quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

PARCERIAS ILUSÓRIAS


              Apenas teremos nossos tempos conosco, o tempo de estarmos sozinhos, sem necessariamente precisarmos da aprovação, mesmo porque o que antes poderia parecer uma relação filial ou conjugal, nada se houvera construído nesse sentido, o que vogasse na paternidade a ausência, o que se absorvesse na forma da esposa, a falta... No que projetamos ser algo, o tempo já nos dite que jamais houve algo, e esse ausentar-se do possível roga que tenhamos o aspecto de uma independência afetiva que aprendemos a prosseguir no adiante de nossos pensamentos, no andamento do possível, sem estarmos afeitos a consecução do que pensavam sobre nós: os outros do improvável.

              Aquilo de se pensar construir sobre os alicerces de um rochedo imóvel sobre a terra, mediante um pensar que atravesse mundos, mesmo que não ofereça ruidosamente respaldos imediatos, é apenas um ponto de equilíbrio pesado diuturnamente, uma rigorosa medida de vermos silenciosamente o que importaria sobre nossos ombros, desfazendo alegorias mediante a renúncia à aprovação de terceiros, e o apego ao nosso próprio constructo interno. Teremos, à medida que o tempo passa, o famoso isolamento, o descarte do olhar, o desrespeito dos tolos, o provecto ato social de não se respeitar aqueles que pensam de modo mais puro, formalmente, genuinamente, um isolamento onde a ilha passa a ser ampla, e o mar, revoltado, vira águas de tempestades sobre rochedos imóveis e crus. A busca interior passa pelo crivo de erguermos uma estrutura sólida, com a possibilidade de sermos melhores a todo o tempo, mas melhores diante de nosso próprio olhar, e piores diante de uma opinião que é alheia ao que se passa dentro de seus parcos universos, pois a juventude não tem sequer o tempo de olhar para si, ou de permanecer consigo alguns segundos, que seja. O sal vem dos tempos, e será no tempo espiritual que verteremos mais dele diante do nosso próprio crescimento, um tempo que encontramos na ordem que acabamos por fazer valer diante dos objetos de nossas conquistas, seja na ordem de uma bagunça, seja em um parágrafo estudado de Hegel ou Jung. Ou mesmo em uma linha reflexiva que urdimos mediante um pensamento expresso.

              As parcerias ilusórias não são apenas onde o ego d@ parceir@ se sobrepõe acima de tudo e todos, mas justamente quando dependemos de alguma aprovação, e o serviço não necessite que nos aprofundemos mais em questões de mandar recados ou mensagens para gentes que sequer sabe onde reside seu citado ego, senão em personas de liderança incompatíveis com o que se requeira realmente servir para algo não propriamente no sentido de angariar a popularidade cabal para ser quase santificad@, mas justamente não eximir do trabalho que sejamos mais aptos a não precisar da egrégora para existir... Não somos tão sutis assim, e nem toda a energia chega onde não for requisitada, pois para sermos mais efetivos enquanto seres humanos um não irá querer depender de forças que a ele sequer foram enunciadas. Mais não fosse, o que existe de fato é um sem par de coexistências hiperbólicas e hipócritas, que exercem formas de poder que não transcendem tanto o existir, mas que tentam intentar obviedades presentes na fantasia. Basta-se um sonoro não, que não queiramos fazer parte de um grupo mãe, ou algo que remonte coisa parecida, mas que na realidade vamos participar de nossa própria ágora, agora a céu aberto, não em centros ou mausoléus encapsulados de códigos ou segredos alternos.

              Sair para que, se de dentro de casa temos a literatura, e demanda que nem propriamente citemos qual a Natureza dela, se lemos Hegel ou Jung, ou presenteamos um livro sobre liderança de um italiano, aliás exímio escritor da área, para uma representante de estudos, onde sequer sabe de onde vem a ciência do líder, enquanto serve na mesa de um café um político que faz das suas para reinventar um arcabouço corrupto para enriquecer milionários da construção civil, em um Estado da Federação onde sequer ad populum foi gerado com competência... Dias virão com estaturas morais sem conta, e cicatrizes anteriores já foram tratadas com linearidade e panaceias equivalentes... A conformação dessa diretriz é apenas para reiterar que há que se dispensar parcerias ilusórias, posto senão ficaria uma nódoa aparentemente sem sentido, e um serviço onde dependemos da opinião dos desprovidos de uma pureza de caráter real, não faz sentido, a não ser operativamente, quando nos dispomos a fazer funcionar certas máquinas, mas se for dispensável, também o será efetivamente em qualquer grupamento, que o seja...

              A não validação das parcerias ilusórias nos coloca em posição privilegiada, porquanto não seríamos nós mesmos os responsáveis a que os carros andassem em nossos locais de origem, quando precisarem de nós – de fato – para algo que tenha necessidade de nossa participação inequívoca. Até lá, seremos os cavaleiros e as damas consonantes a sermos os mesmos, pois o mundo sói reencontrar a humanidade onde nos encontrou, e onde um aprendeu como envelhecer saudavelmente, outros o podem fazê-lo, sem a necessidade de anunciar aos quatro ventos que estão ou como estão preenchendo seus tempos e afetos com a anuidade de outros, ou com a conformação da opinião alheia na medida em que se encontrem, cada qual, no processo de caminhada, sem tirar nem pôr, sem a medida de se ter ou se ser equidistante de um andamento mais sólido, se tem fincado suas raízes profundamente para o ocaso de suas vidas, ou se solitariamente ficarão desconformes, com a citada ordem das coisas que aos poucos avassala sentimentos, ou os faz ficar mais fortes, mesmo que se passe o algo relapso tempo sobre nossas vidas: esse tempo que nos dirá que ou estaremos diante de um mapeamento de afazeres, ou em paz conosco mesmos, diante do mundo que se nos apresente e de nós mesmos, essencialmente dizendo...

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