quinta-feira, 8 de outubro de 2026

O PODER SUPERIOR, ASSIM COMO O CONCEBEMOS


              A espiritualidade não é dádiva do acaso, muitos professam suas crenças em divindades quaisquer, há tribos no planeta que devem à Natureza seus ritos, na alma dos rios, das pedras, das montanhas, e tudo vem do mesmo Criador, se formos considerar a semântica teológica mais pura, mesmo sabendo que existe uma Entidade Viva Suprema além de toda a ignorância e seus modos. Jamais devemos ser fundamentalistas religiosos, e as linhas que levam à compreensão de Deus, por vezes se aproximam, por vezes se afastam, em seus meandros que nos direcionam à transcendência, às naturezas da fé, e quanto nos esforçamos para estar nos caminhos que nos levem a uma vida realizada espiritualmente.

              Há pessoas que se recuperam do alcoolismo que creem em um Poder Superior, assim como elas concebem, e esse Poder pode estar até mesmo presente no grupo de recuperação, na partilha de um membro, na religião de preferência, ou até mesmo no modo como vemos a Natureza e seus diversos seres. Isso funciona sobremodo na recuperação desses enfermos vitimados pela dependência do alcoolismo e outros vícios, porventura ocorram, como o tabaco, e etc. Como conceberam seus cofundadores, esse Poder essencialmente era cristão, era Deus, mas depois que a irmandade se espalhou para os quatro cantos do mundo, a espiritualidade migrou para as faces de muitas religiões, entre elas o budismo, o taoísmo e tantas outras designações que mesmo entre populações indígenas o álcool e as drogas se tornaram o grande obstáculo a ser superado, e não mais a divisão entre as religiões, aliás, ter-se-ia menos problemas no mundo se não houvesse essa citada divisão... No que tange às religiões, cada qual escolhe a sua, e isso é condição que inevitavelmente corre na humanidade, mesmo porque argumentar em favor de tal ou qual designação dessa ordem não gera maiores frutos do entendimento humano, essa dádiva que recebemos do Espírito Santo, e está presente na Santíssima Trindade, na visão católica e sua pressuposição.

              O encontro com Cristo pode ser uma realidade mais solitária de um devoto, assim como se esse devoto caminha silenciosamente em Sua direção, esse encontro parte do princípio de ser algo particular de sua mais íntima fé, diante de Deus Pai o Todo Poderoso e a presença inequívoca do Espírito Santo. Todos os adictos carregam suas cruzes, e isso por isso tenha sido a motivação principal de Bill W., um dos cofundadores da Irmandade dos AA ter adotado a Bíblia Sagrada e ter se vinculado ao cristianismo fortemente para salvar muitos alcoólicos das suas bebedeiras. Mas com a sua ampliação, vemos que a irmandade já está em dezenas de nações, e cada qual concebe o Poder Superior ao seu modo, não importando tanto, em termos de recuperação, se isso será obtido na concepção católica, evangélica, budista ou Hare Krishna. Há níveis de consciência no planeta, e esses níveis são mais ou menos elevados, assim como há homens santos e pobres diabos, ou gente com mentalidade demoníaca. Assim como há ateus de bom caráter no mundo, igualmente há pessoas que se devotam a cultos e são criminosos e facínoras em sua vida particular, e não são poucos esses elementos... Por vezes, em nome de Deus há fascistas ou gente da pior espécie, como se Jesus Cristo preferisse os ricos e poderosos, em detrimento dos humildes e pobres. Portanto, não é exatamente a designação religiosa que impõe os limites da santidade, mas a alma mais íntima dentro da relação que possuímos com nosso Deus, seja na contemplação do voo de uma gaivota, seja na cruz que carregamos em nossa missão pelo mundo...

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