quarta-feira, 15 de abril de 2026

DOIS PESOS, UMA MEDIDA...


              Relembremos sempre o fato de que pesa sempre para o lado do mais fraco a sacola mais pesada: de pedras, de alumínio, não de víveres, não de moedas... O peso do carrinho de mão, a pá da obra, o vergalhão de ferro, o martelo que prega, a caixa de ferramentas. Seria bom termos emprego para todos, mas esse é o preço da medida, de um orçamento que não encaixou, de uma vida voltada à penumbra de um sonho inatingível. Até que ponto podemos sonhar acordados, até que ponto poderíamos conversar sobre a convergência social, ou sobre os sinais de Deus? Posto fôssemos melhores quem sabe se a mesa estivesse farta todos os dias, ou mesmo diante de nossa batalha em se ganhar esse merecido pão. Não seríamos talvez tão melhores assim, mas diante do fato de podermos ao menos discernir o que é certo do que é errado, quiçá fosse feita a vontade de um supremo Senhor, assim diria a fé, assim diz o bem portar-se, não é mesmo? A sensatez pede não uma necessária resposta, mas sim a anuência desse Poder que nos enleva e ilumina... Reza a cartilha que um ser humano, principalmente em um país como o nosso empreenda a sua tarefa de viver em harmonia em conformidade com o seu meio, mas por vezes a balança pesa mais de um lado, e a medida deles não corresponde exatamente ao que é justo social ou economicamente.

              Muitos quiçá afirmassem: o que é correspondente social, o que é algo mais justo nessa seara, se na realidade, esses tais nem sabem que o que é ponderável pode não dizer respeito a alguém muito rico, mas àqueles que dão duro para colocar o dito pão à sua mesa talvez encontrassem correspondentes à altura desse assunto. Poder-se-ia dizer que tal ou qual pessoa não teria sequer uma opinião formada, talvez por falta de ciência política, ou mesmo na prática do trabalho, mas na contraparte já teria se manifestado diversas vezes sobre problemas outros que, porventura, poderiam ser oriundos do processo de se tomar consciência do aspecto social, ou mesmo de outro, de qualquer Natureza.

              Não haveria como contestar coisas como o mercado, pois essa questão é deveras complexa, e mesmo a análise mais rigorosa não compreende a real dimensão desse viés, como na realidade o mesmo mercado são todos os itens que comercialmente estão dispostos no planeta, mas ao menos devemos saber que uma coisa como o combustível: a gasolina, afeta tudo o que depende de seu transporte, ou mesmo da sua produção. Aquilo que é inerente a uma básica compreensão de certos fatos, assim como um pouco de história, há que dizer respeito à necessária educação de nossos filhos, bem como a compreensão de que sem essa educação não se faz uma nação desenvolvida como um todo. Não precisamos compreender a filosofia nem a sociologia, para entender como se procede a vida, mas um pouco de ciências humanas, exatas e biológicas são essenciais.

              Nesse ser ou não ser do saber, os temas essenciais ao parecer do que podemos arguir a respeito mesmo da vida, tal qual ela se nos apresenta então, no correr dos dias e do processo mais íntimo de nossa existência, nos dirá que estaremos mais próximos dos dias em que existir, como foi citado, será mais pleno à luz de nossos dias, e nas noites descansaremos um sono merecido mais do que necessário para coadunarmos e exemplificarmos adiante de nós mesmos o que vem a ser um proceder mais exato com relação a nossa vida e suas intercorrências naturais. Assim sendo, é mais fácil rumar rumo à felicidade do que distante dela, mas apenas se a luta empreendida for a favor de mais justiça social, ou ao menos se ter consciência ou empatia, ao sabermos de que aquele ser humano que sofre os dissabores da existência por vezes está sendo esquecido por instituições ou governos que os colocam em situação de miserabilidade que um determinismo aparente não perfaz a geometria correta dos fatos...

              Ansiar por melhor qualidade de vida para todos no mínimo é uma atitude mais saudável do que uma simples aparência, e lutar para sermos melhores e mais críticos nem sempre é uma ação que não seja muito saudável, pois exercermos esse papel de crítica perante o escopo social traduz não apenas uma participação inequívoca de transformadores sociais mas igualmente de partirmos para uma prática não propriamente assistencialista, mas de ações mais profundas nas raízes ou nas causas que fazem as coisas evoluírem sem aparentar mudanças, essas que são necessárias, mais do que imaginamos sequer. Não seremos jamais fantoches ou coringas de nós mesmos, seremos mais do que pretenderíamos, com colocações pertinentes, com a vida pulsando ao nosso redor, com a comiseração e a compreensão da realidade do próximo, e com a alteridade necessária em sabermos como agir na pele “do outro”, como se fôssemos nós mesmos aqueles que sofrem por algo, sem saber nem onde e nem como vivem. A escala da vida pede passagem, como a uma coisa a ser galgada, como etapas a cumprir, essa vertente que não restaura apenas a nós mesmos, mas a todos aqueles a que se queira repartir o quinhão de uma experiência exemplar a ser vivida e experimentada, a partir de nós mesmos e em comunhão com quem queira viver desse modo...

 

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