sábado, 8 de fevereiro de 2025

O ENIGMA DO AMOR E A SEPARAÇÃO NO “OFÍCIO DE AMAR”


                Quem dera a voz da mulher libertária não fosse simplesmente dar a anuência à voz de seus amigos a quem sua liberdade jamais fosse contestada... Do amor, a sombra de si mesmo, ou de si mesma, quiçá fosse mais fácil dizer a frase “eu te amo” sem o viés concessionário, sem a retórica de uma vinculação manipulável na acepção de um séquito de observadores, ou mesmo de um amor maior fosse o fato grande se amar sem a citada vinculação compulsória das fronteiras, ou a determinação objetal. Sartre, em sua relação com Beauvoir, fora algo do ser da completude, distante da prática tão afeita na contemporaneidade do seu “O Ser e o Nada.” Quando há uma relação de companheirismo – de fato – talvez vertentes da psicologia moderna traduzissem pelo viés afetivo algo que seja mais concreto no sentido de se permitir, modo que ao homem quiçá seja mais complicado do que parece, pois carece de guardar sempre o tesouro que jamais gostaria que escorresse por entre os dedos de sua mão, na acepção tão própria de Bauman em seu “Amor Líquido”, que traduz enormemente a concepção quase mercantilista do afeto, suas variantes, sua decomposição e fragmentação, no sentido de que na nova mulher do milênio o gesto do homem e seu olhar dedicado deva ser interpretado por declaração inequívoca do amor mais autêntico, pois por vezes temos que ser cautelosos quando as relações se estremecem pela dúvida que não deve existir no sentido do não sentir a presença, e retrair em si mesm@ a concepção mesma do amor, na sintaxe contemporânea, no sentido de quebrar as bases de conceituação tão sólidas do citado filósofo, e construir uma relação que perdure mesmo sabendo que na ausência física de uma história entre um casal as coisas se processam de modo inverso, e no entanto equilibrador, como uma essência mesma de um tipo de tao, levado a cabo na prática.

                A relação a dois jamais deve ser tão simplista na questão de que a razão não seja sobremodo importante para que a mulher conheça o pretendente, assim como por outros, por vezes o homem já conheça, através de sua intuição aflorada, a Natureza da mulher. A questão da vulnerabilidade que faz parte da história e da ação de cada ser impõe que por vezes nos defendamos, não por base em vida ativa, mas sim, na capacidade de expormos quase visceralmente, mas de forma controlada, o perfil mais concreto de quem somos, quem esperamos ser, o que queremos d@ outr@ e a dialética mais cabal dos caminhos de um encontro e da sedimentação do criterioso existir em uma possibilidade da construção de um par afetivo, pois será sempre em uma edificação da relação amistosa da amizade entre um casal que se sedimenta o crivo da possibilidade de ser mais do que essa relação, sempre obedecendo a via que denota respeitarmos – sempre – a liberdade, a idiossincrasia, a cultura, a ignorância, as qualidades e virtudes, bem como a deturpação de caráter que encontraremos nesse porém existencial, assim como no mesmo processo dialético as coisas se processem dessa forma.

                A oportunidade que uma companheira fornece a um companheiro nesse campo, nessa abordagem ou em qualquer outro assunto sempre vai ser pertinente, mesmo porque ao homem é a chance que almejara anteriormente de dizer com outras palavras que ama essa oportunidade e, por tabela, ao ser que lhe deu a possibilidade de dissertar... A razão jamais coloca um homem na defensiva, apenas concede frente a si mesmo e a Deus, como um grande poder, a possibilidade de que venha a se ter o contato almejado com quem lê: a possível tomada de consciência de outrem sobre a factual forma de amar, assim como entregar ao objeto de seu amor um regalo que sobremodo é tão natural à sua vida como uma simples declaração de amor, mas alicerçada não em base de um episódico “eu te amo”, mas compactado com a pulsão controlada entre o id, sua natural irrupção, mas na vertente em que seu superego pontue as frases, na realidade mais consonante, não faltando – jamais – com a verdade, para que se possam abrir frentes mais amplas sobre o citado amor maior, e tudo o que isso implique na existência de tal homem e tal mulher, mesmo porque a sinceridade por vezes é fruto de toda uma experiência de vida, e partir para a ação do ser sincero é simplesmente clamar para que os ventos femininos possam fazer oscilar saudavelmente as folhas do coqueiro...

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