segunda-feira, 29 de setembro de 2025

PAI CELESTE E MÃE TERRA


                O dogma de Cristo: aquilo que o simples mortal não alcança por gana, aquilo que nem mesmo um novo evangelizador profetizaria, algo de juízo maior, o não pecado, o bem total, nem sempre a Natureza humana estaria preparada para essa “realidade celestial...” Desse “bem total” existe por vezes o que é da Natureza que presenciamos, a realidade celestial, mas muitos não possuem os olhos divinos para saber desse tipo de confluência espiritual, pois mais embaixo, está o reino de nossa mãe Terra, seus seres, suas divindades mais darks, mais pesadas por vezes, o cunho meio que profano das gentes que possuem idiossincrasias e se tentam com a facilidade dos que são tentados continuamente, seja por sistemas, por engrenagens, pelas invenções humanas, por relações campesinas, por operários e suas padronagens, pela medicina que ainda – e sempre – estará afeita a uma construção paulatina, seja à tecnologia que não cessa, sejam as guerras, ou, finalizando, a Natureza de Gaya está comprometida, quiçá por nos faltar nosso pai celeste, na visão incrédula das gentes.

                Num continuum soberbo, pensamos muitas vezes em um julgamento final onde o joio se separará do trigo, mas simplesmente quem pensa assim pensa ser um ramo do imenso trigal sem semeadura sequer que não brotou no prado. Haveremos de ter por convicção que a terra funciona como um amálgama de nossa cerâmica que plasmamos internamente, qual a figura colombiana da Grande Mãe, na sua opulência, no seu estatuário, revelando que seremos antropologicamente mais equilibrados, se mesmo que não pudermos absolutamente ser gigantes como o Cristo, ao menos um contraponto aliado à busca da perfeição pode nos tornar mais competentes a tudo o que nos propomos ser. Mesmo que a dialética da Natureza junte os opostos, será na junção do pai celeste com a mãe terra e sua posterior separação, essa Natureza que une e desliga, que faz e desfaz, que ata e desata, que é dinâmica e mutante transforma um formigueiro ao sol em uma tripa que sai à noite, sobre um chão já esfriado, para buscar os víveres, e o material para ampliar sua colônia, assim como a aparição de uma barata talvez significasse para o Grande Shiva uma representação simbólica de um ser que remonte memórias de Sati, depois que Ele explodira parte do cosmos... O inexplicável atma e sua fusão transcendente, qual a aparição do amor entre um homem em um simples inseto, dependendo da história espiritual extensa do citado homem. Como os trabalhadores de um grande país, todas as suas inquietações, todo o seu reivindicatório proceder, a sua ideologia frente à impotência sequer de se saber conscientemente o que vem a ser uma delas, e qual seria efetivamente a melhor de todas, qual não fosse, catar o que se tem à mão, de primeira guarida, de lance maior.

                O que nos pode lançar ao amor da mãe terra é justamente ver que existem inúmeros seres que, ao olhar de Jung, passariam a serem seres do mito, mas ao olhar de um indígena, cabalmente falando, se passa falar abertamente dos seres que transcendem não apenas os humanos em mito mas, concretamente, estão existindo em casca, em couro, em pelos, em garras e dentes, ou qualquer ser manifesto em vida que dá suporte à existência do que existe na citada Natureza, tal qual a conhecemos, ou “pensamos” que a conhecemos... Justo, que o conhecimento dos seres, da Natureza material e espiritual depende de níveis de consciência, da experiência particular de cada indivíduo, e da conformação de algumas leis que norteiam não apenas a vida em sociedade, mas que muitas veze nos faltam no Planeta na coexistência com os outros seres, a vida que seja mais do que tudo isso, e que não apenas a filosofia existente, que no fundo também é mutável no escopo social, mas que busque sempre o equilíbrio quase teológico da nossa coexistência com o outro, não restritivo ao ser humano apenas, mas ao todo, par e ímpar, tríade em um, tétrade alquímica, ou o mistério em si: desde a ressurreição ao nascimento...

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