quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

A CAUSALIDADE E A CONSEQUÊNCIA DE NOSSOS ATOS


                Por vezes um simples gesto revela o companheirismo sincero, espontâneo, gentil e humano para com alguém, sem querermos frutos ou recompensas, mas haveremos de estar meio cônscios de certos atos para essa pessoa, esse parceiro, esse cônjuge, um amigo, pois nem sempre o que cremos ser melhor no nosso gesto, na nossa solidariedade, será o melhor – de fato – para esse ser humano. Um homem peca por se atrair demasiadamente por uma mulher, ou por escutá-la na voz que julgara sábia e terna, e muitas vezes essa mulher não está tão certa quanto supõe um critério da sabedoria mais severa, quando estamos em um processo de crescimento espiritual que nem sempre a outra pessoa o sabe, de fato, como se procede a questão. O fato é que sedimentamos alguns de nós que o sacrifício, a austeridade e a renúncia aos prazeres mundanos, quando se tem por objetivo largar algo que seja nocivo, sempre remonta a que estejamos crescendo espiritualmente, como uma premissa básica a um bom portar-se, não apenas nos deveres que cumpramos em nossos lares, mas perante o exemplo a ser dado perante uma ligação afetiva, mesmo que provisória. Mesmo porque o que o homem faz ou fez não demanda que a mulher pense que sua atitude vai ser o melhor para ele, e estaremos por aqui falando de vícios ou dependência química.

                Quando a mulher souber que um mísero cigarro a um homem pode botar toda a sua recuperação a perder, e que o enfisema tende a crescer paulatinamente, mesmo com um único cigarro, tudo o que ela pensara sobre o vício tão bruto quanto o tabagismo, e que, sendo muito mais jovem, ela não pode se comparar àquele que já está com a doença que se pronuncia, e que a tendência é ir em uma crescente, ela jamais deverá entusiasmar-se com o fato de que aquele homem ficara aliviado em se permitir ir ao primeiro cigarro, como se esse pequeno detalhe não ficasse como uma mácula onde depois de separados pelas circunstâncias ele se encontraria com fraquezas maiores, e seu lado espiritual perderia o suficiente para recair no vício. Assim é com o alcoolismo, com o vício na cocaína, ou mesmo com a maconha, droga de queima que igualmente causa enfisema pulmonar, além de acometer doenças mentais graves. E, quando um homem já é acometido de alguma doença mental mais severa, a atenção deve ser redobrada, pois o ato de fumar ou beber é mais recorrente.

                Aquela velha questão, a abordagem tecnológica: por vezes estamos acompanhados remotamente, mas fisicamente a presença é mais ímpar. Não conseguiremos ainda abraçar alguma questão mais subjetiva do sujeito, quando vemos apenas um depoimento, mesmo que dito com o coração aberto, mesmo que sangremos um pouco, pois a mulher tem que ser forte, quando companheira, para saber que certos homens precisam das etapas do sofrimento para crescerem espiritualmente, e que sua renúncia aos objetos da ação são sobremodo relevantes, para que possam se sobrelevar ao que se disponha a austeridade necessária ao citado crescimento espiritual, e a cessação das fronteiras do vício passa por essa questão. Justo, a compulsória questão de se romper as amarras, mas para isso algum trauma é necessário, algum luto, estarmos sem nossa bengala, sem o nosso companheiro de décadas, não é apenas a questão da abstinência que está em jogo, é toda uma questão praticamente afetiva, de insumos de dopamina, e etc.

                Temos no mundo os três gunas, ou modos da Natureza Material: bondade, paixão e ignorância. O que se sugere é nos posicionarmos no modo da bondade, pois é onde a sensatez e a espiritualidade fluem mais seguramente. Mas é como uma palheta de cores, por vezes esses modos se mesclam, se misturam, e o modo da paixão pode estar proeminente, e é nessas horas que um homem que se sugestiona e se atrai pela beleza da mulher, muitas vezes leva muito em conta o que ela supõe ser melhor, endeusando-a momentaneamente, como símbolo daquilo que na realidade pode estar revestido por Maya e seu manto ilusório... Como se, atento aos seus gestos, ao seu olhar, ao rosto, não visse mais um palmo adiante do nariz, mesmo sabendo que a poucos centímetros por vezes existe uma deidade de Deus a que rendeu votos eternos, e a quem seus compromissos de sacrifício e austeridades sói serem mais importantes, posto o repositório de sua fé é justamente ao símbolo que está representado pela estátua de bronze. Isso ao olhar de quem acredita piamente de que jamais estará só pela simples presença que vê em tudo a onipotência Dele. Quando segura um rosário de contas, vê igualmente a cruz do Cristo, tudo isso pode remeter ao ninho sagrado de sua crença, e trazê-lo de volta ao seu estado espiritual pleno, uno ao altíssimo, e estar ganhando as batalhas solitárias, na aparência, contra o vício, mas acima de tudo estará acompanhado de uma questão espiritual, que é onde estará a sua realidade mais plena.

                Pode ser que um ser humano saiba de suas questões mais íntimas, ou pode ignorá-las por vezes, mas a questão é ser mais do que a dinâmica que nos impede de sermos perfeitos, ou seja, ao menos tentar chegar à perfeição, mesmo sabendo que tudo é um modo de eternos diálogos com o nosso próprio ser. Um casal perfeito não existe sem o contraste que o caracteriza, e a convivência revela na carne sermos algo que vai além do simples platonismo tão belo da Natureza remota... Se quisermos ler uma teoria sobre o amor, poderemos começar a ler com mais atenção o Evangelho.

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