Não
precisamos ser especialistas em literatura para escrevermos nossas histórias,
ou mesmo sabermos ler ou mesmo escrever, pois a simples fala escreve, de uma
forma ou de outra, quando imprime os sinais diante do tempo e de quem escuta,
mesmo a nós mesmos, de onde somos e para onde vamos, quem somos como seres
humanos e quais são os nossos propósitos ou os nossos atos diante da
existência. A neurolinguística, sendo subliminar na essência, não rege o
propósito de dizer com sinceridade, pois este sentimento é maior mesmo do que a
ciência qualquer, pois fala uma linguagem que vem do coração... É da alma que
tratamos aqui, não da lógica ou do verbo em si, ou das conexões linguísticas e
suas interpretações ou assertividades motivacionais, pois nem tudo é mecânico,
regra ou norma, mesmo que saibamos que somos regrados por leis na sociedade, e
que tudo o que fazemos há de respeitar os espaços dos outros enquanto seres que
coabitam o nosso mesmo patrimônio, que é o escopo social. Pontuaremos sempre
novas frentes de conhecimento se pararmos com os vícios de que tal ou qual
ciência, que tal ou qual cacoete de saber pretensamente adquirido faça parte de
nosso eu, quando mais não sabemos exatamente onde colocamos um lápis na noite anterior,
se vamos usá-lo mais vezes, ou se lavamos a louça do almoço, no dever de cada
dia, ou se tomamos o nosso leite ao quebrarmos o jejum, antes de especular a
nós mesmos que na noite anterior déssemos um espetáculo à parte.
Escreveremos
ou soletraremos páginas inquietas por vezes, páginas de dor, páginas de
alegria, de ressentires, conforme um estatuto estaremos recriando muitas vezes
algumas normas procedurais, algumas regras, faremos leis, compilaremos versos,
comporemos músicas, ou mesmo abraçaremos um irmão, fraternamente, o que fará
parte de um capítulo importante de um livro que deixamos fechado na nossa
lembrança por muito tempo, com uma abertura por vezes rara e que porventura faz
parte intrínseca de nossos papéis defronte da grande aventura da arte da
literatura da vida. Outrossim, esta forma de nos encontrarmos com um destino
mais feliz, por sabermo-nos que não somos proprietários sequer de nosso
sofrimento, pois disso Deus estará igualmente senciente, conforme as predições
das conjunções escriturais sagradas. Sói sabermos que nas searas de elaborarmos
o texto sobre nós mesmos temos que viver cada parágrafo, cada linha, cada
vírgula, letra, palavra, ponto. Mas, como em uma história muitas vezes
visceral, nossos sentimentos mais singelos transformam-se por vezes em
tempestades, e em outras um trovão pode se tornar mais terno do que um jasmim.
A luz ilumina nossa treva, e a treva da noite nos acalenta em nosso sono...
Tudo se torna um contraponto, e Bach se revela na sua tessitura, mesmo àqueles
que não se permitiam sequer escutar uma música barroca, pela proximidade apenas
da gaita-ponto. Essa é a maravilhosa experiência em vivermos, e observarmos
nossos ires e vires, sairmos das nossas cascas de ovo, revela a nós mesmos a vastidão
não apenas da palavra proferida por seres como o Cristo ou Buda, como Krsna, ou
Alá, mas não importa, seremos ausentes ou não de nós mesmos, escreveremos
nossos passeios, desditas e infortúnios, pois tudo faz parte da passagem que estamos
vivendo neste mundo.
A luz
se fez em Gênesis, e a Criação igualmente se fez nos Vedas, supondo que, apesar de sermos
um entre bilhões de seres humanos, seremos um espelhamento de níveis de
consciência que por vezes galgamos, sempre de forma dinâmica, nesta grande e
suprema dialética da Natureza, que é a eterna consorte de Govinda: Deus, assim
como quem vos escreve concebe. Não importa a identificação da crença, o
importante é sabermos que, portadores de uma impressão sobre tudo ou aquilo que
nos faça um sentido mais pleno, somos instrumentos, e que o mensageiro não é tão
necessário, mas sim a mensagem, e esta vem como um tipo de bússola orientadora
para que um bom timoneiro aprume o barco da esperança como um tipo de nau onde não
haja sobreviventes, mas sim viventes em plenitude...
Mesmo
que alguns parceiros diletos não estejam mais presentes para testemunhar os
livros que, juntos, tecemos ao longo de nossas jornadas, mesmo que nos faltem,
temos ainda que dar o testemunho e a continuidade no processo de continuar a
citada jornada, para que, ainda que o livro jamais seja completamente escrito,
possa ser um libelo, uma ponta de lança naquilo a que chamamos a grande
experiência humana da vida. E essa experiência fique de certo modo sendo o
chamariz para novas e novas outras, em escalas que ainda hoje são de suma
importância, e rogaremos a Deus, o Criador cósmico, nosso Pai Celeste, que
justifique nossos atos, que nos dê a fé necessária para que recriemos vínculos
com dilet@s companheir@s, e que prossigamos no caminho da mesma fé imorredoura que
nos leve sempre adiante para mais e mais veredas diamantinas, posto quem ganha
com isso é o ser humano, e que os outros seres sobre o planeta sejam nossos iguais
em carne e espírito para que passemos a escrever nossas notas com mais ciência
de que, mesmo aparentemente solitários nesse mundo, jamais estaremos
sozinhos...
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