Cada um
fale por si, uma linguagem que vem da pressuposição de que ninguém sabe a exata
dimensão da própria ignorância, quando esta é colocada à prova, muitas vezes,
sem que ninguém suponha que seja um ser afeito aos seus propósitos mais
íntimos, seja essa outra pessoa um companheiro, uma mulher, ou mesmo um médico
que o trate. Por vezes, uma consulta não é suficiente para elucidar um problema
mais complexo, que envolve na sua dialética da sanidade mental uma substância
que o próprio médico no mínimo deveria testar para saber do que se trata, ou
experimentar a substância de um vício para saber a real dimensão daquela. Posto
que na enfermidade mental está em voga muito do que supõe poupar o paciente de
sofrimentos maiores, mas na realidade a psiquiatria ainda está aquém desse
pressuposto humano, no mais das vezes.
A
dependência de uma substância como a nicotina, por um exemplo cabal, requer
mais ciência do que supõe a simples alternativa da colocação de adesivos de
reposição, ou de mascar as gomas na fissura. É um processo de rebatimento, de
um ir e vir, como se estivéssemos, um paciente e seu médico, em vias de
redescobrir caminhos, mesmo que para isso a questão desse citado rebatimento
falasse apenas a uma questão de bifurcação, mas na realidade é uma questão
neuronial... O estudo de alguém que fosse a fundo sobre a questão cerebral
saberia supor por exemplo que um anti-convulsivante como o Depakote, junto com
a Risperidona, configuram um espectro complexo para um quadro clínico
igualmente complexo, na questão – repetindo – onde a dialética da compulsão,
seu freio parcial, seu retorno e os efeitos dopaminérgicos estão mais em jogo
do que a sobrevivência da psique intacta do paciente. Nessa questão principal,
estaria em questão saber que as consultas de muitos pacientes às plataformas de
IA no mais das vezes estariam prejudicando, com o reducionismo simplista, as
respostas vulgares, os esquemas facilmente compreensíveis ao vulgo, onde a
medicina fica restrita a um auto diagnóstico, na questão do vício e sua
complexidade, o que nem sempre funciona, em sua grande parte, principalmente
quando está presente uma comorbidade – outra – de Natureza psiquiátrica ou
neurológica. Saber-se, enquanto paciente, o que é sofrer por conta todo esse
processo no mínimo é crer que o pneumologista efetivamente estaria preocupado
com sua saúde mental, mas isso é escopo e estofo do psiquiatra que trata
especificamente, dentro de sua especialidade, o caso que respinga para esse
lado, se porventura houvessem prejuízos dessa ordem na psique do citado paciente.
Na
abordagem ainda cartesiana, a medicina trata com especialistas, onde um delega
a outro os exames, os critérios de avaliação e os problemas de cada órgão do paciente, faltando a versão mais holística e integrativa dessa ciência, onde em
algumas nações já se utiliza a técnica mais totalizante dessa Natureza, onde
tudo o que acontece com um sintoma em determinada região do corpo ou da mente,
alteraria – em tese – a energia de outros órgãos, o que facilita muito a
abordagem mais total do corpo do paciente, em vez do reducionismo onde as energias,
que fazem parte do corpo sutil, ou dos meridianos energéticos, ou mesmo dos
chacras que existem de fato na abordagem orgânica do ser humano não seriam
colocados à mercê do descaso por uma visão ainda mecanicista da abordagem da
medicina ocidental, como ocorre ainda hoje nas Américas e na Europa. Tudo tem
seu tempo, e separamos muito, no Ocidente, as questões anímicas ou mesmo
energéticas, ou tudo o que desconhecemos, como realidade espiritual, tornando a
dialética mesma da Natureza e andamento no fluxo mais natural da natureza das
coisas algo emperrado e estigmatizado, separando fluxos energéticos que na
realidade deveriam estar se sobrepondo e vivendo em uníssono, como no Tao. Mas
tudo é uma questão de cultura, e o Ocidente já revela aproximações maiores com
a sabedoria oriental, sendo que médicos como o grande psiquiatra Carl G. Jung
já encontra em locais como os EUA processos terapêuticos que dão margem,
através da multidisciplinaridade e atividades terapêuticas de arte e etc, a
tratamentos mais alternativos a toda uma problemática mental e de dependências,
não apenas químicas, como sócio-afetivas e etc.
Tudo
que reduz o trato a questões pontuais, no exemplo evidente das abordagens
cognitivo-comportamentalistas, por exemplo, encontra no seu viés reducionista a
dificuldade de ver o ser humano em sua totalidade: física, mental e
espiritual... A história da medicina revela que a medicina do Ocidente é
grandiosa, mas não é a única do planeta, e vincular seus aspectos positivos com
abordagens terapêuticas orientais no mínimo é mais salutar para o
desenvolvimento da ciência como um todo.
Por
todos os lados temos dependentes químicos, viciados em cocaína, no álcool, no tabaco,
na maconha e afins, como na combustão o crack e ainda na heroína e cocaína
injetáveis. Os danos que provocam são inegáveis, mas no caso da nicotina e os adesivos,
na abordagem da medicina tal qual a conhecemos no Ocidente, é possível a
redução paulatina, mas em todos os casos de vícios, é mister sabermos da
importância da espiritualidade e tudo o que isso significa para uma recuperação
plena. Há médicos que vivem sua vida cumprindo o seu sacerdócio dentro de sua
especialidade, possuem sua família, vivem para o trabalho e sequer tem uma
religião. Para estes, a existência da realidade de um paciente extremamente
místico pode parecer um transtorno, ou mesmo uma muleta existencial. Quiçá para
aqueles acupunturistas orientais, que lidam com a energia de seus pacientes
diuturnamente, compreender a Natureza espiritual e sua dialética seja mais
simples. É apenas uma questão de abordagens...
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