A dialética
na história tomou forma de método em que se dispôs como lógica universal do
real com Hegel.
Desde Heráclito, ela já existia
na Grécia, quando ele via na Natureza que esta seria contraditória, por exemplo,
que um homem jamais poderia repetir a ação de tomar um banho em um rio, pois a
água passa e nunca é a mesma, e o próprio homem muda dialeticamente. A isso,
ainda entre os gregos, opôs-se Parmênides de Eleia, que afirmava nada mudar em
essência, e que tanto a água do rio era a mesma, assim como o homem e que tudo
não passava de ilusão dos sentidos. Depois, com Sócrates e Platão, ela surge
como técnica de diálogo e acesso às ideias, com Sócrates através da indução das
respostas, e da ironia, com Platão afirmava que no mundo das sensações tudo muda
mas no mundo das ideias tudo é imutável, porquanto seria como tivéssemos descido
para um mundo sensível, onde apenas os filósofos ainda se lembrassem do outro
lugar, o mundo de seu idealismo. Aristóteles, através de métodos
argumentativos. Kant, bem mais tarde, esboçou uma teoria da dialética
transcendental como algo que seria um óbice à razão, como uma limitação. Afora
antes, Descartes, que não via a dialética, senão a razão como um meio viável.
Mas efetivamente, vai ser no domínio de Hegel que a dialética assume um papel
de lógica irrefutável, que muda e revoluciona toda a questão da citada questão
como até então vinha sendo abordada em torno dos séculos precedentes,
culminando na inversão que mais tarde Marx fará, notadamente fazendo do
idealismo espiritual de Hegel sua interpretação materialista histórica, tentando
mudar as estruturas da sociedade, contrapondo-se ao idealismo de Hegel e seu
misticismo, onde o plano do espírito, ou das ideias, seria a conformação da
estrutura da consciência, a cultura, as outras questões sociais, ele planeja um
mundo de um saber absoluto em seu “Fenomenologia do Espírito”. Já Marx, cria
uma base econômica e material, uma infraestrutura material que origina as
relações de trabalho, os meios de produção, meio que na realidade é um ponto
sensível relacionar com a própria superestrutura, que seriam as leis, as instituições,
a religião, a cultura, que dariam esteio à manutenção da infraestrutura de
Marx. Nota-se a complexidade desse embate, pois ao mesmo tempo em que em
essência Hegel chega a um aprofundado estudo da lógica, na Doutrina do Ser, e
na Doutrina da Essência, Marx chega a questionar se a questão das coisas
materiais, os meios de produção, a exploração da Natureza como matéria-prima, a
mais valia, enquanto ganho obtido na exploração da força de trabalho como mercadoria,
regeria a parte da sociedade onde a economia não fosse essencialmente tão importante,
o que seria determinante, se o idealista Hegel e suas abordagens do espírito
enquanto ideal, enquanto conceito e evolução do ser, do imanente ser, do que se
suprassumisse enquanto a própria
conceituação do capitalismo, ou que a leitura de Marx invertesse e superasse o
mestre e sua lógica exata, que tanto lhe ajudou na doutrina...
São áridos esses caminhos, mas a
filosofia de Hegel subentende mais ao espírito, o nível da dialética da
consciência, sua evolução espiritual, o espírito enquanto consciência, e a
necessidade de Deus na consecução da obra, sem dúvida... A leitura de Hegel é
como um facho, um archote de conhecimento que perfaz sem dúvida uma seara clara
de um entendimento aprofundado da cultura, do ser e seus canais perceptivos, da
tomada da consciência e da alteridade que desenvolvemos com nossos queridos irmãos,
não fora por isso talvez Lacan não houvesse criado um grupo de estudos da “Fenomenologia
do Espírito” para compreender melhor a essência do universo humano, tal a
grandiosidade da obra...
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