Luto
químico, vazio existencial, eterno companheiro, o que mais seria esse estranho
cilindro e o que causa, no homem e na mulher, no adolescente e por vezes na
criança? A crença em poderes, em tais e quais espíritos, o andamento das
sociedades mecanicistas modernas, o andamento dos vícios e dependências, a
somatória com o álcool e outras drogas, tornam a nicotina e outras substâncias
tóxicas e viciantes contidas no cigarro algo sobremodo forte para se largar,
com tudo o que significa por vezes as décadas em que pessoas idosas fizeram
uso, e no fim de jornadas são acometidas já por doenças degenerativas do
pulmões, cânceres, e afins, como entupimento de veias, e problemas de
dependência causados por enfermidades mentais graves, como a psicose e suas
vertentes. Deveremos sofrer a paga por termos liberdade, nós, os enfermos e por
que não dizer: viciados por essa extrema e severa substância, que nos submete e
escraviza até por fim extrair nosso bem mais precioso, que é a nossa vida, nos
pondo por vezes exaustos até o sufocamento em uma UTI de hospital, respirando
apenas com o auxílio de aparelhos, além de psiquicamente sofrermos do
arrependimento de não termos largado a tempo? Sartre afirma que “estamos
condenados à liberdade”, no sentido de supor que nossas responsabilidades
perante a realidade por vezes são duras, e que libertarmo-nos de certos
grilhões muitas vezes é a pior tarefa a que podemos empreender para estarmos
com uma vida limpa, a grosso modo: se formos considerar a metáfora do
sofrimento para largar um vício tremendo como a nicotina...
Quando o
pensador francês fala sobre a liberdade, quiçá fosse algo duro, mas as coisas não
precisam ser vistas sob esse prisma, pois será através de um Poder Superior a
nós mesmos que atravessaremos as querelas e desavenças do viver em sociedade,
suas dificuldades por vezes extremadas, esse Poder que pode ser Deus a muitos,
e quem sabe facilitaria muito pensar dessa forma. Através de um “mindfulness
espiritual”, ou seja estarmos cientes de que as coisas se procedem de uma forma
ou de outra na questão do espírito, que este prevalece muitas vezes nos dando
uma guia, ou mesmo do “mindfulness material”, veremos que estar atentos aos
detalhes, e colocando nossa consciência em atividade, partirmos para uma ação
concreta, sairemos certamente da condena quase imposta pelo “existencialista francês”...
Sim, é como vermos um mercado e não sairmos no piloto automático, não
vivenciando o que nos aparenta, mas perceber e abrir as portas da percepção tão
somente para saber onde estamos, quem seriam os viventes que estão comprando,
suas roupas, os produtos nas gôndolas, seus números e valores, sabermos comprar
conscientemente, vermos se nossos carros ou pernas estão de acordo, e saber
que, ao não fumarmos por essa hora porventura nossa libertação trará inclusive
uma dopamina mais consistente, recompensando-nos natural e mais frequentemente,
na prática do mindfulness, na consciência em trabalho, na cautela em não
arrumar desavenças e na obediência ao ingerir as drogas psiquiátricas e
obedecer ao sono, para quem porta enfermidades, tais como a depressão e afins.
Sabermos da importância do mindful break, quando paramos para tomar um café,
vertemos o pó no coador, preparamos seu sabor, quando comemos um desejum,
quando preparamos um alimento, quando nos preparamos para uma meditação, quando
oramos pela manhã, ou quando evitamos os gatilhos que nos colocarão à prova em
cada momento em que vencemos a pulsão pelo cigarro.
Sartre
que nos perdoe, mas devemos rever seus tópicos existencialistas, quem sabe afirmando-nos
que, a cada vitória sobre a compulsão, a recompensa dopaminérgica, algo
substancial que antes nos causaria a dor relatada pelo filósofo, encontramos a
mesma dopamina que nos recompensa de outro modo, nos caminhos que encontramos:
essas veredas cristalinas que nos fazem perceber que o mundo não é através da
dor da falta apenas, e que um luto na china por vezes é motivo de festa, haja
vista fazermos uma releitura cultural mais integral do mundo em que vivemos
para que a falta que nos dá uma pessoa ou mesmo um companheiro que denote
infantilidade de nossa parte, como o cigarro, pode ser algo que não nos cause
esse “luto químico”, sabiamente citado por muitos compêndios de psicologia ou
psiquiatria, mas por vezes passíveis de serem sublimados até mesmo com uma
facilidade mais extensa do que poderíamos sequer supor.
Na Mesoamérica,
a noção dos indígenas que lá vivem e seus descendentes, acreditam na alma de
tudo o que os cerca, que há espirito incluso nos caminhos, nas montanhas, nas
pedras, nos seres todos, e isso os move de tal modo porventura enquanto no
modal ocidental pensamos apenas no Espírito Santo, como única modalidade
culturalmente disposta na vertente de uma religião, ou designação espiritual. A
doutrina kardecista pensa que há um paraíso para onde vão os animais, e que a
reencarnação acontece apenas entre humanos, enquanto a vaishnavista, crê que a
reencarnação acontece de ser para ser, em um tipo de cadeia evolutiva
espiritual mais crível com a lógica de Deus, Krsna... Todo esse apanhado
espiritual entre as culturas do planeta estabelece por vezes seus dogmas,
compõe um cenário de fé, e certamente, existe algo que nos impele para
deixarmos o tabagismo como algo em que a medicina, felizmente quando a nova
vertente da neurologia já aceita a espiritualidade como algo passível de cura
de certas doenças patologicamente insolúveis, esse mindfulness material,
quando se mescla com o espiritual, dá nos costados de verdadeiros milagres, não
apenas nas religiões e no campo de fato, mas no escopo científico, assertivamente,
esses milagres, que muitos grupos de recuperação igualmente vêm empreendendo,
exemplarmente, como, no caso da dependência da nicotina, o NICA – nicotina anônimos
–, na mesma modalidade dos doze passos dos AA, só que com a abordagem
específica para o caso da dependência tabágica, para alguns alcoólicos considerada
mais severa que o álcool.
Em síntese,
quando sabemos que estamos vencendo, hora a hora, dia a dia, a compulsão pela
nicotina e sua dependência, a recompensa vem a nos dar – na medida certa – os parâmetros
necessários para que até mesmo alguns enfermos mentais que faziam do cigarro
uma auto medicação, para equilibrar os níveis de dopamina no cérebro, consigam
realizar a contento a vitória paulatina contra o vício e a recompensa se dá na
questão de que, a cada passo dado em direção a essa citada vitória, o dia que
virá não importa, pois importa o agora, a ação imediata, quando se tratar de
mindfulness como a meditação, o estar-se na sociedade, prestando uma atenção
recorrente em relação a tudo e a todos, à Natureza como Bhakti yoga, ou um tipo
de mindfulness espiritual, como a palavra já diz: estar a serviço de Deus, Krsna,
que reside em nosso coração, e por Ele ser diante de toda a eternidade, mas
preservando a nossa vida e, se possível , de outrem enquanto neste planeta, para que possamos cumprir a missão
de apenas levar mais uma mensagem de fé ao fumante que ainda sofre.
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