domingo, 25 de maio de 2025

PENÚLTIMO ENCONTRO DAS AULAS


                Fica latente a metáfora inicial sobre o jogo de xadrez, onde a abertura e a finalização são essenciais para o curso do jogo, na recorrência de que igualmente para um trabalho de análise o desenvolvimento é tão variado como são os modos em que um enxadrista experiente jamais joga um jogo da mesma forma que outro. Quando Freud coloca que há uma separação distinta entre a entrevista preliminar, que pode durar um tempo relativo, da análise propriamente dita, e que essa separação utiliza em ambos os casos a técnica da livre associação, onde nas preliminares sói escutar mais o analisando e tentar separar se é um caso de neurose ou psicose, neste último caso, na visão de Freud, não passível de tratamento, cabe observar que na segunda etapa, da análise propriamente dita, a função do analista passa a ser mais ativa quando lida com processos de transferência, resistência, ou mesmo com racionalizações por parte do paciente ou defesas do ego recorrentes. O modo como um sintoma chega a ser identificado também é deveras importante, pois por vezes um paciente sequer sofre de males psíquicos, mas apenas de alguma inquietação existencial, sem ser um caso digno do tratamento psicanalítico, e cabe ao analista avaliar as circunstâncias que levam um analisando a ter necessidade, ou não, de tratamento.

                Fica latente que será sempre no domínio das palavras que o tratamento procederá, pois é através desse universo simbólico que se chega a uma determinação do que se entende como causa de algum transtorno, uma crise depressiva, ou mesmo um problema de isolamento no tempo e no espaço por parte do paciente, as crises familiares, a angústia, o desejo mal resolvido, e os problemas do id com relação ao superego, e a situação do ego como status ou condição de saúde mental do analisando...

                Evidenciar que o analista tem que demonstrar ao paciente que tenta compreender seu problema dentro da esfera das possibilidades, e que jamais deve assumir que o sujeito-suposto-saber, que é esperado pelo paciente, não representa a realidade do analista, posto jamais deve o analista supor que dará orientações ao analisando, com um discurso de mestre, verdadeiramente o oposto do trabalho de análise, na concepção freudiana, pois de gurus a sociedade está plena, e não se espera de um analista que se resolvam os problemas do analisando, como em um passe de mágica, pois para isso é recomendável não mais abordar a terapia quando toma esse rumo. Como se disse na aula, de gurus o mundo está cheio, e por vezes o que assombra não é apenas o discurso de um deles, mas as massas que o ovacionam.

                Por fim, as palavras chegam, e escutar é fundamental para o analista, e será na ótica de alguns pós freudianos que algumas psicoses já são tratadas, como no caso de Bion, Lacan, etc, posto Freud parara na neurose e seus sintomas recorrentes, mas com o avanço da psiquiatria muitas modalidades medicamentosas são hoje necessárias, e a recorrência da medicina mais imediata meio que impõe sérias e necessárias regras. Resta, para um psicanalista de formação iniciante e freudiana, saber que será apenas no estudo mais aprofundado de autores como Lacan, que poderia lançar mão de uma ciência aproximativa necessária à compreensão de problemas maiores, mas igualmente cabe salientar que a obra de Freud é vasta, e a compreensão de suas tópicas, de seu modo de trabalhar, de seu arcabouço teórico como um todo sempre resguarda grandes luzes no aprofundamento da história clínica de como se lidar com o espírito humano e sua psique.

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