Criam-se
dependências quaisquer no escopo da existência humana, a bem dizer, que fossem
humanas de fato. O Homo faber, o Homo ludens, o sapiens que faz e que joga,
aqueles que estão tanto em uma esteira de produção fabril, quanto os que
brincam de inventar sistemas, prejudiciais ou não ao “sistema...” Mas o segredo
da alquimia é saber que, quando o homem inventa, de letras sábias ou resultado
de profundos estudos, saberá que o resultado das preces pode ser um tipo de
milagre, ou mesmo que este venha a cavalo, sem termos tido ao menos tempo de
rezar uma conta do terço. Na psicologia de compartimentos, abre-se uma gaveta,
sem saber o que está na outra, vai-se por métodos, por coisas que apenas
funcionam, a bem dizer, dão resultados para uma massa, um grupo, um ser, mas
não há aprofundamento maior naquele “homem total”, que sai em busca, ao longo
da vida, por caminhos labirínticos, e sua história nada mais é do que um
segredo de pedras lascadas ao longo da jornada, em que nada saberíamos
redarguir sobre sua espiritualidade maior, posto seja ele um alquimista, sem
termos sequer nos iniciado nos segredos de algum conhecimento que se aproximasse
desse Universo. “Ars totum requirit hominem!” (A arte requer o homem inteiro!) Não
somos fragmentos, nem frutos de especializações, nossos órgãos trabalham dentro
da mesma energia do chi, o hólos é nosso entorno. Somos aquela árvore que fora
retirada e não vimos na rua X, e voltaremos um dia para saber da verdade, e os
pássaros que nos faltarão estarão sedentos por grãos em outras que outros
lacaios se preparam para ceifar... Esse homem inteiro, não depende só de si,
depende de tudo o que vê e se move, de seus sons, de seus pensamentos e
movimentos, esse homem depende inclusive de suas dependências, pois se estiver
à busca, estará apto em chegar a um bom médico e perscrutar sobre seus próprios
dias. O médico passa a fazer a alquimia espiritual do paciente, transformando
quilates de cinzas em metais, nada transtornando, fazendo do conteúdo um
continente, ampliando e revigorando, no processo da cura, a metamorfose ampla
de uma afeição pura e simples sobre esse grande ofício...
Tudo
perde o sentido para um alquimista quando ele está com a Verdade, tudo assume
perfis, onde nada do que se acreditaria sendo a ajuda de robôs em função de
sistemas, ou gente que vive em função de Poderes, não seria a simples compatibilidade
de abertura de consciência onde a remissão de uma literatura mais profunda
visse a real dimensão da espiritualidade e da transcendência, mesmo no escopo
da medicina.
Na vida
cristã, simplesmente tornamos Cristo algo representado, o imitamos, em essência
jamais gostaríamos de ser como Ele era, posto isso reverencia o ser que só crê
no símbolo, sem levar a termo de fato uma vida realmente abnegada, altruísta e
caridosa, se dispondo a dar a vida e morrer pela humanidade, ou seja, o Cristo
continua a carregar nossa cruz, conforme o pensamento racionalista Ocidental,
principalmente na Europa. Não queremos mais ser homens e mulheres santos,
queremos ser mais do que isso: super heróis, grandes guerreiros, grandes homens
de negócios, milionários, e receber de César tudo de bom que este nos oferecer
diretamente do Império... A velha questão: eu me doo, mas tem que ser como eu
quiser, do meu jeito. E não termina aí, o homem não quer ser inteiro, ele quer
ser um fragmento, assim como muitas mulheres ainda não se livraram do seu lado
objeto. Quando de sua construção egóica, ela ainda vai assumir, na forma de
poder feminino, o chamariz que quer se tornar com relação aos homens, mesmo que
muitos a estejam manipulando, ou mesmo que ela esteja manipulando a muitos, no
que vem, infelizmente para o seu lado de decrepitude existencial, seu aspecto
mais nocivo a elas, pois não estará sabendo, independente de suas
características, qual a sua vertente moral mais discreta, ou mais
explosivamente incerta... Quanto aos homens fragmentários, estarão à mercê de
invectivas de afetos destrutivos, ou mesmo da falta em que se depositar uma fé,
ou mesmo a manifestação da arte, transpondo a realidade alquímica para seus
dias... Quando há essa falta, essa ruptura expressiva, rumam muitas vezes a
neuroses graves ou dissociações psíquicas mais dramáticas. Essa ruptura toma a
dianteira quando as sociedades nos colocam em xeque, quando se tornam totalitárias,
quando as religiões são sufocadas, ou quando um simples feiticeiro ou profeta
das ruas é considerado louco por ter seu esoterismo e crenças que são estigmatizadas
por um sistema que só permite religiões “cadastradas.” Em síntese, em busca de
um Eu Maior, de uma psique mais agigantada, é mister revelar que diante das
premissas do célebre médico C. G. Jung, quando afirma que até o sol, para nós
uma realidade tão aparentemente simples, para muitos assume um papel mais
sagrado do que tudo o que conhecemos, assim como os espíritos da Natureza, os
duendes, os caiporas, os seres lendários, as bruxas, tudo o que remete a
conhecimentos ocultos, onde andarão em nossa sociedade de máquinas e
equipamentos, onde o índio já não planta através de seus rituais, mas
utilizando a mesma máquina digital em suas terras...
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