Viver
cumprindo bhakti, ou serviço devocional, em sânscrito, na Natureza Material,
ou prakriti, é sobremodo salutar espiritualmente, mesmo que esse sentido,
sendo um preceito dos Vedas, seja aplicado em qualquer modalidade religiosa ou espiritualista.
Queremos por vezes ser notados em nossas virtudes, mas sempre será na virtuosa
questão de que apenas Krsna, ou Deus, é que nos dá a noção mais evidente da
presença em nossas vidas é que, por determinação Dele, estaremos a Seu serviço,
estejamos onde estejamos. Por caminhos de sombras, ou de luzes... Premonições
se nos pegam, por vezes, e será na intuição que regaremos a planta da prática
devocional, em virtude de que a natureza material, ou prakriti, seja tão
diversa quanto a Natureza própria dos seres que encontramos no nosso dia a dia.
Por que não seria Deus, ou seu nome a religião, a que se determine a crença, se
estarmos a seu serviço ou entregando o fruto de nossa fé a Ele, se por tanto não
nos bastasse saber que, onde houver um declínio da religião, Ele mesmo desce em
sua forma, ou suas formas, para aniquilar os canalhas, ou conter a sanha dos
ateístas demoníacos? Se em Jung este pontuava da importância da religião como
um re ligare, palavra latina que significa religar com algo, e depois se
releu o próprio pensamento desse médico afirmando que seu termo religião nada
mais era do que no sentido espiritualidade, mas efetivamente em seus textos
originais ele empregou o termo religião? Muito se creia nos dogmas alguns, mas
porventura podemos saber que recriar a espiritualidade é algo de suma
importância, mas o start nos domínios ritualísticos de alguma prática é assaz
importante, mesmo para dar esteio e direcionamento a quem nada deduz do que
seja a fé, pura e simplesmente... Nada deve ser impositivo, e quem sabe a ética
boa seja uma boa deusa.
Para
alguns, Exú seria a personificação do mal, assim com Vishnu, ou mesmo Shiva,
com o seu colar de serpentes ou, na forma de Rudra, seu colar de crânios, ou o
seu tridente, arma esta que era sempre utilizada há muito tempo, antes do diabo
tomar como símbolo de seus apetrechos, denotando no mínimo ignorância daqueles
que tomam esse objeto como símbolo do mal. A Natureza Material encerra em si
mesma muitos mistérios, e qual não fosse o sonho de Jung com todos os seus
arquétipos, qual, o médico e seu monstro, o bem e o mal, não fizessem parte da
humanidade como um todo, pois neste mundo estamos passando, e nem tudo são
flores em um funeral, a não ser aqueles que estão com seus garfos prontos para
abocanhar suas heranças...
O que
possuímos como seres coletivos e gregários que somos é uma vida em sociedade,
regida por leis, pela democracia, no caso do Brasil, e dependemos disso sempre,
pelo menos enquanto não nos deixarmos abater pela barbárie, ou por uma
ditadura, o que dá no mesmo. A bhakti-yoga, ou a yoga suprema, nos
conduz a que pratiquemos a religião particular, se queiramos bem a Natureza, não
propriamente apenas a prakriti, mas tudo o que esta significa em seu
conteúdo anímico. E isso tem a ver com as liberdades individuais, com os
direitos às crenças e manutenção de estruturas religiosas, sua literatura, sua
prática, seus alimentos para a vida e a já citada democracia apenas dá o esteio
necessário para que a carruagem possa andar: sem contratempos maiores. Para tanto
se faz necessário que se una nas Américas uma frente libertária, sem contar que,
para casos em nações em desenvolvimento, peças de bronze devocionais do Oriente,
materiais diversos importados da China e seu livre comércio sejam respeitados,
pois a franca cooperação entre as nações façam parte do bem comum e da necessária
compreensão dos estadistas de todos os países envolvidos.
Em
essência, para quem vos fala, que possui uma visão da espiritualidade
agigantada pela compreensão das diversas crenças que abraçam o ser humano, desde
a Umbanda, o Vaishnavismo, o Catolicismo, o Kardecismo, até algumas designações
evangélicas, a Bíblia e os Shastras, a ciência e a psicanálise, a arte e a
cultura, quem acima de tudo ainda crê na cultura e no homem, que tenta se portar
melhor perante os outros, tenho a convicção de que tudo o que vem para agregar
em caminho da paz pode ser o ponto que reverbera mais amplo no mundo, e o fato
de que muitos possuam a ilusão sobrecarregada no consumo sem freios e a
devastação do mundo, tentando sempre com pensamentos gananciosos e luxuriosos
obter mais e mais é um equívoco, e isso é a face mais sombria da humanidade:
pode fazer parte dela, mas é um erro.
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