Foi “por meio de algo”,
que “fiz algo”, que “a coisa transbordara o copo”, que “nada fizera mais
sentido”: seriam acepções controversas, determinadas, mas que o psicoterapeuta,
ou analista, estaria de modo a não ter total segurança em lidar com a questão,
pois a cadeia de significantes transformara o acaso da linguagem no próprio
arquétipo coletivo de um sentimento expresso e oculto, uma forma, uma
determinação excludente porquanto significante primeiro. Algo que não se
conheceria, mas que não seria volátil, porquanto mais sólido no espaço-tempo...
A própria noção do espaço como algo construtor, algo de engenharia, de
estrutura, qual noção que temos de uma área-base, um fundamento mais amplo, onde
a linguagem se estrutura e vai consolidando seus citados fundamentos, vai
construindo seus nós e bifurcações e suas equações, o teste da resistência dos
materiais e as plantas pré-programadas, antecipatórias do mundo real: a grande
arquitetura do ser humano, suas vicissitudes, seus movimentos ou suas questões,
culmina tudo na velha questão da tinta jogada a esmo sobre o papel, e a forma,
em determinada circunstância, se faz, como se o acaso houvera criado o Universo,
ou este recriara a palavra. O jazigo da circunstância está para a recriação do
ser algo que remonte o luto de não se saber empreender a continuidade de uma
obra a partir de uma existente forma do inconsciente, no caudal de
relacionarmos por vezes o sagrado do amor erótico, ou o signo do amor
considerado purista com algo de Thanatos, ou pulsão de morte, aquilo de contradição
inerente ao acaso espiritualista, o modo inconsciente de aflorar enquanto se
pensa o acaso do surgimento de um inconsciente coletivista que emerja da lavra
do autor.
As coisas vão além da
mera terapia, e a consistência de reformarmos o que havia de fundações antigas
na área de trabalho remonte um universo do saber mesmo que a citada área
transcenda a psicanálise e transborde em tal número de informações que diversas
pastas e inúmeros arquivos já traduziriam farto material para consultas, dados
estatísticos e conhecimentos cabais a respeito do universo de muitas matérias,
nesses diretórios mais afeitos a não tanta casualidade, mas de um acaso mais
permanente. Essa história volátil e não linear, transcenderia Saussure, posto o
inconsciente seja esfera volátil, e a tipificação da linguística já não seria
mais tanto linear, com o advento da IA, onde o acaso do mecanismo de engenharia
de busca age com sua engenharia reflexa e remonta logicamente um saber que já é
lavra antiga, ensimesmado com um sistema que é filtro da obra humana, e falível
enquanto saber primeiro da lavra mais inteligente, porquanto Eros, ou “pulsão
do conhecimento de vida”. Tanto que não haveria uma inteligência artificial
delirante, alheia à razão, assim como seria impossível criar aquela uma obra
como o “Ulisses”, de James Joyce, ou “O Processo”, de Kafka, ambas obras
praticamente delirantes, aos olhos da “antiga literatura...” A respeito, para
citar um exemplo: processamos sempre, mas o olhar que possuímos de nós mesmos
não nos dissocia de algo maior do que nós mesmos, sempre, e sempre que se fizer
necessário o acaso será nossa fonte, esse acaso que busque dos arquétipos mais
ocultos o diapasão que nos afine e coloque mais lenha na fogueira da
interpretação da própria linguagem, mesmo sabendo que o arquétipo tenha sido
premonitório, essencialmente místico, ou o tanto que nos bastava para matar a
sede nos “intervalos” entre um ato falho e um chiste.
Aquilo que tanto se nos
bastou para acompanhar a história e ver, na degradação de um milênio culminado
na horda, alguns signatários, vêm com seus desafiadores e pressurosos atos de
xenofobia e racismo, enquanto em outros hemisférios a história desvela novas
formas de supremacia na atitude de grupos e minorias que agem para tornar o
poder e a mesma citada barbárie algo comportados no viés das esferas do poder, da
supremacia étnica, do que antes fora escravo: no gênero, no número e no grau.
Silenciosamente, como se fora algo previsível, como em um sonho, onde não há
meios termos, mas apenas aquela pulsão aflorada, uma questão de ordem vertical,
pseudodemocrática, pois trata-se da questão de certos embates como que de um
lado da mesa equalizadora, abolindo-se o stéreo, e tocando o mesmo áudio nas
duas caixas. Como na banalização do ânus, a se citar que esse orifício possui
uma musculatura, que cansa de fazer aquilo de se praticar eroticamente apenas
essa realidade... Mesmo que se saiba que incentivo chauvinista continuar a
haver para que a mulher trabalhe seu glúteo no sentido de manter a união,
estável ou não, como se um extraterrestre já mandasse ver na não perpetuação da
espécie, pois o homem do milênio prefere estar com o mandato do ostracismo
espiritual, a ver que na realidade aumentada o acaso o transfere com a ausência
da responsabilidade, nua e crua, de se fazer valer da sua posição e evadir do compromisso
parental, seja qual for, justamente para ser um tipo de patrão de si mesmo ou
de um grupo, onde se tornará dono de um harém, ou coisa que o valha... As
pulsões tornadas em seu modo mais grotesco se tornam possíveis, e o superego
não censura, com os alicerces do pré-consciente, seu parceiro inevitavelmente
mais afeito a uma vida civilizada. Essa liberação da pulsão vinculada à adição
às substâncias as mais variadas, faz com que as famílias se diluam, caia o “nome
do pai”, o “grande outro” na questão não substitutiva, e a necessidade do que antes
seria terapia algo de acaso mesma, se torna esfera da intervenção psiquiátrica
frente a diversas modalidades deste que seria o “estigma do milênio.”
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