terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A RECOMPENSA QUÍMICA NA VITÓRIA SOBRE A ABSTINÊNCIA DO VÍCIO DO TABACO


                Luto químico, vazio existencial, eterno companheiro, o que mais seria esse estranho cilindro e o que causa, no homem e na mulher, no adolescente e por vezes na criança? A crença em poderes, em tais e quais espíritos, o andamento das sociedades mecanicistas modernas, o andamento dos vícios e dependências, a somatória com o álcool e outras drogas, tornam a nicotina e outras substâncias tóxicas e viciantes contidas no cigarro algo sobremodo forte para se largar, com tudo o que significa por vezes as décadas em que pessoas idosas fizeram uso, e no fim de jornadas são acometidas já por doenças degenerativas do pulmões, cânceres, e afins, como entupimento de veias, e problemas de dependência causados por enfermidades mentais graves, como a psicose e suas vertentes. Deveremos sofrer a paga por termos liberdade, nós, os enfermos e por que não dizer: viciados por essa extrema e severa substância, que nos submete e escraviza até por fim extrair nosso bem mais precioso, que é a nossa vida, nos pondo por vezes exaustos até o sufocamento em uma UTI de hospital, respirando apenas com o auxílio de aparelhos, além de psiquicamente sofrermos do arrependimento de não termos largado a tempo? Sartre afirma que “estamos condenados à liberdade”, no sentido de supor que nossas responsabilidades perante a realidade por vezes são duras, e que libertarmo-nos de certos grilhões muitas vezes é a pior tarefa a que podemos empreender para estarmos com uma vida limpa, a grosso modo: se formos considerar a metáfora do sofrimento para largar um vício tremendo como a nicotina...

                Quando o pensador francês fala sobre a liberdade, quiçá fosse algo duro, mas as coisas não precisam ser vistas sob esse prisma, pois será através de um Poder Superior a nós mesmos que atravessaremos as querelas e desavenças do viver em sociedade, suas dificuldades por vezes extremadas, esse Poder que pode ser Deus a muitos, e quem sabe facilitaria muito pensar dessa forma. Através de um “mindfulness espiritual”, ou seja estarmos cientes de que as coisas se procedem de uma forma ou de outra na questão do espírito, que este prevalece muitas vezes nos dando uma guia, ou mesmo do “mindfulness material”, veremos que estar atentos aos detalhes, e colocando nossa consciência em atividade, partirmos para uma ação concreta, sairemos certamente da condena quase imposta pelo “existencialista francês”... Sim, é como vermos um mercado e não sairmos no piloto automático, não vivenciando o que nos aparenta, mas perceber e abrir as portas da percepção tão somente para saber onde estamos, quem seriam os viventes que estão comprando, suas roupas, os produtos nas gôndolas, seus números e valores, sabermos comprar conscientemente, vermos se nossos carros ou pernas estão de acordo, e saber que, ao não fumarmos por essa hora porventura nossa libertação trará inclusive uma dopamina mais consistente, recompensando-nos natural e mais frequentemente, na prática do mindfulness, na consciência em trabalho, na cautela em não arrumar desavenças e na obediência ao ingerir as drogas psiquiátricas e obedecer ao sono, para quem porta enfermidades, tais como a depressão e afins. Sabermos da importância do mindful break, quando paramos para tomar um café, vertemos o pó no coador, preparamos seu sabor, quando comemos um desejum, quando preparamos um alimento, quando nos preparamos para uma meditação, quando oramos pela manhã, ou quando evitamos os gatilhos que nos colocarão à prova em cada momento em que vencemos a pulsão pelo cigarro.

                Sartre que nos perdoe, mas devemos rever seus tópicos existencialistas, quem sabe afirmando-nos que, a cada vitória sobre a compulsão, a recompensa dopaminérgica, algo substancial que antes nos causaria a dor relatada pelo filósofo, encontramos a mesma dopamina que nos recompensa de outro modo, nos caminhos que encontramos: essas veredas cristalinas que nos fazem perceber que o mundo não é através da dor da falta apenas, e que um luto na china por vezes é motivo de festa, haja vista fazermos uma releitura cultural mais integral do mundo em que vivemos para que a falta que nos dá uma pessoa ou mesmo um companheiro que denote infantilidade de nossa parte, como o cigarro, pode ser algo que não nos cause esse “luto químico”, sabiamente citado por muitos compêndios de psicologia ou psiquiatria, mas por vezes passíveis de serem sublimados até mesmo com uma facilidade mais extensa do que poderíamos sequer supor.

                Na Mesoamérica, a noção dos indígenas que lá vivem e seus descendentes, acreditam na alma de tudo o que os cerca, que há espirito incluso nos caminhos, nas montanhas, nas pedras, nos seres todos, e isso os move de tal modo porventura enquanto no modal ocidental pensamos apenas no Espírito Santo, como única modalidade culturalmente disposta na vertente de uma religião, ou designação espiritual. A doutrina kardecista pensa que há um paraíso para onde vão os animais, e que a reencarnação acontece apenas entre humanos, enquanto a vaishnavista, crê que a reencarnação acontece de ser para ser, em um tipo de cadeia evolutiva espiritual mais crível com a lógica de Deus, Krsna... Todo esse apanhado espiritual entre as culturas do planeta estabelece por vezes seus dogmas, compõe um cenário de fé, e certamente, existe algo que nos impele para deixarmos o tabagismo como algo em que a medicina, felizmente quando a nova vertente da neurologia já aceita a espiritualidade como algo passível de cura de certas doenças patologicamente insolúveis, esse mindfulness material, quando se mescla com o espiritual, dá nos costados de verdadeiros milagres, não apenas nas religiões e no campo de fato, mas no escopo científico, assertivamente, esses milagres, que muitos grupos de recuperação igualmente vêm empreendendo, exemplarmente, como, no caso da dependência da nicotina, o NICA – nicotina anônimos –, na mesma modalidade dos doze passos dos AA, só que com a abordagem específica para o caso da dependência tabágica, para alguns alcoólicos considerada mais severa que o álcool.

                Em síntese, quando sabemos que estamos vencendo, hora a hora, dia a dia, a compulsão pela nicotina e sua dependência, a recompensa vem a nos dar – na medida certa – os parâmetros necessários para que até mesmo alguns enfermos mentais que faziam do cigarro uma auto medicação, para equilibrar os níveis de dopamina no cérebro, consigam realizar a contento a vitória paulatina contra o vício e a recompensa se dá na questão de que, a cada passo dado em direção a essa citada vitória, o dia que virá não importa, pois importa o agora, a ação imediata, quando se tratar de mindfulness como a meditação, o estar-se na sociedade, prestando uma atenção recorrente em relação a tudo e a todos, à Natureza como Bhakti yoga, ou um tipo de mindfulness espiritual, como a palavra já diz: estar a serviço de Deus, Krsna, que reside em nosso coração, e por Ele ser diante de toda a eternidade, mas preservando a nossa vida e, se possível , de outrem enquanto neste planeta, para que possamos cumprir a missão de apenas levar mais uma mensagem de fé ao fumante que ainda sofre.

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