domingo, 21 de dezembro de 2025

A DIALÉTICA DAS DEPENDÊNCIAS


                Cada um fale por si, uma linguagem que vem da pressuposição de que ninguém sabe a exata dimensão da própria ignorância, quando esta é colocada à prova, muitas vezes, sem que ninguém suponha que seja um ser afeito aos seus propósitos mais íntimos, seja essa outra pessoa um companheiro, uma mulher, ou mesmo um médico que o trate. Por vezes, uma consulta não é suficiente para elucidar um problema mais complexo, que envolve na sua dialética da sanidade mental uma substância que o próprio médico no mínimo deveria testar para saber do que se trata, ou experimentar a substância de um vício para saber a real dimensão daquela. Posto que na enfermidade mental está em voga muito do que supõe poupar o paciente de sofrimentos maiores, mas na realidade a psiquiatria ainda está aquém desse pressuposto humano, no mais das vezes.

                A dependência de uma substância como a nicotina, por um exemplo cabal, requer mais ciência do que supõe a simples alternativa da colocação de adesivos de reposição, ou de mascar as gomas na fissura. É um processo de rebatimento, de um ir e vir, como se estivéssemos, um paciente e seu médico, em vias de redescobrir caminhos, mesmo que para isso a questão desse citado rebatimento falasse apenas a uma questão de bifurcação, mas na realidade é uma questão neuronial... O estudo de alguém que fosse a fundo sobre a questão cerebral saberia supor por exemplo que um anti-convulsivante como o Depakote, junto com a Risperidona, configuram um espectro complexo para um quadro clínico igualmente complexo, na questão – repetindo – onde a dialética da compulsão, seu freio parcial, seu retorno e os efeitos dopaminérgicos estão mais em jogo do que a sobrevivência da psique intacta do paciente. Nessa questão principal, estaria em questão saber que as consultas de muitos pacientes às plataformas de IA no mais das vezes estariam prejudicando, com o reducionismo simplista, as respostas vulgares, os esquemas facilmente compreensíveis ao vulgo, onde a medicina fica restrita a um auto diagnóstico, na questão do vício e sua complexidade, o que nem sempre funciona, em sua grande parte, principalmente quando está presente uma comorbidade – outra – de Natureza psiquiátrica ou neurológica. Saber-se, enquanto paciente, o que é sofrer por conta todo esse processo no mínimo é crer que o pneumologista efetivamente estaria preocupado com sua saúde mental, mas isso é escopo e estofo do psiquiatra que trata especificamente, dentro de sua especialidade, o caso que respinga para esse lado, se porventura houvessem prejuízos dessa ordem na psique do citado paciente.

                Na abordagem ainda cartesiana, a medicina trata com especialistas, onde um delega a outro os exames, os critérios de avaliação e os problemas de cada órgão do paciente, faltando a versão mais holística e integrativa dessa ciência, onde em algumas nações já se utiliza a técnica mais totalizante dessa Natureza, onde tudo o que acontece com um sintoma em determinada região do corpo ou da mente, alteraria – em tese – a energia de outros órgãos, o que facilita muito a abordagem mais total do corpo do paciente, em vez do reducionismo onde as energias, que fazem parte do corpo sutil, ou dos meridianos energéticos, ou mesmo dos chacras que existem de fato na abordagem orgânica do ser humano não seriam colocados à mercê do descaso por uma visão ainda mecanicista da abordagem da medicina ocidental, como ocorre ainda hoje nas Américas e na Europa. Tudo tem seu tempo, e separamos muito, no Ocidente, as questões anímicas ou mesmo energéticas, ou tudo o que desconhecemos, como realidade espiritual, tornando a dialética mesma da Natureza e andamento no fluxo mais natural da natureza das coisas algo emperrado e estigmatizado, separando fluxos energéticos que na realidade deveriam estar se sobrepondo e vivendo em uníssono, como no Tao. Mas tudo é uma questão de cultura, e o Ocidente já revela aproximações maiores com a sabedoria oriental, sendo que médicos como o grande psiquiatra Carl G. Jung já encontra em locais como os EUA processos terapêuticos que dão margem, através da multidisciplinaridade e atividades terapêuticas de arte e etc, a tratamentos mais alternativos a toda uma problemática mental e de dependências, não apenas químicas, como sócio-afetivas e etc.

                Tudo que reduz o trato a questões pontuais, no exemplo evidente das abordagens cognitivo-comportamentalistas, por exemplo, encontra no seu viés reducionista a dificuldade de ver o ser humano em sua totalidade: física, mental e espiritual... A história da medicina revela que a medicina do Ocidente é grandiosa, mas não é a única do planeta, e vincular seus aspectos positivos com abordagens terapêuticas orientais no mínimo é mais salutar para o desenvolvimento da ciência como um todo.

                Por todos os lados temos dependentes químicos, viciados em cocaína, no álcool, no tabaco, na maconha e afins, como na combustão o crack e ainda na heroína e cocaína injetáveis. Os danos que provocam são inegáveis, mas no caso da nicotina e os adesivos, na abordagem da medicina tal qual a conhecemos no Ocidente, é possível a redução paulatina, mas em todos os casos de vícios, é mister sabermos da importância da espiritualidade e tudo o que isso significa para uma recuperação plena. Há médicos que vivem sua vida cumprindo o seu sacerdócio dentro de sua especialidade, possuem sua família, vivem para o trabalho e sequer tem uma religião. Para estes, a existência da realidade de um paciente extremamente místico pode parecer um transtorno, ou mesmo uma muleta existencial. Quiçá para aqueles acupunturistas orientais, que lidam com a energia de seus pacientes diuturnamente, compreender a Natureza espiritual e sua dialética seja mais simples. É apenas uma questão de abordagens...

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