sábado, 10 de janeiro de 2026

O EU SUPREMO


                Não há como devanear muito, mas estamos afeitos a glórias, a fracassos, a moléstias, a quesitos materiais, na verdade, e haverá algo maior do que nós mesmos no Universo, um Eu Superior a nós mesmos, que rege tudo e todos, e que porventura alguma crença ou outra deposite Nele, sempre o mesmo, designações as mais várias, sob o signo de que seríamos algo além de nós mesmos, quiçá o homem ainda encontre dentro de si essas designações, essas crenças que ao olhar da ciência de Jung seriam os arquétipos coletivos, mas ao olhar de um crente pode ser Deus, ou uma tradução inequívoca que alguns acreditem até na matéria, mas o poder da crença, de voar através dela, é inerente ao ser humano. Jung mesmo depositava grande estima pela espiritualidade, e acreditava no Poder sobre humano da fé e da religião, não exatamente como dogma, mas algo que nos “religaria” ao divino.

                Seria o Eu algo que nem o cérebro humano transcreveria para o ser, algo que venha do espírito, algo que sequer a neurologia poderia explicar, quiçá aquele espírito indescritível, enquanto não se poderia provar, não uma projeção mental, mas um cerne que estaria disposto no Cosmos, igualmente, como rebatimento não apenas percebível, mas fruto de nossos níveis de consciência? Os estudos recentes da neuro-espiritualidade como forma de explicar coisas intangíveis talvez não seja tão importante para a medicina, pois esta se forma a partir do algo concreto, e não há porque explicar cientificamente as coisas espirituais. Cada ser é como é, apenas isto, e não generalizar como método a espiritualidade, explicá-la, dissecá-la, vem a dar nos costados em que a ciência quer agora talvez abraçar o próprio universo com braços exangues e pífios, pois o homem sequer pode compreender a si mesmo, haja vista sequer usar de toda a sua massa encefálica.

                Os estudos de Jung, no entanto, principalmente em seus textos sobre a alquimia, demonstram a busca da sabedoria pela luz, a individuação e o contexto místico sobre o universo humano, sendo a simbologia dos mitos e arquétipos aquilo que sempre fará a diferença no ser, porquanto não há como dissuadir muito de seu arcabouço teórico, pois não há passagens para o infinito, e o que temos na Terra são inúmeras culturas a que algumas sequer ainda as conhecemos. Deveremos começara a ver como esse médico olhou: a demência precoce, ou esquizofrenia, como palco de estudos, e muitos se perguntam se Jung foi aluno de Freud, mas quando eles se conheceram, em 1907, Jung já era médico formado e estava trabalhando em hospitais da Suíça, tiveram profundas ligações intelectuais, mas depois se separaram por incompatibilidades acadêmicas, apenas isso. Jung trata da não separação ente consciente e inconsciente, vê a totalidade do eu, ou o chamado “self”, como uma união harmônica entre esses dois estados do ser, e vai além quando prevê e prova que existe uma gama de símbolos ou arquétipos que fazem parte de um inconsciente coletivo, que pertence a qualquer cultura, e que vai ser determinante no processo de individuação do citado ser humano, em conformidade com seus sonhos, seus modos de estar inserido em um contexto existencial e até mesmo no comportamento e atos perante a vida e o mundo. A distinção basilar é que Jung vê a espiritualidade e a transcendência como elementos chave para que mesmo os doentes crônicos e severamente acometidos por graves psicoses, possam estar inseridos dentro das suas realidades anímicas, do seu “vir-a-ser” do “aqui” e do “agora”.

                Hoje, com a psiquiatria medicamentosa e convencional, a terapia jungiana dá o suporte necessário e finca as bandeiras para uma recuperação e reconstrução do eu profundo do ser humano, mas saibamos que por vezes será na crença incondicional que existe algo além do nosso próprio ser, que a crença em um Eu exterior a nós mesmos, mas que faz parte do nosso universo perceptivo, que os enfermos mais gravemente acometidos possam inclusive largar vícios tremendos, como as drogas, o álcool e o tabagismo, igualmente drogas que nos afetam, se tiverem a fé nesse Eu Supremo, que nada mais é do que Deus, assim como o Salvador nos indicou. Nessa mesma questão, esse Poder diamantino leva adiante, através de processos alternativos de terapias suplementares, meios que podem nos encaminhar para caminhos mais tácitos de recuperação paulatina, se seguirmos em frente com esse repertório que havemos de encontrar em cada passo de nossas jornadas espirituais sobre o mundo.

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