domingo, 11 de outubro de 2026
Não têm juízo são aqueles a quem desagrada alguma coisa da Vossa criação — como não o tinha eu, quando me desagradava muito daquilo que fizestes. E, porque a minha alma não ousava desagradar-se do meu Deus, não queria ter por Vosso aquilo que lhe desagradava. Daí caíra ela na opinião das duas substâncias, e não tinha repouso, e falava tolices. E, voltando dali, fizera para si um Deus estendido por medidas infinitas de todo o espaço, e julgava que éreis Vós, e o colocara no seu coração; e tornara-se de novo o templo do seu próprio ídolo, abominável para Vós. Mas, depois que me acariciastes a cabeça, sem que eu o soubesse, e me fechastes os olhos para que não vissem a vaidade, deixei um pouco de ser o que antes era, e o meu delírio adormeceu; e despertei em Vós, e Vos vi infinito, mas de outro modo — e esta visão não vinha da carne. CONFISSÕES, SANTO AGOSTINHO.
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