quinta-feira, 18 de setembro de 2025

KRSNA, SABOR DO SUPREMO


               Porventura o sabor transcendental seja algo que não notamos nas nossas vidas, mas a literatura dos Vedas o sabe melhor do que muito do que se leia que a busca na realidade é finita nas letras, mas infinita na prática da Religião, essa palavra que nos religa com algo superior, uma força que, a princípio não sabemos muito bem do que se trata, mas com o estudo e o cantar da japa-mala, ou os mantras sagrados, nos conectamos diretamente, pois esse é o único caminho, não apenas o rosário de contas hindu como o católico, posto nossa conexão com o todo atrativo, ou Krsna, pode nos ser o todo atrativo, o Senhor Jesus Cristo... Um homem que teve sua formação teológica no hinduísmo como o que vos fala encontra em Krsna sua força triunfal para o seu espírito, e em seu trabalho de estudo de psicologia, encontra na medicina de Jung o simples corroborar que espiritualidade e transcendência são caminhos inequívocos tradutores de uma psique saudável e com a percepção progressiva da citada transcendência, nos caminhos do perdão, da paz e da tolerância. Não adianta termos picardia, isso não faz parte de um devoto, e não importa para um devoto puro encontrar alguém consorte a ele, posto quando se encaminha para uma relação de madhurya rasa, conforme com Prema, ou amor a Deus, sói apenas encontrar em uma parceira tão madura quanto o ser, alguém a alicerçar caminhos que são possíveis na empreitada, nas relações em que algo de monta se construa sobre os alicerces dos citados caminhos. Uma simples relação de amizade sincera, assim como a mesma construção do perdão sólido que concedemos a nós mesmos seja da vontade do Altíssimo, corroborando fatias de uma questão em que a sensualidade ceda espaço para um Sanyasi em renúncia total dos objetos dos sentidos. Não que o devoto não sinta mais um afeto, mas canalize-o para Govinda, todo o objeto de seu amor, que passará a encontrar mais gozo e êxtase na simples meditação, na associação com os devotos e em companheirismos reais, de escopo construtivo e agregador, sem similitudes com ensaios, sem joguetes, em relações de confiança e positividade com poderes tais que o permitam navegar, com segurança maior na vereda diamantina da devoção pura. Por isso o ato de renúncia e do desapego material, tarefa a ser empreendida sob todos os escopos que o alcancem...

               Sempre será necessário o ganho material e os deveres a serem cumpridos para se manter financeiramente, perante a família, perante o comportamento social e tudo e todos, pois um devoto não precisa ser necessariamente aparente na sociedade, pode levar uma vida normal, não comer tanta carne, mas sói ser mais coerente e tudo é um processo de adaptação, de retomada religiosa, mesmo quando começar a ver que será através do simples cantar das contas com devoção, com fé, que pode começar a reduzir o tabagismo, em um trabalho de desmame possível, pois estará ele, esse anônimo mas intenso devoto, em um processo de retomada daquilo que pode ser possível, inclusive de tentar largar a compulsão aparentemente irrefreável da nicotina, como algo possível e passível de controle, pois é uma doença incurável e de determinação fatal. Como Nandi, o amigo inseparável de Shiva, a lei é que tudo se cumpra na escolha que se faça diante de panos limpos, como se na realidade várias entidades espirituais fossem válidas, mas será naquelas horas em que a escolha mais peremptória fará que o devoto, estando em uma missa católica, estará escutando do sacerdote os ensinamentos de seu Senhor, com o mesmo entusiasmo em que verá a manifestação de Deus no voo de um mergulhão. A denominação não importará tanto na alcunha que alguém queira dar ao Criador, pois se o Padre falar que não se pode servir a dois Senhores, o devoto deve inferir que seja o mesmo, pois se Deus é quem criou o céu e a Terra, porventura não é o mesmo, com quiçá muitos nomes? A forma de Deus é humana, quem sabe, mas, para quem vos fala, é a mesma forma em um inseto insignificante como uma formiga, é tudo, está nos átomos, no vento, nas palmas de uma palmeira, são os diversos sinais da Natureza... Mas ah! O colar com as contas de “Tulasi”, a arvorezinha sagrada da Índia, este devoto o possui, e isso tem um significado do carma, tem a ver com a sua encarnação neste mundo, não seria assim se não fosse exatamente isso. Essa é uma questão missionária de cunho espiritual, e espalhar a consciência de Krsna, Deus, pode ser algo tão grandioso, maior e mais prazeroso do que estar com qualquer consorte do planeta, pois é missão, conforme citei, de modo assaz importante para quem receber a mensagem, e o meio para isso existe de fato, é concreto, ao menos você que lê estas linhas o estará sabendo, deste fato substancial...

               Poderia escrever um imenso livro sobre as experiências místicas vividas por muitos, mas particularmente as minhas não se escrevem apenas sobre o leito digital, nem é totalmente traduzida por letras jogadas na acepção crua da compreensão dos homens e mulheres do planeta. O glorioso Krsna nunca foi vencido, pois sendo Deus estabeleceu passatempos quando apareceu na Terra, e vêm e desce sempre para aniquilar os canalhas, na visão quiçá simbólica de apaziguar o espírito demoníaco sobre a Terra, colocando a religião no seu lugar, justo, quando começa um predomínio da irreligião sobre o mundo, pois na realidade hoje o termo mais utilizado é a espiritualidade, sem propriamente ser a religião, ao menos na visão dos neojungeanos, conforme a história desse grande médico das almas, que em seu tempo utilizava o termo religiosidade, pois era mais comum à época, e hoje a questão da abordagem espiritual sacou um pouco a ortodoxia que tanto empacou as religiões de eras passadas, com seus cânones fixos, no que o próprio catolicismo já revisita seus conceitos históricos sobre o desenvolvimento da Grande Igreja de Pedro, e o que aconteceu na Inquisição, por exemplo.

               Para saber o poder que certas denominações religiosas, como o Vaishnavismo, possuem na possibilidade de curar certas enfermidades psíquicas como transtornos os mais variados, a questão principal é que a sua diversidade mítica perfaz que o próprio mito seja realidade, na questão referencial de um enfermo que antes era assim considerado por ser místico, nas ciências ocultas, quando um alquimista saía fora do escopo da ciência convencional, ou quando um homem acreditava ser possível ser a transmigração da alma para outros seres afora os humanos era considerado uma heresia, não apenas na visão antiga da psiquiatria como na esfera das religiões “oficiais”. Depois que Prabhupada veio ao Ocidente trazendo no navio Jaladuta, da Índia, todo o seu conhecimento da religião hindu, em um país assolado pela contracultura do movimento hippie, e da guerra do Vietname, com tantos jovens perdidos com as drogas, no niilismo e da inquietação de toda essa população, justamente foi com a orientação de se comer prashada que ele distribuía gratuitamente em uma loja de New York, que ele mudou a vida de muitas pessoas, e, tendo chegado nos EUA com 68 anos de idade, fundou, até seu falescimento no planeta, mais de 108 templos, espalhando consciência de Deus pelos quatro cantos do mundo, em uma missão exemplar.

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