segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

AS ESTRUTURAS DO QUE É


              Não nos dispusemos a saber onde colocamos os alicerces de nós mesmos, ou onde fundeamos a âncora que silencia o navegar do navio, essa estranha nave que estrutura a navegação possível dentro do que imaginamos sermos até mesmo uma tripulação quiçá inquieta dentro daquilo que supomos provável. Onde edificaremos sobre alicerces que não encontramos em nossos tecidos cerebrais? São apenas a estrutura do que é, nada mais do que isso, e jamais encontraremos outras que deem sustentação a outros e mais outros e mais outros, que vêm pelas veredas para encontrar tijolos, areia, brita e ferros...

              O que queremos de nós mesmos, senão a morada, o edifício, ou será que as ruas demandariam que comprássemos um bom lote para fundear a âncora de um bom empreendimento? Há diversas estruturas, companheiros, na esfera da Terra, e muitas são tão silenciosas quanto efetivas, muitas são mais do que poderosas, e outras sequer sabemos, não por serem quase residuais, mas por serem substrato de sistemas que sequer cogitamos existirem, no fator humano, no fator autômato do funcionamento.

              Existem as estruturas que funcionam com base em lubrificantes vários, como substâncias que as movem, não apenas seus motores, mas verdadeiras máquinas humanas, com suas idiossincrasias químicas, seus estímulos no sistema nervoso central, suas horas de descanso com outras substância, já de fumaças, gente que pega no batente, que não faz parte dessas estruturas mas delas dependem, e agregações várias que demandam por vezes verdadeiras e sólidas atenções psicossociais. Há ausências de encapsulamentos amorosos de fato, mas o que se predizia é que isso não fosse absolutamente necessário, tornar a vida de muitos um feixe de estímulos e respostas, quando na realidade nem toda a estrutura valida a si mesma mecanizando o ato afetivo, ou tornando a vida das pessoas um código numérico a ser cumprido conforme performances ou determinações de contornos mecanicistas, conforme já citado anteriormente.

              Estruturas por vezes respiram de modo independente, mesmo quando sabemos que alguns fundadores não previram o fator humano como algo que subverte-as desde a sua formação inicial. Nas estruturas onde o capital é mola mestra, a equação econômica é simples, e o exército industrial de reserva, mesmo quando minorado, é uma das condições de sobrevivência administrativa da empresa, ou das empresas em questão, mesmo que limitações exponenciais das relações oferta-trabalhador venham a dar com coisas que fujam ao controle de se obter mão de obra qualificada para algumas empreitadas mais complexas, que demandem humanismo e altruísmo por parte do funcionário.

              Quanto às estruturas de serviço voluntário, estas demandam que mais e mais pessoas criem soluções compatíveis com a participação em serviços que sejam conformes com as atitudes que as levaram até esse tipo de atuação, esse tipo de ato de comiseração, geralmente em grupos de recuperação, posto será nesses grupos onde encontraram o apoio necessário que na realidade permanecerão atuantes nessa questão de fornecer um trabalho gratuito quase em retribuição ao que antecipadamente se prescreveria o serviço como um tipo de tripé organizacional desse grupamento. Um exemplo claro disso são os AA (Alcoólicos Anônimos), onde o tripé é a Recuperação, a Unidade e o Serviço. A ordem desses requisitos não importa, o que importa é a estrutura imbricada nessa questão. A relação dos servidores que mantém salas abertas para que se componha a recuperação de um grupo, no escopo individual, e dentro de uma consciência coletiva, perfaz igualmente e necessidade de se manter a Unidade do Grupo, e isso se chama uma estrutura onde o Poder não Governa, e onde os servidores prestam seu serviço durante aquele tempo determinado, em uma relação estrutural harmônica entre seus membros, como um exemplo cabal de um grupo efetivamente com boas intenções no sentido de alicerçar ou ajudar a montar bons alicerces existenciais em cada membro do grupo, na sua própria realidade, no consentimento de se evitar o álcool ou outros vícios por apenas vinte e quatro horas, e não se preocupar com o que foi feito no passado, e não pensar no futuro como compromisso de recuperação, mas apenas no hoje como meta maior a ser cumprida, por uma questão de se manter ausente do álcool por 24 horas...

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