sábado, 19 de abril de 2025

NADA DO QUE FOSSE SERIA ALGO


               Sim ao insensato, quem dera disséssemos algo que não fizesse tanto sentido. Tateio em vão pelas campanhas do meu país, e encontro páginas de programação, quem diria, tudo faz um certo sentido. Viajo pela orla de mim mesmo, é noite e tu, óh página em branco, és a miríade da Natureza em que não encontro em tua nudez o vórtice de minhas certezas... Ao insensato a desdita de um ribombo, um sim que fosse, a e Argentina quiçá me lesse em suas portenhas de tantos bons ares, mas quem dera um longo beijo em uma linda, ou quiçá feia mas belamente humana, posto um homem que ama as mulheres ama a sua perspicácia e intuição, ama a Natureza feminina, mas por enquanto é melhor se quedar solito. A pertencer quem sabe o pertencer: estarmos em fase de pertencimento cabal, e somos mais presentes no caudal que merecemos, por sermos quem somos, por urgirmos o justo, o pago melhor, só isso, sem ressentimentos dos chefes ou patrões que tocam as empresas modernas, aliás, grandes, pois dão emprego em eras de carestia, por plagas e sítios onde não se respira muito bem a liberdade de se estar em uma ilha, mas por vezes a mesma redoma crua de não se ter o propósito de prosseguir vivendo melhor entre nós. Frangalhos rotos, é o que seríamos se fossemos considerar o impossível, o improvável. Joyce já fragmentava o romance contemporâneo e eu sigo ainda uma lógica para provar para Lacan em sua tumba que o espírito dele navegue na soberba de uma análise de minha linguagem pelos paradigmas do incerto, mas até certo ponto compreensível.

               Estabelecer uma dialética, encontrar no citado Lacan sua razão primeira, a explicação de Freud que tudo explicara, devidamente explicada, novamente... Seriam os dias os primeiros de rotinas anteriores, ou será que amanhã, dia da Páscoa, Cristo finalmente me remeta à grande comemoração metafórica da ressurreição? Oro um pouco, teço mentalmente uma Ave Maria, começo de novo, e a linguagem se me brota, essa maravilhosa associação que faço na autoanálise, um padrão quase repleto do que penso por agora, nove da noite passados quase dez minutos. Estabelecido o tempo, cronometrado o registro, começo agora a ficar vazio e o sono me invade. Sim, tive minhas recaídas tabagistas ontem e hoje, mas amanhã é outro o dia, e recomeço com o estoicismo em que já me vi nesse combate comigo mesmo, diante desse vício. Espero o tempo me engolfar, e o que me dissera a mulherzinha? Sei lá e nem lembro quem foi ou quem disse, posto mensagem ou ofensa relâmpago: de esparrela, com intenção não sequer culposa, relembrando suas próprias desditas, mas que não faz a mossa, pois agora sigo com minha sagrada madre... E oro olhando para ela, oro secretamente, olhando para um pequeno estandarte católico onde se diz: nossa senhora mãe rainha... oração... É minha mãe, oras, temos as nossas mães, quais Marias que guardamos a sete chaves para sermos seus filhos de sempre, e enquanto a hora passa até me recolher aos meus aposentos, escrevo nos borbotões, feliz, por poder ter meus dedos a digitar um texto de amor.

               Vejo de vez em quando imagens na televisão e minha mãe já está bem surda. Mas a vida da velhice tem seus óbices, e sua reserva cognitiva provavelmente é bem alta, pois não se pronuncia muito uma doença qualquer que não seja mais contornável e para ela mais confortável. Um filme que ela gosta de ver, um filme policial, apesar das cuidadoras não se atentarem para o fato de que porventura ela ainda tenha a possibilidade das escolhas, e uma razão que se revela em laivos bem superior ao ostracismo da ignorância do vulgo. Penso que suas críticas sejam quase em segredo, já que uma mulher que é paga para cuidar se sente sempre superior ao paciente.

               Noves fora, já me sinto melhor com essa análise do que ocorre, esse relato aberto da minha vida, enquanto partícipe de uma família mais reduzida que já teve muitas histórias para contar, e jamais ficará restrita ao que se tornou agora, pois o passado é muito importante e revelador, mesmo para que os membros familiares se revelem: seus erros e acertos... A harmonia se faz sempre necessária, e será equalizando as responsabilidades e deveres de cada membro, junto aos que na família têm seu pertencimento, que quiçá teçamos a construção ampla sempre do entendimento em busca do bem-estar comum dentro de um pequeno coletivo. 

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