quinta-feira, 9 de abril de 2026

A SENSAÇÃO, A FÉ, OU CERTEZA, E O PENSAMENTO

 

              Nos colocaríamos em uma tétrade Jungeana, como com o ego no centro, o pensamento no seu norte, o sentimento no sul – ambos racionais –, a sensação no oeste, e a intuição no leste – ambos irracionais. Trata-se, aqui, de um elemento que pode ser arquetípico e norteador do self: a fé, dando a crer que a unicidade de um homem passe a ter no seu quadrante mais forte o norte e o oeste... Já que ele olha para a Natureza não como ser que dela diste, mas que navega como participante dela, como semente de uma árvore maior, uma semente que se individualiza sempre, a partir mesmo da sensação de se ver o mundo com olhos sagrados, posto órgãos de sua percepção imanente: de como vê em um voo de pássaro a verdade de um juízo criterioso que o orienta em seus passos, ou como vê em um besouro a consecução de movimento espiritual maior, pois sabe que os seres humanos não contém em si ainda os frutos maduros da purificação espiritual em sua grande parte, e que são poucos os sábios que trilham por aí nas sendas do mundo, de forma autêntica, justamente fazendo parte da citada Natureza e a Ela servindo, como manifestação de Deus, e não a corroendo para que se tornem meros exploradores de sua riqueza, pois na economia Dela tudo já é o suficiente, bastando para isso que o homem caminhe dentro do “Movimento Circular da Luz”. Essa união com Deus se tornará uma prática tão cotidiana que, a partir de um momento em que todos os ensinamentos gerados pela Palavra, serão aplicados na prática em todas as atividades do ser, seja ele, vivência e arte, poesia concreta ou romântica, ou mesmo nos pensamentos que farão parte igualmente de seu cotidiano e, quando se torna só com a letra, passa a viver mais a face leste, a intuição, contrapondo-se ao saber lógico, ou mesmo a um passo onde escreva um tipo de diário sem hora nem lugar, na vida que se lhe apresentou: na mimese de sua fé, no arcabouço sereno em que se encontra com um concerto de Beethoven e escreve sobre algo que dê a comprovação e a latitude de sua individuação, o encontro com seu self, com seus sentimentos que deixara na gaveta (porquanto já estabelecera o valor para os tais), em que, placidamente, logo pela manhã, conversa consigo mesmo através da Palavra que se lhe brota, depois de um dia distante da nicotina, e das sensações que o levaram a tomar a ciência do melhor a se fazer diante de uma vontade de poder já arrefecida em seu ânimo, pois o verdadeiro poder de um sábio é ver que, na totalidade de seu inconsciente é que brota sua parte mais importante, que é a paz de espírito, ou a serenidade em prosseguir levando sua existência harmonização com seu self, ou si mesmo.

              A visão cósmica vai adiante, e os Vedas se tornam a mesma fé que o homem deixou tão evidente na Palavra descrita, e que Krsna apenas se revela dentro do escopo daquilo que humanamente seria praticamente impossível ao olhar da simples fé bíblica dos que apenas conhecem esse lado escritural... Um bronze de Radha-Krsna torna-se, em sua archa-vigraha, o próprio Deus, o Pai, o amigo, o irmão, o amante: a Suprema Personalidade de Deus, mesmo que alguma espécie de hoste não queira aceitar essa Verdade, que para um verdadeiro devoto é a Verdade Maior que há, a única, na acepção de se estar em um nível de consciência de onde vê tudo e todos do céu espiritual, muito distante da realidade da Natureza Material, mesmo estando encarnado neste mundo: palco de misérias e de dificuldades, onde nem mesmo considerando que seríamos quiçá agentes de simples arquétipos de um inconsciente coletivo que estaríamos conformes com a Natureza de uma fé que se torna o nosso maior complexo, o complexo ou arquétipo de Deus, que não entra em conflito, pois se torna gregário com o Ego, inflando-o sobremodo saudavelmente, mas paradoxalmente tornando-se menor que o grão de uma mostarda... Essa centelha que talvez Jung ainda não a tivesse percebido em sua espiritualidade, mas que se torna, dia a dia, a confecção do eu maior que possuímos, e que nos anima a carne, da parte do cosmos, igualmente, as forças imanentes, que faz com que uma formiga se anime com sua extrema velocidade e sabedoria dos animais, que são apenas sensações e nenhuma razão. Temos no cosmos a sabedoria alquímica em que Deus precipita e fixa, tornando o sangue de Jesus a própria ressurreição, pois ele era o avatar necessário naquele local e naquele instante, até mesmo para vencer um império e revelar ao planeta o poder de Deus, nosso Pai Celestial.

              De qualquer modo, cada ser humano tem, em seus fundamentos arquetípicos, a conformação de sua ciência espiritual, seus níveis de consciência, sua diagnose, suas crenças, suas buscas, ou sua cura. Havemos de tratar de sermos mais espírito que matéria, ou ao menos mais conscientes, pois toda a nossa busca trata de apenas sermos mais humanos em relação à Natureza, respeitando-a. No mínimo respeitando-a mais do que ao dinheiro, que nos tempos atuais tem se revelado cada vez mais, em nosso sistema, ser o nosso Poder Superior...

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