o futuro são impactantes, conforme dados estatísticos da área da saúde mental e etc.

              Vivemos, pois, como em um sonho, na realidade de nosso mundo: esse feixe imanente de elétrons que perpassa e sangra através dos cabos e satélites, perfazendo uma ilusão tamanha que não temos sequer a dimensão exata de seus formatos. Tudo o que pensáramos academicamente, por vezes muitas referências teóricas, jazem por terra, a vermos que novas palavras hão de surgir para amanhecer um novo pensamento na era conturbada em que vivemos agora, e o que antes era uma aldeia digital, vira uma choupana de alvenaria digital, ou uma célula que pense, frente e milhões de autômatos que não possuem sequer a chance de pensar, pois têm que cumprir jornadas de trabalho exaustivas e não possuem mais o tempo de equalização e equilíbrio do descanso necessário, no mais das vezes se utilizando de drogas como a marijuana para pensar que está em uma boa, mas na verdade é mais um bando de alienados no aprisco.

              No seio dessa ilusão, que podemos mitificar chamando-a de Maya, a questão não é saber da Natureza de sua existência, mas de que ela interessa fartamente ao sistema, pois é justamente aquilo que infere as modalidades de consumo, e a alienação – já supracitada – de um indivíduo ou de uma coletividade, na indústria cultural de chumbo, ou seja, aquela que pesa mais diante do fato de que mesmo que tenhamos pão e circo, saberemos mais tarde que para a maior parte das pessoas falta o pão e o circo, mais o circo, o espetáculo, pois o sexo é farto na miséria, e se especula que muitos não o façam não por exigências dos sistemas, mas por que a noção extremamente ilusória de que sexo e libertação são irmãos gêmeos e univitelinos justamente se antepõe na tese dialética de que sexo e liberalidade nesse campo nem sempre significam liberdade, apenas na conotação de décadas passadas, onde havia ao menos um pouquinho de afeto, e não no modo onde hoje se vulgarizou tanto o ato, que se repete no quinhão de se refletir numa dose a mais, e de se vulgarizar a performance, como se o ser humano fosse uma máquina ou um androide, onde por mais que se possa pensar a respeito, já se toma a dianteira para se fabricar bonecos “à altura...” Não que seja uma crítica ao capitalismo, mas a "ausência" no capitalismo ultraliberal que se vê nos dias atuais permite a que vejamos que apenas no clima de solidariedade social é que podemos vislumbrar alguma ética ou romantismo de vanguarda.

              Essa questão de colocar frentes libertárias como modalidades do alterno, como histórias passadistas, ou como exemplos dos que ficaram à mercê da história, como combatentes que feneceram em combate, ou pretensos revolucionários “de alcova” só desfazem o mito do herói e de que sejamos os próceres do amanhã, enumerando os dias em que estaríamos mais sóbrios, pois será apenas com uma limpeza realmente espiritual e consonante com todos os membros que se disponham a isso, independente das escolhas políticas ou de ideário, é que estaremos nos preparando para uma nova etapa em nos tornarmos mais independentes, inclusive nas possibilidades de podermos ter ideias mais coerentes com relação a maturidade ou não de nossos propósitos existenciais mais íntimos. Portanto, apenas uma revolução nos costumes que agregue mais espiritualidade e limpeza das drogas e álcool excessivos que acomete não apenas uma classe trabalhadora quase por inteiro, mas igualmente um panorama de gestão e inovação mais íntegros no cenário da pátria mesma do trabalho, é que poderemos partir para se ter – de fato – um cenário mais alentador para que se recrie novos paradigmas de uma democracia verdadeiramente igualitária para um tão sofrido povo de nossa nação como um todo.

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