Fica
latente a metáfora inicial sobre o jogo de xadrez, onde a abertura e a
finalização são essenciais para o curso do jogo, na recorrência de que igualmente
para um trabalho de análise o desenvolvimento é tão variado como são os modos
em que um enxadrista experiente jamais joga um jogo da mesma forma que outro.
Quando Freud coloca que há uma separação distinta entre a entrevista
preliminar, que pode durar um tempo relativo, da análise propriamente dita, e
que essa separação utiliza em ambos os casos a técnica da livre associação,
onde nas preliminares sói escutar mais o analisando e tentar separar se é um
caso de neurose ou psicose, neste último caso, na visão de Freud, não passível
de tratamento, cabe observar que na segunda etapa, da análise propriamente
dita, a função do analista passa a ser mais ativa quando lida com processos de
transferência, resistência, ou mesmo com racionalizações por parte do paciente
ou defesas do ego recorrentes. O modo como um sintoma chega a ser identificado
também é deveras importante, pois por vezes um paciente sequer sofre de males
psíquicos, mas apenas de alguma inquietação existencial, sem ser um caso digno
do tratamento psicanalítico, e cabe ao analista avaliar as circunstâncias que
levam um analisando a ter necessidade, ou não, de tratamento.
Fica
latente que será sempre no domínio das palavras que o tratamento procederá,
pois é através desse universo simbólico que se chega a uma determinação do que
se entende como causa de algum transtorno, uma crise depressiva, ou mesmo um problema
de isolamento no tempo e no espaço por parte do paciente, as crises familiares,
a angústia, o desejo mal resolvido, e os problemas do id com relação ao
superego, e a situação do ego como status ou condição de saúde mental do
analisando...
Evidenciar
que o analista tem que demonstrar ao paciente que tenta compreender seu
problema dentro da esfera das possibilidades, e que jamais deve assumir que o
sujeito-suposto-saber, que é esperado pelo paciente, não representa a realidade
do analista, posto jamais deve o analista supor que dará orientações ao analisando,
com um discurso de mestre, verdadeiramente o oposto do trabalho de análise, na
concepção freudiana, pois de gurus a sociedade está plena, e não se espera de
um analista que se resolvam os problemas do analisando, como em um passe de
mágica, pois para isso é recomendável não mais abordar a terapia quando toma
esse rumo. Como se disse na aula, de gurus o mundo está cheio, e por vezes o
que assombra não é apenas o discurso de um deles, mas as massas que o
ovacionam.
Por
fim, as palavras chegam, e escutar é fundamental para o analista, e será na
ótica de alguns pós freudianos que algumas psicoses já são tratadas, como no
caso de Bion, Lacan, etc, posto Freud parara na neurose e seus sintomas
recorrentes, mas com o avanço da psiquiatria muitas modalidades medicamentosas
são hoje necessárias, e a recorrência da medicina mais imediata meio que impõe
sérias e necessárias regras. Resta, para um psicanalista de formação iniciante
e freudiana, saber que será apenas no estudo mais aprofundado de autores como
Lacan, que poderia lançar mão de uma ciência aproximativa necessária à
compreensão de problemas maiores, mas igualmente cabe salientar que a obra de
Freud é vasta, e a compreensão de suas tópicas, de seu modo de trabalhar, de
seu arcabouço teórico como um todo sempre resguarda grandes luzes no
aprofundamento da história clínica de como se lidar com o espírito humano e sua
psique.
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