O ser
humano, essa estranha coisa feita de nervos, de massa cinzenta, de ossos, muco,
sangue, da nossa mente, fruto, seja de tantas coisas afins no conjunto, seja
espelhamento de nossas palavras, de nossa cultura, de nossa linguagem. Sim,
somos essa coisa complexa, intensa máquina fabricada por Deus, ou fruto das descobertas
evolucionistas de Darwin, não importa, o que importa é que parece que algo nos surpreende
a nós mesmos todo e todo tempo: nosso desejo, o que significa sermos os desejantes,
aqueles que desejam algo, desde um orifício onde gozar, até a remota possibilidade
de amor, ou desde termos algo para receber, como alguém para massacrar... E por
vezes de um massacre justificado, teleguiado e tudo, com todo o arsenal pago
pelo País.
Vez por
outra desejamos nosso próprio prejuízo físico, quando estamos ingerindo coisas
como o cigarro, sabendo que não mais podemos, e fazemos isso já nos propondo
parar conformes a um programa de recuperação, mas sempre sendo derrotados, o
que infere lutarmos por vezes e termos que provar que o desejo sempre vai
existir, mas de fato quando somos impelidos a realiza-lo é porque somos
impotentes perante nossos esforços, e nossa boa vontade em seguir as prédicas
de que estaríamos mais afeitos a nos recuperar se não o fizéssemos. Como é
inegável que o desejo existe, saber suportá-lo e não cair em tentação é a forma
mais concreta de prosseguir, como se estivéssemos em um campo minado loucos
para dar o fora, mas a cautela manda que desarmemos pacientemente as minas para poder
andar em solo seguro, ou mesmo quando temos o desejo de pegar uma onda além da
arrebentação, por ser maior, mas não sabermos nadar muito bem: convém não nos
atrevermos indo adiante do que suportamos. Espera-se o desejo, muitas vezes em
forma de pulsão, passar... Mas o bom é quando o sublimamos, plasmando o
desejar, mesmo que intenso, fazendo um outro movimento, quando o desejo não
seria positivo para a saúde: estaremos fazendo um sacrifício e legando ao nosso
corpo uma benfeitoria que não passa ao revés gratuitamente, e se você consegue prosseguir
nessa vereda sempre é extremamente salutar, não apenas física, mas mental e
espiritualmente.
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