quarta-feira, 24 de setembro de 2025

ALQUIMIA, PSIQUE E O EU, O HOMEM POR INTEIRO


                Criam-se dependências quaisquer no escopo da existência humana, a bem dizer, que fossem humanas de fato. O Homo faber, o Homo ludens, o sapiens que faz e que joga, aqueles que estão tanto em uma esteira de produção fabril, quanto os que brincam de inventar sistemas, prejudiciais ou não ao “sistema...” Mas o segredo da alquimia é saber que, quando o homem inventa, de letras sábias ou resultado de profundos estudos, saberá que o resultado das preces pode ser um tipo de milagre, ou mesmo que este venha a cavalo, sem termos tido ao menos tempo de rezar uma conta do terço. Na psicologia de compartimentos, abre-se uma gaveta, sem saber o que está na outra, vai-se por métodos, por coisas que apenas funcionam, a bem dizer, dão resultados para uma massa, um grupo, um ser, mas não há aprofundamento maior naquele “homem total”, que sai em busca, ao longo da vida, por caminhos labirínticos, e sua história nada mais é do que um segredo de pedras lascadas ao longo da jornada, em que nada saberíamos redarguir sobre sua espiritualidade maior, posto seja ele um alquimista, sem termos sequer nos iniciado nos segredos de algum conhecimento que se aproximasse desse Universo. “Ars totum requirit hominem!” (A arte requer o homem inteiro!) Não somos fragmentos, nem frutos de especializações, nossos órgãos trabalham dentro da mesma energia do chi, o hólos é nosso entorno. Somos aquela árvore que fora retirada e não vimos na rua X, e voltaremos um dia para saber da verdade, e os pássaros que nos faltarão estarão sedentos por grãos em outras que outros lacaios se preparam para ceifar... Esse homem inteiro, não depende só de si, depende de tudo o que vê e se move, de seus sons, de seus pensamentos e movimentos, esse homem depende inclusive de suas dependências, pois se estiver à busca, estará apto em chegar a um bom médico e perscrutar sobre seus próprios dias. O médico passa a fazer a alquimia espiritual do paciente, transformando quilates de cinzas em metais, nada transtornando, fazendo do conteúdo um continente, ampliando e revigorando, no processo da cura, a metamorfose ampla de uma afeição pura e simples sobre esse grande ofício...

                Tudo perde o sentido para um alquimista quando ele está com a Verdade, tudo assume perfis, onde nada do que se acreditaria sendo a ajuda de robôs em função de sistemas, ou gente que vive em função de Poderes, não seria a simples compatibilidade de abertura de consciência onde a remissão de uma literatura mais profunda visse a real dimensão da espiritualidade e da transcendência, mesmo no escopo da medicina.

                Na vida cristã, simplesmente tornamos Cristo algo representado, o imitamos, em essência jamais gostaríamos de ser como Ele era, posto isso reverencia o ser que só crê no símbolo, sem levar a termo de fato uma vida realmente abnegada, altruísta e caridosa, se dispondo a dar a vida e morrer pela humanidade, ou seja, o Cristo continua a carregar nossa cruz, conforme o pensamento racionalista Ocidental, principalmente na Europa. Não queremos mais ser homens e mulheres santos, queremos ser mais do que isso: super heróis, grandes guerreiros, grandes homens de negócios, milionários, e receber de César tudo de bom que este nos oferecer diretamente do Império... A velha questão: eu me doo, mas tem que ser como eu quiser, do meu jeito. E não termina aí, o homem não quer ser inteiro, ele quer ser um fragmento, assim como muitas mulheres ainda não se livraram do seu lado objeto. Quando de sua construção egóica, ela ainda vai assumir, na forma de poder feminino, o chamariz que quer se tornar com relação aos homens, mesmo que muitos a estejam manipulando, ou mesmo que ela esteja manipulando a muitos, no que vem, infelizmente para o seu lado de decrepitude existencial, seu aspecto mais nocivo a elas, pois não estará sabendo, independente de suas características, qual a sua vertente moral mais discreta, ou mais explosivamente incerta... Quanto aos homens fragmentários, estarão à mercê de invectivas de afetos destrutivos, ou mesmo da falta em que se depositar uma fé, ou mesmo a manifestação da arte, transpondo a realidade alquímica para seus dias... Quando há essa falta, essa ruptura expressiva, rumam muitas vezes a neuroses graves ou dissociações psíquicas mais dramáticas. Essa ruptura toma a dianteira quando as sociedades nos colocam em xeque, quando se tornam totalitárias, quando as religiões são sufocadas, ou quando um simples feiticeiro ou profeta das ruas é considerado louco por ter seu esoterismo e crenças que são estigmatizadas por um sistema que só permite religiões “cadastradas.” Em síntese, em busca de um Eu Maior, de uma psique mais agigantada, é mister revelar que diante das premissas do célebre médico C. G. Jung, quando afirma que até o sol, para nós uma realidade tão aparentemente simples, para muitos assume um papel mais sagrado do que tudo o que conhecemos, assim como os espíritos da Natureza, os duendes, os caiporas, os seres lendários, as bruxas, tudo o que remete a conhecimentos ocultos, onde andarão em nossa sociedade de máquinas e equipamentos, onde o índio já não planta através de seus rituais, mas utilizando a mesma máquina digital em suas terras...

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