Relembremos
sempre o fato de que pesa sempre para o lado do mais fraco a sacola mais pesada:
de pedras, de alumínio, não de víveres, não de moedas... O peso do carrinho de
mão, a pá da obra, o vergalhão de ferro, o martelo que prega, a caixa de
ferramentas. Seria bom termos emprego para todos, mas esse é o preço da medida,
de um orçamento que não encaixou, de uma vida voltada à penumbra de um sonho
inatingível. Até que ponto podemos sonhar acordados, até que ponto poderíamos
conversar sobre a convergência social, ou sobre os sinais de Deus? Posto
fôssemos melhores quem sabe se a mesa estivesse farta todos os dias, ou mesmo
diante de nossa batalha em se ganhar esse merecido pão. Não seríamos talvez tão
melhores assim, mas diante do fato de podermos ao menos discernir o que é certo
do que é errado, quiçá fosse feita a vontade de um supremo Senhor, assim diria
a fé, assim diz o bem portar-se, não é mesmo? A sensatez pede não uma
necessária resposta, mas sim a anuência desse Poder que nos enleva e ilumina...
Reza a cartilha que um ser humano, principalmente em um país como o nosso
empreenda a sua tarefa de viver em harmonia em conformidade com o seu meio, mas
por vezes a balança pesa mais de um lado, e a medida deles não corresponde
exatamente ao que é justo social ou economicamente.
Muitos
quiçá afirmassem: o que é correspondente social, o que é algo mais justo nessa
seara, se na realidade, esses tais nem sabem que o que é ponderável pode não
dizer respeito a alguém muito rico, mas àqueles que dão duro para colocar o
dito pão à sua mesa talvez encontrassem correspondentes à altura desse assunto.
Poder-se-ia dizer que tal ou qual pessoa não teria sequer uma opinião formada,
talvez por falta de ciência política, ou mesmo na prática do trabalho, mas na
contraparte já teria se manifestado diversas vezes sobre problemas outros que,
porventura, poderiam ser oriundos do processo de se tomar consciência do
aspecto social, ou mesmo de outro, de qualquer Natureza.
Não
haveria como contestar coisas como o mercado, pois essa questão é deveras
complexa, e mesmo a análise mais rigorosa não compreende a real dimensão desse
viés, como na realidade o mesmo mercado são todos os itens que comercialmente
estão dispostos no planeta, mas ao menos devemos saber que uma coisa como o
combustível: a gasolina, afeta tudo o que depende de seu transporte, ou mesmo
da sua produção. Aquilo que é inerente a uma básica compreensão de certos
fatos, assim como um pouco de história, há que dizer respeito à necessária
educação de nossos filhos, bem como a compreensão de que sem essa educação não
se faz uma nação desenvolvida como um todo. Não precisamos compreender a
filosofia nem a sociologia, para entender como se procede a vida, mas um pouco
de ciências humanas, exatas e biológicas são essenciais.
Nesse ser
ou não ser do saber, os temas essenciais ao parecer do que podemos arguir a
respeito mesmo da vida, tal qual ela se nos apresenta então, no correr dos dias
e do processo mais íntimo de nossa existência, nos dirá que estaremos mais
próximos dos dias em que existir, como foi citado, será mais pleno à luz de
nossos dias, e nas noites descansaremos um sono merecido mais do que necessário
para coadunarmos e exemplificarmos adiante de nós mesmos o que vem a ser um
proceder mais exato com relação a nossa vida e suas intercorrências naturais.
Assim sendo, é mais fácil rumar rumo à felicidade do que distante dela, mas
apenas se a luta empreendida for a favor de mais justiça social, ou ao menos se
ter consciência ou empatia, ao sabermos de que aquele ser humano que sofre os
dissabores da existência por vezes está sendo esquecido por instituições ou
governos que os colocam em situação de miserabilidade que um determinismo
aparente não perfaz a geometria correta dos fatos...
Ansiar
por melhor qualidade de vida para todos no mínimo é uma atitude mais saudável do
que uma simples aparência, e lutar para sermos melhores e mais críticos nem
sempre é uma ação que não seja muito saudável, pois exercermos esse papel de
crítica perante o escopo social traduz não apenas uma participação inequívoca
de transformadores sociais mas igualmente de partirmos para uma prática não
propriamente assistencialista, mas de ações mais profundas nas raízes ou nas
causas que fazem as coisas evoluírem sem aparentar mudanças, essas que são
necessárias, mais do que imaginamos sequer. Não seremos jamais fantoches ou
coringas de nós mesmos, seremos mais do que pretenderíamos, com colocações
pertinentes, com a vida pulsando ao nosso redor, com a comiseração e a
compreensão da realidade do próximo, e com a alteridade necessária em sabermos
como agir na pele “do outro”, como se fôssemos nós mesmos aqueles que sofrem
por algo, sem saber nem onde e nem como vivem. A escala da vida pede passagem,
como a uma coisa a ser galgada, como etapas a cumprir, essa vertente que não
restaura apenas a nós mesmos, mas a todos aqueles a que se queira repartir o
quinhão de uma experiência exemplar a ser vivida e experimentada, a partir de
nós mesmos e em comunhão com quem queira viver desse modo...
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