Por
vezes um simples gesto revela o companheirismo sincero, espontâneo, gentil e
humano para com alguém, sem querermos frutos ou recompensas, mas haveremos de estar
meio cônscios de certos atos para essa pessoa, esse parceiro, esse cônjuge, um
amigo, pois nem sempre o que cremos ser melhor no nosso gesto, na nossa
solidariedade, será o melhor – de fato – para esse ser humano. Um homem peca
por se atrair demasiadamente por uma mulher, ou por escutá-la na voz que julgara
sábia e terna, e muitas vezes essa mulher não está tão certa quanto supõe um
critério da sabedoria mais severa, quando estamos em um processo de crescimento
espiritual que nem sempre a outra pessoa o sabe, de fato, como se procede a
questão. O fato é que sedimentamos alguns de nós que o sacrifício, a austeridade
e a renúncia aos prazeres mundanos, quando se tem por objetivo largar algo que seja
nocivo, sempre remonta a que estejamos crescendo espiritualmente, como uma
premissa básica a um bom portar-se, não apenas nos deveres que cumpramos em
nossos lares, mas perante o exemplo a ser dado perante uma ligação afetiva, mesmo
que provisória. Mesmo porque o que o homem faz ou fez não demanda que a mulher
pense que sua atitude vai ser o melhor para ele, e estaremos por aqui falando
de vícios ou dependência química.
Quando
a mulher souber que um mísero cigarro a um homem pode botar toda a sua recuperação
a perder, e que o enfisema tende a crescer paulatinamente, mesmo com um único
cigarro, tudo o que ela pensara sobre o vício tão bruto quanto o tabagismo, e
que, sendo muito mais jovem, ela não pode se comparar àquele que já está com a
doença que se pronuncia, e que a tendência é ir em uma crescente, ela jamais
deverá entusiasmar-se com o fato de que aquele homem ficara aliviado em se
permitir ir ao primeiro cigarro, como se esse pequeno detalhe não ficasse como
uma mácula onde depois de separados pelas circunstâncias ele se encontraria com
fraquezas maiores, e seu lado espiritual perderia o suficiente para recair no
vício. Assim é com o alcoolismo, com o vício na cocaína, ou mesmo com a maconha,
droga de queima que igualmente causa enfisema pulmonar, além de acometer
doenças mentais graves. E, quando um homem já é acometido de alguma doença
mental mais severa, a atenção deve ser redobrada, pois o ato de fumar ou beber
é mais recorrente.
Aquela
velha questão, a abordagem tecnológica: por vezes estamos acompanhados
remotamente, mas fisicamente a presença é mais ímpar. Não conseguiremos ainda
abraçar alguma questão mais subjetiva do sujeito, quando vemos apenas um
depoimento, mesmo que dito com o coração aberto, mesmo que sangremos um pouco,
pois a mulher tem que ser forte, quando companheira, para saber que certos
homens precisam das etapas do sofrimento para crescerem espiritualmente, e que
sua renúncia aos objetos da ação são sobremodo relevantes, para que possam se
sobrelevar ao que se disponha a austeridade necessária ao citado crescimento
espiritual, e a cessação das fronteiras do vício passa por essa questão. Justo,
a compulsória questão de se romper as amarras, mas para isso algum trauma é
necessário, algum luto, estarmos sem nossa bengala, sem o nosso companheiro de
décadas, não é apenas a questão da abstinência que está em jogo, é toda uma questão
praticamente afetiva, de insumos de dopamina, e etc.
Temos
no mundo os três gunas, ou modos da Natureza Material: bondade, paixão e
ignorância. O que se sugere é nos posicionarmos no modo da bondade, pois é onde
a sensatez e a espiritualidade fluem mais seguramente. Mas é como uma palheta
de cores, por vezes esses modos se mesclam, se misturam, e o modo da paixão
pode estar proeminente, e é nessas horas que um homem que se sugestiona e se
atrai pela beleza da mulher, muitas vezes leva muito em conta o que ela supõe
ser melhor, endeusando-a momentaneamente, como símbolo daquilo que na realidade
pode estar revestido por Maya e seu manto ilusório... Como se, atento aos seus
gestos, ao seu olhar, ao rosto, não visse mais um palmo adiante do nariz, mesmo
sabendo que a poucos centímetros por vezes existe uma deidade de Deus a que
rendeu votos eternos, e a quem seus compromissos de sacrifício e austeridades
sói serem mais importantes, posto o repositório de sua fé é justamente ao
símbolo que está representado pela estátua de bronze. Isso ao olhar de quem
acredita piamente de que jamais estará só pela simples presença que vê em tudo
a onipotência Dele. Quando segura um rosário de contas, vê igualmente a cruz do
Cristo, tudo isso pode remeter ao ninho sagrado de sua crença, e trazê-lo de
volta ao seu estado espiritual pleno, uno ao altíssimo, e estar ganhando as
batalhas solitárias, na aparência, contra o vício, mas acima de tudo estará
acompanhado de uma questão espiritual, que é onde estará a sua realidade mais
plena.
Pode
ser que um ser humano saiba de suas questões mais íntimas, ou pode ignorá-las
por vezes, mas a questão é ser mais do que a dinâmica que nos impede de sermos
perfeitos, ou seja, ao menos tentar chegar à perfeição, mesmo sabendo que tudo
é um modo de eternos diálogos com o nosso próprio ser. Um casal perfeito não
existe sem o contraste que o caracteriza, e a convivência revela na carne
sermos algo que vai além do simples platonismo tão belo da Natureza remota...
Se quisermos ler uma teoria sobre o amor, poderemos começar a ler com mais
atenção o Evangelho.
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