sexta-feira, 24 de abril de 2026

O INCONSCIENTE MÍTICO


              Em eras como a nossa, profundamente vinculadas à fantasia, a sombras que Jung tanto citara como fazendo parte de nossa psique mais sutil, esse mundo em que verdadeiras polarizações não apenas de ordem energética, mas existenciais, já são parte inequívoca de nossos processos de ordem em que procedemos tendo atitudes meio dúbias com relação a razões que encampam fatores cruciantes para nós, em se tratando muitas vezes da própria saúde e nossa integridade física e por vezes moral, pois de compromissos não devemos nunca atentar contra a nossa própria vida, já que zelar por ela é dever de um ser com juízo perfeito. Por vezes o mito que existe em nós depõe contra a saúde ou mesmo a sua manutenção, quando o arquétipo que nos encerre em travamentos, não propriamente se manifeste em sonhos, mas simplesmente em aspectos somáticos de nossa psique, como a maldade personificada, a ira, ou as emoções de que estaremos influenciados por espíritos ruins, ou coisas do gênero, como demônios ou afins, essas projeções culturais que podem atrapalhar muito o andamento da saúde como um todo. O impulso gratuito, meio que no vício, a tentação, e o mito cristão traduzido pela espiritualidade necessária, esse Deus que nos abraça, e que possui a oração maior, que diz para não cedermos às tentações, e livrarmo-nos de todo o mal, esteio que separe o caudal do que chamamos de mito para aquilo que se torne real, a ordem de Cristo, os seus milagres, a conversão, uma missa solene, e o que tudo isso pode significar para que o fiel não ceda – de fato – à tentação de fumar um cigarro, ou de tomar o primeiro gole. O próprio Cristo não cedera às tentações, quando dele se compunham oferecimentos em que o Diabo a ele tentara, no deserto, com todos os reinos do mundo...

              Hoje, com a nova mídia, os meios digitais, a influência da IA e a geração do “ilusionismo eletrônico”, os milagres vistos podem ser mais factíveis, e Cristo caminhando sobre o mar, nada mais seria na tela de um computador do que um truque, assim como todo o pretenso cosmos visto na tela digital se encerra, quadraticamente, na aura da percepção bidimensional, não obstando o fato de que há óculos com percepções tridimensionais, e hoje já se conjectura a própria espiritualidade como fator neurológico e adjacências... No entanto, o inconsciente coletivo permanece, apesar de muitos males mentais e seus medicamentos restringirem a incidência dos sonhos, por vezes, mas o arquétipo como um todo existe, por mais que a civilização desenvolva e “evolua”, se essa é a palavra mais certa, pois no sentido exato da palavra, o que acontece com o ser humano é seu retorno a camadas reptilianas de seu próprio inconsciente, com as modalidades de consumo desenfreado, de não se ter mais a noção clara entre o certo e o errado, e da emergente e cáustica questão das drogas como recurso artificial e químico não apenas para se ter mais performance em certos sistemas de produção, no caso daquelas que estimulam, como de fugir do sistema, naquelas que alienam, como a marijuana, no segundo exemplo, e a cocaína, no primeiro.

              O espaço para o sonho, a esteira das emoções, a gôndola dos afetos, tudo é motivação comercial, trocas, câmbios, no que vem a dar no mesmo o enfisema, o câncer, a cirrose, a pancreatite, a diabetes, ou a loucura. Fazem parte do mesmo andaime, dos mesmos resultados, e as doenças degenerativas, tudo alimenta a engrenagem, e a medicina se torna uma função primeira na sociedade, cada vez mais requisitada... Tudo o que fazemos, embalados por impulsos, e Freud falava em superego e pulsões, tudo o que não é recalcado... E Jung passa a falar do inconsciente não como resultado apenas de um depósito, mas sim da Natureza mesma do ser humano, gerador precípuo do consciente, amálgama do Eu, construtor do Self. Milênios se passaram, e encontramos todo um inconsciente coletivo que o homem passa a vivenciar na modalidade de seu ser, quando muitos jogos criados na contemporaneidade, inclusive de tabuleiro, quando fogem da tecnologia pura e simplesmente, são produzidos e criados por mitólogos em alguns casos que permeiam o imaginário de usuários que atravessarão pelo arquétipo do herói, por batalhas, estratégias, história e levitarão sobre ordens antigas, mitos que são recriados e repovoados, por vezes nas plataformas multiplayers, onde encontrarão em parceiros moradores do além fronteiras, ou contendores na IA com estágios avançados de conhecimento e performances, que não encontram uma previsibilidade fácil... Por isso a mítica está avançando sobre a tecnologia, e antes o que era o sonho noturno, se torna um sonho em vigília, onde o povoamento de seres os mais vários, e certos mundos que nos jogos eletrônicos não são ilusão, mas funcionamento, passam a existir de forma inequívoca no planeta, inclusive os puzzles, e aquelas modalidades de trabalho onde verdadeiras e maravilhosas ferramentas de trabalho digitais ajudam os usuários e empreendedores a organizarem melhor os seus fluxos de produção, assim como a administrar seus negócios.

              Sinteticamente, o inconsciente aflora no consciente fazendo parte dele mesmo, no Self construído, com toda a mítica da tecnologia que ao mesmo tempo insinua sistemas inalcançáveis na elaboração, mas na contra parte não reduz o ser humano a plataformas alienantes, pois amplia enormemente a percepção do mundo digital. Resta apenas a nós, Natureza Humana, ampliar a consciência planetária para sabermos que a devastação que nossa raça faz com o mundo não é digna de descaso, e que devamos prosseguir com os ditames da fé, pois não há um cristal de silício que não seja criação de Deus...

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