O
encontro cultural amplo do ser humano, sua feição por vezes revolucionária de
um ser, no dizer do perigo que se encontra porventura alguém, a passar para o
próximo passo de sua existência, quem diria, o ser humano mais velho, mais introspectivo
seria a palavra certa, sem carcomer-se como certas juventudes, no paradigma
mais amplo do descarte, das primaveras que, incertas, como nos ciclos, viram o
tabu meio que lógico do citado descarte, quando o racionalismo impera nas
sociedades, e a irracionalidade, porção fundamental do homo sapiens, subsiste
crivelmente pelo tapete da Natureza do per si. Quando a vontade de se ter poder
afeta sobremodo a vida dos relacionares humanos, isso perfaz que se diga – à vontade
– que o sol, este astro, não passaria simplesmente nos desapegos da física, das
leis gravitacionais, do calor, mas sim, no mito, na aura misteriosa de que o
dia seja mais sagrado, e eis que surge o fenômeno da crença, que estará
presente nos arquétipos de nossa ancestralidade, símbolo indizível de inúmeras
culturas, e presente além da ciência, esta mesma reducionista ciência que vê o
sol apenas como fonte de energia renovável, sem sabermos que para o homem a
energia do sol vai se dissipando, como um ciclo que se repete, ao menos em
sabermos que a envergadura do seu poente já abre espaço para mais um ciclo: a
noite, que nos surpreende, em toda a sua dimensão, a natureza da lua, naquela
mesma que, crescente, Shiva carrega em seus cabelos, junto com o rio Ganges,
que lhe foi concedido como um poder místico que em todo o seu caudal lhe
confere o poder psíquico que concedemos em crer em nossos deuses, como se a
reatividade cármica hindu possuísse o significado primeiro e necessário para
compreendermos o ciclo da vida. Eis que seja um significante primeiro, e que
Lacan parara na linguística, e muitos continuaram, lacônica e tristemente, pela
neurolinguística, sem saber que na espiritualidade isso de linguagem e sua
interpretação científica nada mais é do que relacionar uma lógica já
embrutecida, já anacrônica, e que sequer as redes neurais dos computadores
quânticos se comparam a uma lufada de vento do olhar de Deus. Este,
que pode ver com seus todos sentidos, escutar com qualquer outro, é senciente,
onipresente e onipenetrante, e está dentro do átomo, assim como em cada
partícula de sílica de um micro chip, assim como nas moléculas solares,
ensinando, através de Visvavan, o Deus do Sol, os ensinamentos do Gita, a quem
quiser ver que, além das palavras, existe “o conhecimento...”
O
inconsciente do homem é subjetivo, e o inconsciente coletivo, fruto de arquétipos
presentes em qualquer cultura, seja tribal, seja nos moldes sistêmicos e
cartesianos das civilizações contemporâneas de lócus urbano, é objetivo, como
se a realidade de nossos traumas infantis, no escopo Freudiano, que explicaria
as razões e motivos de nossos recalques, quando identificamos, algo além disso
e de pertencimento que não está oculto, faz parte de nossa alma, de nossa
história cármica, de civilizações míticas que vivenciamos além e fora da
compreensão imediata e consciente de nossas vidas. Esse mesmo carma que fará
com que a compreensão mesma da existência perpasse fora do escopo de apenas um
nascimento, posto que por vezes um ser haverá de estar por este planeta na Era
de Kali por muito tempo por suas ações passadas, posto a vida em sofrimento é
resultado de se queimar o carma, para então sermos mais liberados, sem no
entanto deixarmos de saber que essa lei é infalível com a sua justiça, pois é
da Natureza, é de Deus, que são o mesmo, apenas uma é a manifestação e o outro
a forma do Supremo. Obviamente, um lado a não ser descartado de uma questão
maior, é que a possibilidade tecnológica, como a base da educação, nos leva a
crer que ganhar a vida trabalhando pode ser a maior forma de nos encontrarmos
com a verdade e a mesma garantia de que a Natureza, por si mesma, pode encerrar
em uma “cabana ou fortaleza digital” as entranhas mesmas do estar-se bem, por
contarmos com uma liberdade de expressarmo-nos de acordo com o que desejamos
mais profundamente, e nada há que temer se nossos atos, de fato, não sejam para
subverter coisas preocupados com direcionamentos de Natureza a pensarmos que a
nossa psique estará down, com a razão que pensamos ter sido subtraída, mas
por vezes não passa de nosso egotismo, e sua verve cáustica.
A luta que
empreendemos é simplesmente nos movimentarmos dentro de nós mesmos, estarmos
conscientes de que algo mais agigantado do que nós mesmos dará o esteio para
tanto, esse Poder Superior a nós, essa força que nos impulsiona, a cada qual do
seu modo, do seu jeito, em cada lado desse mesmo poder, pois se tivermos a gana
de possuir poder, podemos nos abraçar a algo que já existe e que é superior a
tudo o que supúnhamos existir no mundo. Basta olhar o oceano, ou mesmo as
estrelas, depois do Sol, mesmo que as nuvens nos ocultem de tudo isso...
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