Amortecer
um semblante cáustico dentro do peito, andar pelas ruas como um sonâmbulo,
saber que somos limitados em nossa cabeça animal, saber que estamos como que paridos
pelo vento, denota que somos mais do que a humílima condição em que nos
encontremos resolva a íntima questão do querer. Não querer que a razão seja a
condição primeira, posto seremos também irracionais até mesmo no caráter,
sermos duros com relação à condição humana, e querermos supor finalmente que a
verve que nos une em uma palavra nos remeta ao ostracismo de uma doença
psicossomática, ou uma adição severa a uma substância, mesmo que os caminhos
que nos levem à sanidade ainda sejam de ordem espiritual... A importância mesma
da vida não pede a nós uma passagem, e ainda que naveguemos por oceanos de
tentações por vezes a que consideremos insuportáveis, na questão dos vícios e
sua Natureza, algo de consciência se faz necessário para girarmos o timão na
direção certa, e estarmos vigilantes, para no melhor das contas, redarguir à sanidade da qual fomos subtraídos, a possibilidade de que Deus se nos a devolva
com todo o Seu poder e Sua glória. Por vezes há dilemas e equações intangíveis
no meio do caminho, e os inimigos de nossas contendas mais duras nos impõem
severos grilhões em tempos onde as casas e os nichos das ruas nos colocavam
reféns de caminhares pouco tranquilos e lutas que participavam do mesmo ocaso
onde víamos nossos destinos.
Estaríamos
mais silenciosos se guardássemos o tesouro por baixo de claustros sagrados, se
urgíssemos ver na cruz o símbolo que nos redima, mesmo que a carreguemos por
muito tempo seu peso, mesmo que nosso carma seja mais duro diante de um
espírito que nos observe por um acaso de frêmito, ou que seja o tempo mais do
que um juiz diante de nossas causas mais secretas. A vertente que nos indique
sermos mais do que um simples amontoado de carne, ossos e sangue, nos faça crer
que a vida que se nos pulsa nas veias é a parte que não críamos existir sequer,
onde nosso pulmão pede passagem, e onde um acidente vascular seja mais raro...
Animicamente, por baixo de nossa carne, bem no fundo de nosso ser, reside
espiritualmente uma força que nos impele, e essa força é espiritual, a fonte de
nossa vida. A não ser que não achemos a questão assim como se fora de forma
gratuita, a vida – ela mesma – dependerá a maior parte do tempo de uma atitude
quase sagrada em se perpetuar, assim como a encerrarmos no nosso quinhão
eterno. Quando atingirmos um padrão de limpeza de substâncias, quando formos
caretas de todo, limpos do álcool e das drogas, assim como dos cigarros,
estaremos mais afeitos a sermos, essencialmente, o que esperávamos encontrar diante
de muitos dissabores da Terra. Mesmo que o tempo passe, que as guerras de cunho
materialista se desenvolvam e retornem a este planeta, saberemos que muitas
dessas questões encontram no reino das religiões suas motivações mais
concretas, e que no mais das vezes, a própria e enumerada religião – sob o
tempo eterno – não era tão eterna assim...
Poderemos
encontrar entes poderosos, forças antagônicas que nos remetam ao fracasso, mas
devemos considerar que certos erros podem ser remediados diante de um perfil
onde nos aproximemos da bondade, do altruísmo, e de uma elegância de caráter,
onde nem sempre o que nos espera seja algo que não possua volta, ou mesmo algo
que seja uma fatalidade, posto nem só de pontos vive um homem ou uma mulher, mas
cumprir com nossos deveres sem procrastinar nossos tempos é que nos fazem
certamente pessoas melhores. Essa atitude nos coloca em ação, e ação em
consciência de Deus é ação de fato, pois já nos remete a um tipo de vigilância
suprema, dentro de um universo de possibilidades, onde qualquer um de nós
saberá a hora certa de estar comprometido consigo, e qual será a dianteira do
que teremos na vida, seja ela dificultosa ou não, mas certamente distante das
criaturas acima citadas, ou o que quer que elas signifiquem em nossa
existência, sejam elas falsos companheiros, canalhas, ou senhores da guerra.
Isso faz com que a nossa renúncia em lutar por batalhas mercenárias realoque a
questão do Poder precariamente fornecido por oligopólios e interesses outros
que não sejam o humanismo e a solidariedade entre os povos venham a dar sentido,
na ação em desertarmos das batalhas pelas quais não deveremos – por uma questão
de dever – de sequer pensar em travar.
Quando
remontarmos o quebra-cabeças histórico dos viventes e o que fizeram para passar
bem suas vidas, o xeque-mate dos opostos não encontrará como levar a termo seu
movimento, e o rei inimigo cairá... Desse modo, nesta mesma forma a questão não
seria saber exatamente como anular o movimento da oposição, mas certamente
aqueles que não desejam o bem de nossas populações mais pobres, que fazem por
desmerecer todo um movimento político a favor de um critério mais justo
socialmente, encontrará o reflexo existencial na vida que pulsa a favor de um
programa que jamais será reducionista, outrossim, mas apenas uma modalidade de
se fazer da vida nosso propósito mais elementar, e quiçá até mesmo científico.
Não negando o serviço de ajuda hospitalar, continuando com o SUS e sua
implementação paulatina, continuando como está, o Governo atual tem tudo para
dar certo, desde que devidamente observada a continuidade de se suprir as
demandas que se jacta possível na esfera assertiva dos propósitos da citada
continuidade. Por isso devemos viver. Para prosseguir lutando por melhores
dias, e a partir do momento em que o ser social se sentir útil para seguir sua
seara permanentemente a favor dessa democracia, e contra a tirania como um todo,
mesmo sabendo que há agentes externos trabalhando em sua função, a Pátria Brasileira como um todo deverá estar coesa e soberana.
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