A não
ação, a não luta, há diversas formas de se mostrar resiliente, posto quando a
águia voa ela deforma seu corpo, e depois volta ao seu corpo original, isso é o
exemplo mais clássico de resiliência: ela – a ave – está agindo conforme sua
Natureza, sua natureza de predador, faz parte de seu ser, e a luta contra as
dependências como um todo faz parte da essência de quem quer se libertar. Pode
se lutar para tentar eliminar a ansiedade, pode-se praticar o tai chi chuán, a
capoeira, algum outro tipo de luta, pode-se estar organizando uma casa para não
estar em depressão, mas intrinsecamente contesta-se muitas vezes a luta de per
si, por não ser a mais adequada, mas quiçá seja necessária a luta, sempre...
A
partir do momento em que você fala sobre uma dependência, um vício, uma
codependência afetiva, você vai estar explanando algo a si mesmo, vai estar versando
sobre um problema que pode ser mais ou menos grave, mas será algo que muitas
vezes brota das vísceras, do coração, de um sentimento forte, de uma pulsão de
morte. Você sabe que a tendência é que aquilo acabará por matá-lo, mas insiste
em consumir, como um recurso onde uma força diabólica o impele a que cometa o
desatino em morrer consumindo a droga, ou estando com alguém que o assassinará ou
será responsável por sua prisão, no seu tempo previsto, quando você está no
crime, ou algo que o valha. Enquanto não se recalcar esses pensamentos, enquanto
você não negar que aquele cigarro, aquele cilindro de nicotina pode desencadear
todo um processo de torná-lo dependente por mais décadas a fio, sua consciência
o estará impelindo a que se permita o citado instinto de morte... E isso é
válido para quase tudo o que é cilada no mundo contemporâneo, pois a passagem
da lucidez à loucura é tão tênue quanto fumar um cigarro de maconha com k9, por
vezes, ou mesmo um dos simples, para quem toma medicações fortes de Natureza
psiquiátrica.
Muitos
que possuem a depressão, usam substâncias como a cocaína para sair do torpor que
a suposta doença lhes impõe, ou mesmo a maconha, como fuga da realidade ou
mesmo supostamente a prédica de não ser careta e pertencer a um grupo, de se
socializar, ou de ter a doença propriamente medicada, justamente com mais e
mais mesclas de drogas com medicamentos. Nesses casos específicos, o que pesa
não é a saúde física, não é um enfisema pulmonar que estará em jogo, mas a saúde
mental, um caso particular, porquanto universal em si mesmo, de tantas as
propriedades, de tanta tipificação e complexidade, configurando um panorama
provável de emergirem futuras psicoses e coisas afins. Não é bem lógico
combater medicamentos com estupefacientes, posto o mais correto é partir para a
produção intelectual, para projetos, para a arte, a poesia, a filosofia, ou a
ciência como um todo, mesmo para que o médico psiquiatra veja o esforço do
paciente e, se este estiver com defasagens cognitivas no aprendizado, que possa
se valer de calibrar melhor as dosagens para equilibrar os níveis da saúde
mental de seu enfermo. Pelo menos é assim que se espera fossem as prerrogativas
dessa área da medicina, por demandas do esforço do paciente, e sua paulatina
adaptação progressiva ao trabalho, aos estudos e ao inaudito padrão de conduta
diante de medicamentos e intervenções clínicas, quando fora dos hospitais. Esse
é quiçá um dos melhores modos de se tornar independente das químicas relativas
às drogas lícitas, como o álcool e o tabaco, e às ilícitas como tantas outras,
algumas já citadas acima.
O
exercício continuado de se evitar substâncias como o tabaco, quando já deixamos
o álcool em segundo plano, sempre frequentando grupos de recuperação alcoólica,
no entanto, para mantermos níveis de sobriedade emocional seguros, é tarefa
paulatina, que requer esforços redobrados a nível de consciência e manejo
emocional diuturno diante das tentações que por vezes certos ruídos
existenciais nos colocam à prova, em determinadas circunstâncias de nossas
vidas. Mudar certos ares quando estes podem ser mudados, estar em consonância
com um Poder Superior a nós mesmos e crer que Deus estará presente em dadas
condições melhores ou piores em nossas vidas, não é sermos céticos na aparência
da ilusão como esta se apresenta, mas sermos capazes de discernir a diferença
exata entre o que é ou o que não é ilusão, mesmo que a nossa fé atravesse
palmos adiante aos mais incrédulos, ainda que tementes ao Criador.
Todo o
cenário do mundo muda se palmilharmos atentamente os caminhos que nos levam a
uma redenção e a uma fé pétrea em algo maior do que nós mesmos, pois a
espiritualidade e a religião nos religam com o sagrado, do modo como o
entenderemos a partir da nossa vivência mais íntima com Ele. Esse enigma que recorrentemente nada aparente a muitos, é bom saber, é um dos mistérios que devemos saber
do muito a que teremos que praticar para tornarmo-nos capazes de termos um despertar
espiritual a cada passo que damos em direção a uma vida plena, independente e
mais feliz, em desapego com as químicas e drogas que nos escravizam. Resta
sabermos das dianteiras da medicina psiquiátrica e de outras áreas, e que toda
a medicação da qual se utiliza, em sua maior parte é recorrentemente correta,
pois muitos pacientes irão fazer parte do uso perpétuo de fármacos, pois por
vezes suas enfermidades são já crônicas, mas o único óbice que impede por vezes
de ter acesso aos medicamentos são os problemas financeiros de certas famílias
e as crises de ordem interna de cada nação no mundo. A saúde de qualidade, bem
como igualmente a educação de qualidade devem ser um bem público, e se o único
caminho para que aconteçam essas oportunidades de se viver plenamente diante
desse escopo, bem como saneamento – que está incluído na saúde – oportunidades de
trabalho, moradia, em síntese, uma sociedade que disponha do essencial para a
vida de sua população, repetindo, se o único caminho para se obter esses
benefícios for em avanços estruturais no plano social, todas as reformas
estruturais devem ser feitas para se atingir esses objetivos, pois não adianta
termos saúde de qualidade para uma parcela ínfima da população, ou palácios
montados nas cidades, em detrimento de comunidades miseráveis residindo ao lado,
como se o sistema assim aceitasse sem colocar a devida proporção do que seja
algo intransponível para um país, mas apenas o justo socialmente para toda a sua população.
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