Não há
como devanear muito, mas estamos afeitos a glórias, a fracassos, a moléstias, a
quesitos materiais, na verdade, e haverá algo maior do que nós mesmos no
Universo, um Eu Superior a nós mesmos, que rege tudo e todos, e que porventura
alguma crença ou outra deposite Nele, sempre o mesmo, designações as mais
várias, sob o signo de que seríamos algo além de nós mesmos, quiçá o homem
ainda encontre dentro de si essas designações, essas crenças que ao olhar da
ciência de Jung seriam os arquétipos coletivos, mas ao olhar de um crente pode
ser Deus, ou uma tradução inequívoca que alguns acreditem até na matéria, mas o
poder da crença, de voar através dela, é inerente ao ser humano. Jung mesmo
depositava grande estima pela espiritualidade, e acreditava no Poder sobre
humano da fé e da religião, não exatamente como dogma, mas algo que nos “religaria”
ao divino.
Seria o
Eu algo que nem o cérebro humano transcreveria para o ser, algo que venha do
espírito, algo que sequer a neurologia poderia explicar, quiçá aquele espírito
indescritível, enquanto não se poderia provar, não uma projeção mental, mas um
cerne que estaria disposto no Cosmos, igualmente, como rebatimento não apenas
percebível, mas fruto de nossos níveis de consciência? Os estudos recentes da
neuro-espiritualidade como forma de explicar coisas intangíveis talvez não seja
tão importante para a medicina, pois esta se forma a partir do algo concreto, e
não há porque explicar cientificamente as coisas espirituais. Cada ser é como
é, apenas isto, e não generalizar como método a espiritualidade, explicá-la, dissecá-la,
vem a dar nos costados em que a ciência quer agora talvez abraçar o próprio
universo com braços exangues e pífios, pois o homem sequer pode compreender a
si mesmo, haja vista sequer usar de toda a sua massa encefálica.
Os
estudos de Jung, no entanto, principalmente em seus textos sobre a alquimia,
demonstram a busca da sabedoria pela luz, a individuação e o contexto místico
sobre o universo humano, sendo a simbologia dos mitos e arquétipos aquilo que
sempre fará a diferença no ser, porquanto não há como dissuadir muito de seu
arcabouço teórico, pois não há passagens para o infinito, e o que temos na
Terra são inúmeras culturas a que algumas sequer ainda as conhecemos. Deveremos
começara a ver como esse médico olhou: a demência precoce, ou esquizofrenia,
como palco de estudos, e muitos se perguntam se Jung foi aluno de Freud, mas
quando eles se conheceram, em 1907, Jung já era médico formado e estava
trabalhando em hospitais da Suíça, tiveram profundas ligações intelectuais, mas
depois se separaram por incompatibilidades acadêmicas, apenas isso. Jung trata da
não separação ente consciente e inconsciente, vê a totalidade do eu, ou o chamado
“self”, como uma união harmônica entre esses dois estados do ser, e vai além
quando prevê e prova que existe uma gama de símbolos ou arquétipos que fazem
parte de um inconsciente coletivo, que pertence a qualquer cultura, e que vai
ser determinante no processo de individuação do citado ser humano, em
conformidade com seus sonhos, seus modos de estar inserido em um contexto
existencial e até mesmo no comportamento e atos perante a vida e o mundo. A
distinção basilar é que Jung vê a espiritualidade e a transcendência como elementos
chave para que mesmo os doentes crônicos e severamente acometidos por graves
psicoses, possam estar inseridos dentro das suas realidades anímicas, do seu “vir-a-ser”
do “aqui” e do “agora”.
Hoje,
com a psiquiatria medicamentosa e convencional, a terapia jungiana dá o suporte
necessário e finca as bandeiras para uma recuperação e reconstrução do eu
profundo do ser humano, mas saibamos que por vezes será na crença incondicional
que existe algo além do nosso próprio ser, que a crença em um Eu exterior a nós
mesmos, mas que faz parte do nosso universo perceptivo, que os enfermos mais gravemente
acometidos possam inclusive largar vícios tremendos, como as drogas, o álcool e
o tabagismo, igualmente drogas que nos afetam, se tiverem a fé nesse Eu
Supremo, que nada mais é do que Deus, assim como o Salvador nos indicou. Nessa
mesma questão, esse Poder diamantino leva adiante, através de processos
alternativos de terapias suplementares, meios que podem nos encaminhar para caminhos
mais tácitos de recuperação paulatina, se seguirmos em frente com esse
repertório que havemos de encontrar em cada passo de nossas jornadas espirituais
sobre o mundo.
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