Nas
páginas mais amargas da humanidade temos casos assombrosos de coisas que
ocorreram durante o frigir das têmporas da história, literalmente: casos que
deixariam petrificados quiçá doutores os mais experientes, ou gente que ainda
não compreende a Natureza da pulsão, mesmo que a tivessem experimentado muito
antes de Freud encabeçar suas primeiras descobertas do id, do ego e do
superego, esse tríptico que equaciona, se auto resolve, por vezes, e por outras
só complica as frentes do entendimento da medicina última, que seria aquela que
estuda o funcionamento da mente e da compreensão das sinapses cerebrais, o
campo da neurologia e da psiquiatria contemporâneas. Segue sendo o vício e suas
variantes, tudo o que ele implica, as codependências, as ligações mal
resolvidas, tramas do mesmo novelo, mas no vício implícito em uma substância em
especial, para se tirar dois exemplos clássicos, o álcool e a nicotina, dois
que são legalizados, temos histórias de obituários, temos histórias de
pancreatites, cânceres, enfisemas e loucura. A título de que devemos submeter
grande parte de nossas vidas a tais adições quando não podemos com elas? Há
pessoas que bebem normalmente e não passam dos limites, mas há daqueles que já
estão nas fases em que porventura não podem mais ficar sem seus “tragos de
sempre”. Já na nicotina é raro o caso dos que fumam pouco e não desenvolvem
dependência, pois o vício se dá pela ausência da substância, e não pela modificação
do estado psíquico que a droga afeta o indivíduo. No alcoolismo procede que há
um estado de euforia após a ingestão, o que faz chamar o cigarro e outras drogas,
por vezes algumas como a cocaína, que fazem a euforia ficar mais saliente,
graduando o nível de ilusão e elevando a verborragia, como no caso da maconha,
onde as pessoas têm insights a respeito de tudo, mas esquecendo logo a seguir,
como se estivessem viajando, literalmente. São alguns dos vícios recorrentes,
mas justamente temos aí vários modos de ingerir, sendo o álcool uma droga via
oral, a coca inalada, a maconha e o cigarro, fumados.
Especialmente em uma droga lícita e altamente nociva, que é o tabaco, que pouca sensação causa a não ser quando dela sentimos falta, parece que uma estranha sanha nos provoca a pulsão de estarmos dispostos até mesmo a sacrificar nossa integridade física para voltarmos a ter a sensação de estarmos como que tomados com a sensação de nunca termos fumado. Essa questão nos coloca mais ou menos crédulos com relação ao que temos de juízo moral sobre nossas atitudes? Certamente o põe em xeque, posto o juízo de valores do que é muito rigoroso, por vezes não é ideal, mas saber equacionar as coisas para agigantar a compreensão do que é o vício e sua real natureza é que assusta, tal a latitude de onde o mesmo pode nos levar, agora ou mais tarde, mesmo que tenhamos a compreensão de que a pulsão é o centavo e o prejuízo pode ser mais de mil dólares com relação simbólica vital... Ou o que vale o féretro.
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