domingo, 10 de maio de 2026

A ESPERANÇA NO OLHAR DOS AFLITOS


              Quem dera se fôssemos de quadrantes inumeráveis onde nem pudéssemos contar seus veios, suas plataformas, de onde retirássemos a energia quando justamente esta nos faltasse naquelas horas de ostracismo onde a letargia de um não agir desse espaço para nos associarmos a substâncias estimulantes... Isso na realidade é não apenas possível, como absolutamente praticável. As artes em geral dão esse ganho de energia, em especial as marciais. Exercitar com um bambu ou cabo de vassoura pode ser extremamente sadio para implementar as forças que sói estarem adormecidas diante de nós, e desenhar, sobremodo nos tira do ostracismo mental, assim como a literatura em geral, especialmente a poesia, pois podemos sim fugir de vícios como o da nicotina praticando dessa forma. Você pode ensinar a seu aluno como fazer os primeiros passos em direção à recuperação, estimulando-o a praticar sempre que der a fissura qualquer das modalidades acima descritas, e a esperança pode voltar a brotar em um olhar aflito. Se a pessoa se articula em se movimentar e partir para a ação, se houver motivação sincera e desmontar a cadeia da aflição nesse sentido, ela pode chegar a ter um domínio maior sobre que é e tomar consciência, não apenas de seu espaço físico, mas mental, e ter as ferramentas necessárias para sair do citado ostracismo existencial onde se encontrava, outra vez – repetindo – praticando dia a dia suas tarefas a serem empreendidas em conformidade com sua luta pessoal. Do contrário, será cada vez mais difícil para ela sair desse movimento autofágico.

              Os caminhos para se sair da depressão são os mais variados, e se o homem quiser, ele pode sair, mas precisa se ajudar para tanto, no mínimo movimentando o corpo e sua massa cinzenta. Um bom terapeuta, porventura quando porta uma enfermidade psíquica, pode se utilizar de sua própria experiência como a sua superação compartilhada, e os caminhos que se utilizou e utiliza para obter resultados favoráveis à sua própria pesquisa nesse campo, até que se cumpra no paciente a prerrogativa de que, dentro de um espectro amplo o suficiente, se possam aplicar os desenvolvimentos na psique de cada qual, em um tipo de convivência onde as aflições cedam lugar à esperança, no movimento que cesse por instantes os momentos de fissura, onde cada vitória obtida sobre o vício remonte o quebra-cabeça que dirima as dúvidas na adição de um paciente. Quando algo como um desejo de fumar seja praticamente insolúvel em termos de predisposição mental, deve-se capitular e nada pode ser feito, pois a compulsão passou a ser patologicamente incontornável em certas situações. Mas se, por outro lado, se os exercícios propostos derem cabo de uma compulsão, e o paciente puder esperar ao menos mais uma hora até virem as próximas vontades, uma estrela será colocada na folha que ele anota, como um etapa vencida favoravelmente. Outrossim, se isso não ocorrer diante do ânimo que o paciente tiver em si mesmo, a derrota de uma tentativa a mais pode se consolidar. No entanto, as tentativas são sempre válidas enquanto o tempo continuar a ser o paradigma que encerra nos vieses da vida os seus mistérios, e a saúde puder ser a vereda mais lógica para se empreender a virtude da recuperação... Sabermo-nos mais lúcidos perante o processo da dita recuperação fará com que nos encontremos com os ditames que pronunciam esferas de produção que podem ser equacionadas com a inspiração divina, ou com a aproximação paulatina nas vertentes de um saber melhor pronunciado. A saber, quando temos algo a realizar, seremos atores e não espectadores simples da ação, e a ação quando posta em prática é algo insubstituível. O rumo certo a tomar, a ciência que realize algo e a forma ideal da citada prática, são os fatores que anunciarão os resultados concretos onde aquilo que se pretende e faz se aproxima daquilo que se almeja. Não que queiramos ser os próceres da recuperação do tabagismo, mas tudo aquilo que segue adiante rumo a esse objetivo pode ser de uso de alguém que tenha a simples intenção de dar continuidade com esse tipo de modalidade de fato.

              A qualquer um que se quisesse afirmar o oposto do descrito acima, poderia ser uma simples contraordem, ou algo que não casasse bem com a operacionalização de questões relativas e positivas ao tema. A mera cautela em prosseguir com andamentos desse libertar-se de grilhões tão aferrados aos nossos pés por si só já subentende não se permitir amalgamar substratos que deem andamento a uma questão tão fundamental. Não se pode auferir os ganhos suficientemente em escalas temporais, mas na realidade há casos em que o tempo é fator circunstancial para tanto. Se alguém já demanda cuidados médicos para largar qualquer vício, é de vital importância cessar imediatamente com ele, mesmo porque não há tempo suficiente, em muitos casos, em que questões de gravidade ímpar venham a fazer com que a própria medicina, além obviamente da preventiva, que já possui a sua função primordial, delimite a questão da cessação do tabagismo ou mesmo do alcoolismo, questão essa que em diversas modalidades de enfermidades decorrentes ou consequentes do uso revelam a ineficácia da redução de danos na maior parte dos casos graves. Consequentemente, a abordagem médica já é um sinal de que na realidade os casos patológicos fogem ao sistema unicamente psiquiátrico que influencia por vezes um pouco a procrastinação dessa cessação, ou mesmo de grupos de recuperação única e simplesmente, quando o caminho já está delimitado, por onde não há retorno se não houver intervenção da citada medicina...


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