Nos
colocaríamos em uma tétrade Jungeana, como com o ego no centro, o pensamento no
seu norte, o sentimento no sul – ambos racionais –, a sensação no oeste, e a
intuição no leste – ambos irracionais. Trata-se, aqui, de um elemento que pode
ser arquetípico e norteador do self: a fé, dando a crer que a unicidade de um
homem passe a ter no seu quadrante mais forte o norte e o oeste... Já que ele
olha para a Natureza não como ser que dela diste, mas que navega como
participante dela, como semente de uma árvore maior, uma semente que se
individualiza sempre, a partir mesmo da sensação de se ver o mundo com olhos
sagrados, posto órgãos de sua percepção imanente: de como vê em um voo de
pássaro a verdade de um juízo criterioso que o orienta em seus passos, ou como
vê em um besouro a consecução de movimento espiritual maior, pois sabe que os
seres humanos não contém em si ainda os frutos maduros da purificação espiritual
em sua grande parte, e que são poucos os sábios que trilham por aí nas sendas
do mundo, de forma autêntica, justamente fazendo parte da citada Natureza e a
Ela servindo, como manifestação de Deus, e não a corroendo para que se tornem
meros exploradores de sua riqueza, pois na economia Dela tudo já é o suficiente,
bastando para isso que o homem caminhe dentro do “Movimento Circular da Luz”.
Essa união com Deus se tornará uma prática tão cotidiana que, a partir de um
momento em que todos os ensinamentos gerados pela Palavra, serão aplicados na
prática em todas as atividades do ser, seja ele, vivência e arte, poesia
concreta ou romântica, ou mesmo nos pensamentos que farão parte igualmente de
seu cotidiano e, quando se torna só com a letra, passa a viver mais a face
leste, a intuição, contrapondo-se ao saber lógico, ou mesmo a um passo onde
escreva um tipo de diário sem hora nem lugar, na vida que se lhe apresentou: na
mimese de sua fé, no arcabouço sereno em que se encontra com um concerto de Beethoven
e escreve sobre algo que dê a comprovação e a latitude de sua individuação, o encontro
com seu self, com seus sentimentos que deixara na gaveta (porquanto já
estabelecera o valor para os tais), em que, placidamente, logo pela manhã,
conversa consigo mesmo através da Palavra que se lhe brota, depois de um dia
distante da nicotina, e das sensações que o levaram a tomar a ciência do melhor
a se fazer diante de uma vontade de poder já arrefecida em seu ânimo, pois o
verdadeiro poder de um sábio é ver que, na totalidade de seu inconsciente é que
brota sua parte mais importante, que é a paz de espírito, ou a serenidade em prosseguir
levando sua existência harmonização com seu self, ou si mesmo.
A visão
cósmica vai adiante, e os Vedas se tornam a mesma fé que o homem deixou tão
evidente na Palavra descrita, e que Krsna apenas se revela dentro do escopo
daquilo que humanamente seria praticamente impossível ao olhar da simples fé
bíblica dos que apenas conhecem esse lado escritural... Um bronze de
Radha-Krsna torna-se, em sua archa-vigraha, o próprio Deus, o Pai, o amigo, o
irmão, o amante: a Suprema Personalidade de Deus, mesmo que alguma espécie de
hoste não queira aceitar essa Verdade, que para um verdadeiro devoto é a
Verdade Maior que há, a única, na acepção de se estar em um nível de consciência
de onde vê tudo e todos do céu espiritual, muito distante da realidade da Natureza
Material, mesmo estando encarnado neste mundo: palco de misérias e de
dificuldades, onde nem mesmo considerando que seríamos quiçá agentes de simples
arquétipos de um inconsciente coletivo que estaríamos conformes com a Natureza
de uma fé que se torna o nosso maior complexo, o complexo ou arquétipo de Deus,
que não entra em conflito, pois se torna gregário com o Ego, inflando-o
sobremodo saudavelmente, mas paradoxalmente tornando-se menor que o grão de uma
mostarda... Essa centelha que talvez Jung ainda não a tivesse percebido em sua
espiritualidade, mas que se torna, dia a dia, a confecção do eu maior que
possuímos, e que nos anima a carne, da parte do cosmos, igualmente, as forças
imanentes, que faz com que uma formiga se anime com sua extrema velocidade e
sabedoria dos animais, que são apenas sensações e nenhuma razão. Temos no
cosmos a sabedoria alquímica em que Deus precipita e fixa, tornando o sangue de
Jesus a própria ressurreição, pois ele era o avatar necessário naquele local e
naquele instante, até mesmo para vencer um império e revelar ao planeta o poder
de Deus, nosso Pai Celestial.
De qualquer modo, cada ser humano tem, em seus fundamentos arquetípicos, a conformação de sua ciência espiritual, seus níveis de consciência, sua diagnose, suas crenças, suas buscas, ou sua cura. Havemos de tratar de sermos mais espírito que matéria, ou ao menos mais conscientes, pois toda a nossa busca trata de apenas sermos mais humanos em relação à Natureza, respeitando-a. No mínimo respeitando-a mais do que ao dinheiro, que nos tempos atuais tem se revelado cada vez mais, em nosso sistema, ser o nosso Poder Superior...
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