Porventura
o sabor transcendental seja algo que não notamos nas nossas vidas, mas a
literatura dos Vedas o sabe melhor do que muito do que se leia que a busca na
realidade é finita nas letras, mas infinita na prática da Religião, essa
palavra que nos religa com algo superior, uma força que, a princípio não
sabemos muito bem do que se trata, mas com o estudo e o cantar da japa-mala, ou
os mantras sagrados, nos conectamos diretamente, pois esse é o único caminho,
não apenas o rosário de contas hindu como o católico, posto nossa conexão com o
todo atrativo, ou Krsna, pode nos ser o todo atrativo, o Senhor Jesus Cristo...
Um homem que teve sua formação teológica no hinduísmo como o que vos fala encontra
em Krsna sua força triunfal para o seu espírito, e em seu trabalho de estudo de
psicologia, encontra na medicina de Jung o simples corroborar que
espiritualidade e transcendência são caminhos inequívocos tradutores de uma
psique saudável e com a percepção progressiva da citada transcendência, nos
caminhos do perdão, da paz e da tolerância. Não adianta termos picardia, isso
não faz parte de um devoto, e não importa para um devoto puro encontrar alguém
consorte a ele, posto quando se encaminha para uma relação de madhurya rasa,
conforme com Prema, ou amor a Deus, sói apenas encontrar em uma parceira tão
madura quanto o ser, alguém a alicerçar caminhos que são possíveis na
empreitada, nas relações em que algo de monta se construa sobre os alicerces dos
citados caminhos. Uma simples relação de amizade sincera, assim como a mesma
construção do perdão sólido que concedemos a nós mesmos seja da vontade do
Altíssimo, corroborando fatias de uma questão em que a sensualidade ceda espaço
para um Sanyasi em renúncia total dos objetos dos sentidos. Não que o devoto não
sinta mais um afeto, mas canalize-o para Govinda, todo o objeto de seu amor,
que passará a encontrar mais gozo e êxtase na simples meditação, na associação
com os devotos e em companheirismos reais, de escopo construtivo e agregador,
sem similitudes com ensaios, sem joguetes, em relações de confiança e positividade
com poderes tais que o permitam navegar, com segurança maior na vereda
diamantina da devoção pura. Por isso o ato de renúncia e do desapego material,
tarefa a ser empreendida sob todos os escopos que o alcancem...
Sempre
será necessário o ganho material e os deveres a serem cumpridos para se manter
financeiramente, perante a família, perante o comportamento social e tudo e
todos, pois um devoto não precisa ser necessariamente aparente na sociedade,
pode levar uma vida normal, não comer tanta carne, mas sói ser mais coerente e tudo
é um processo de adaptação, de retomada religiosa, mesmo quando começar a ver
que será através do simples cantar das contas com devoção, com fé, que pode
começar a reduzir o tabagismo, em um trabalho de desmame possível, pois estará
ele, esse anônimo mas intenso devoto, em um processo de retomada daquilo que
pode ser possível, inclusive de tentar largar a compulsão aparentemente
irrefreável da nicotina, como algo possível e passível de controle, pois é uma
doença incurável e de determinação fatal. Como Nandi, o amigo inseparável de
Shiva, a lei é que tudo se cumpra na escolha que se faça diante de panos
limpos, como se na realidade várias entidades espirituais fossem válidas, mas
será naquelas horas em que a escolha mais peremptória fará que o devoto,
estando em uma missa católica, estará escutando do sacerdote os ensinamentos de
seu Senhor, com o mesmo entusiasmo em que verá a manifestação de Deus no voo de
um mergulhão. A denominação não importará tanto na alcunha que alguém queira
dar ao Criador, pois se o Padre falar que não se pode servir a dois Senhores, o
devoto deve inferir que seja o mesmo, pois se Deus é quem criou o céu e a
Terra, porventura não é o mesmo, com quiçá muitos nomes? A forma de Deus é
humana, quem sabe, mas, para quem vos fala, é a mesma forma em um inseto
insignificante como uma formiga, é tudo, está nos átomos, no vento, nas palmas
de uma palmeira, são os diversos sinais da Natureza... Mas ah! O colar com as
contas de “Tulasi”, a arvorezinha sagrada da Índia, este devoto o possui, e
isso tem um significado do carma, tem a ver com a sua encarnação neste mundo,
não seria assim se não fosse exatamente isso. Essa é uma questão missionária de
cunho espiritual, e espalhar a consciência de Krsna, Deus, pode ser algo tão
grandioso, maior e mais prazeroso do que estar com qualquer consorte do
planeta, pois é missão, conforme citei, de modo assaz importante para quem
receber a mensagem, e o meio para isso existe de fato, é concreto, ao menos
você que lê estas linhas o estará sabendo, deste fato substancial...
Poderia
escrever um imenso livro sobre as experiências místicas vividas por muitos, mas
particularmente as minhas não se escrevem apenas sobre o leito digital, nem é
totalmente traduzida por letras jogadas na acepção crua da compreensão dos
homens e mulheres do planeta. O glorioso Krsna nunca foi vencido, pois sendo
Deus estabeleceu passatempos quando apareceu na Terra, e vêm e desce sempre
para aniquilar os canalhas, na visão quiçá simbólica de apaziguar o espírito
demoníaco sobre a Terra, colocando a religião no seu lugar, justo, quando
começa um predomínio da irreligião sobre o mundo, pois na realidade hoje o
termo mais utilizado é a espiritualidade, sem propriamente ser a religião, ao
menos na visão dos neojungeanos,
conforme a história desse grande médico das almas, que em seu tempo utilizava o
termo religiosidade, pois era mais comum à época, e hoje a questão da abordagem
espiritual sacou um pouco a ortodoxia que tanto empacou as religiões de eras
passadas, com seus cânones fixos, no que o próprio catolicismo já revisita seus
conceitos históricos sobre o desenvolvimento da Grande Igreja de Pedro, e o que
aconteceu na Inquisição, por exemplo.
Para
saber o poder que certas denominações religiosas, como o Vaishnavismo, possuem
na possibilidade de curar certas enfermidades psíquicas como transtornos os mais
variados, a questão principal é que a sua diversidade mítica perfaz que o
próprio mito seja realidade, na questão referencial de um enfermo que antes era
assim considerado por ser místico, nas ciências ocultas, quando um alquimista
saía fora do escopo da ciência convencional, ou quando um homem acreditava ser
possível ser a transmigração da alma para outros seres afora os humanos era
considerado uma heresia, não apenas na visão antiga da psiquiatria como na
esfera das religiões “oficiais”. Depois que Prabhupada veio ao Ocidente trazendo
no navio Jaladuta, da Índia, todo o seu conhecimento da religião hindu, em um
país assolado pela contracultura do movimento hippie, e da guerra do Vietname,
com tantos jovens perdidos com as drogas, no niilismo e da inquietação de toda
essa população, justamente foi com a orientação de se comer prashada que ele distribuía
gratuitamente em uma loja de New York, que ele mudou a vida de muitas pessoas,
e, tendo chegado nos EUA com 68 anos de idade, fundou, até seu falescimento no
planeta, mais de 108 templos, espalhando consciência de Deus pelos quatro
cantos do mundo, em uma missão exemplar.
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