quarta-feira, 22 de abril de 2026

O CULTIVO DA FÉ


              Não que fosse geral, ou de um particular enquanto genericamente, o cultivo da fé na forma em que a conheçamos, mas de um modo qualquer, uma prova de fogo é quando estamos angustiados por algo, por uma dependência qualquer, um vício que aparentemente é maior que nós mesmos, seja por um exemplo cabal o álcool, a nicotina, a coca ou a maconha, para enumerar os mais comuns, qual não fora o crack, essa estranha forma de um vício avassalador igualmente, que tanto acomete muitos seres humanos nas ruas e gentes de posse, conformes com a adição que mantém com diversas formas do comportamento humano e seu viés do uso. Unicamente por essa questão, das dependências químicas como um todo, e da saúde mental, que muitas vezes – paradoxalmente – é impulsionadora desse modal, a fé é uma forma em que o homem ou a mulher, pode se agarrar, na forma da oração, da mudança de atitude perante a vida, cultivando-a como se faz carinhosamente com uma planta que demande cuidados como o adubo, a rega e a poda.

              Estabelecer metas diante da vida, procurar grupos de recuperação, onde se forme um tipo de vínculo mais estreito com uma coletividade de mútua ajuda, escutar o depoimento de companheiros, ou seja, ingressar em uma irmandade de doze passos, ler a literatura de apoio, vem a calhar com a prerrogativa que será na espiritualidade sem fronteiras que estabelecemos o citado apoio do qual tanto necessitamos. O hedonismo excessivo, o materialismo que travamos conosco, a fuga da realidade, o ritmo frenético das cidades e do trabalho, todas essas questões, podem influir para que busquemos na dependência química o que acharíamos fosse um conforto aparente para o que cremos ser uma vida vazia, sem o motivo real de encontrarmos a paz que nos foge entre os dedos quando, por exemplo, fumamos do tabaco sem parar, ou mesmo consumimos a cocaína para termos mais performance em determinadas atividades, ou quando a mesclamos com o álcool, mescla essa extremamente explosiva em qualquer situação, posto estaremos colocando em risco nosso coração, rins, fígado, ou mesmo nossa saúde mental, expondo a nós mesmos nossa vulnerabilidade diante de nossa fraqueza espiritual, quando esquecemos que, além de toda essa parafernália, a vida de Deus é algo que nada tem a ver com as drogas. Justamente o oposto: uma vida mais contemplativa e mais relacionada com Ele perfaz sermos harmonicamente unos com a Natureza, com o cosmos, a termos uma vida mais integrada com as boas coisas, a nutrirmos a virtude, os bons pensamentos, e desenvolvermos a serenidade com coisas boas e ruins, e a termos a coragem necessária para enfrentarmos, sem a ajuda ilusória de substâncias que apenas nos tiram o equilíbrio mental, aquilo que possa ser passível de mudanças, dentro de nossas reais possibilidades.

              Devemos nutrir um sentimento por Deus, e isso pode ser amplamente realizado lendo os Evangelhos e praticando comiseração real, a empatia necessária pelo próximo, como se víssemos naqueles que passaram pelos mesmos percalços que sofremos, um quilate de compreensão da realidade que enfrentamos na sociedade, que não é aquela ideal, onde quando achamos que tudo seria melhor, por vezes nos passa por certos dissabores amargos em nossa existência. Por fim, a fé tende a crescer, é prática diária, é através da oração que obtemos o fruto imperecível de Cristo, o alimento que jamais perece, e é através dele que nos encaminhamos para uma vida mais plena aqui na Terra e para todo o sempre...

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