sexta-feira, 23 de maio de 2025

O ERRO INCERTO


                Não nos deixemos supor em termos de totalidade comportamental, que a maior parte dos seres humanos estarão errando conformes com certas modalidades em que suas experiências a respeito de si mesmo ou de outras interações, as questões do afeto ou não, a frieza, a crueza com que se dê o trato com o ser humano, etc. Nossa grandeza reside no fato de termos já uma tecnologia tão extensa que por vezes não temos tempo para pensar distante dos displays, como se os nossos braços já não funcionassem sem apertar botões, como se a eletrônica não fosse parte tão intrínseca de nossa realidade que os sistemas por osmose já nos exercem um tipo de fagocitose, algo que estamos dentro deles sem nos apercebermos, e tudo o que diga respeito à fuga dessa realidade, a saúde mental como um todo, esse aparato médico que mal pode deixar de prestar um serviço mais do que necessário, tal o andamento das drogas que estão consumindo por aí, em um mercado avassalador. Como se o homem se tornasse um tipo de selvagem, como se o mito dos bárbaros viesse à tona, justamente para se contrapor a um outro sistema, a engrenagem da sensatez, onde os mecanismos de vigilância se tornam cada vez mais necessários para conter o crime organizado.

                Aquela moça que entra no banheiro e sai com os olhos radiantes, faz o uso de algo, do pó, e sai sintonizada com uma droga que mal sabe ela que a mantém distante quiçá por ignorância da sobriedade, essa forma indiscutível de sermos quem somos, independente se tomamos uma medicação controlada, se fazemos uso da medicina para nos manter, no que é certo, pois as psicoses se tornam já uma modalidade corrente na sociedade contemporânea, vindo a serem manifestações correntes do que antes se tornaria quase um soma de um mundo quase novo, mas que afeta sobremodo o que se queira ter de conexão com algo: conectar-se com uma substância, conectar-se com o improvável, mas factível de existir, naquilo do permitido e na forma mais egoísta de se portar perante os “normais”. Se a medicina insiste em que o tratamento por vezes seja duro na desintoxicação, a simples maconha se torna igualmente uma droga tão viciante quanto a coca, ou a nicotina, em sua forma mais redonda, fazer parte da “inas” que são irremediavelmente a correnteza da anormalidade, ou daquele surf “ligado”, vindo diretamente da Califórnia, ou mesmo no uso indiscriminado que muitos programadores fazem quando estão trabalhando em suas carreiras.

                Erram incertamente, erram quando “imaginam” estarem fumando de uma erva que pensam nenhum mal faria, mas que na ponta espera-se que a esquizofrenia não os pegue, ou mesmo que o álcool não seja ou faça parte de sofrimentos cabais, desde que bebido socialmente, na medida em que os porres sucedam “controladamente.”

                Quando estamos sóbrios, o tempo nos diz que estamos mais fortes a cada hora, e isso é revelado pela experiência factível, assim como um tratamento psiquiátrico nos torna mais fortes perante um estado de permanência de resguardo de um bom descanso, exercícios físicos e intelectuais, alguma atividade que infira o uso da mente para fazer algo, ou mesmo no pressuposto incomparável de estarmos nos aplicando a passar uma boa mensagem para alguém no sentido de fazer com que tome ciência da importância da recuperação. As portas potenciais de entrada são diversas, e as pontes para a perdição igualmente... Para entrar na dependência o gargalo é imenso, e para sair, o funil aperta, pois é duro se recuperar, mas quando passamos pelas dificuldades, saibamos que vale sempre a pena estarmos dispostos a tanto, posto quase toda a droga possui o seu viés, e muitos que têm um rancor odiento por aqueles que passam uma mensagem contra a dependência por vezes têm a cumprir negócios escusos frente ao tráfico, fazendo parte de sinistros exércitos. O ganho que se obtém com o negócio sujo detém na assertiva de que o modo de enriquecer seria mais fácil por caminhos onde não se encontraria pistas pela polícia, e que de algum modo por vezes certas alianças com o Poder tornaria isso possível já entra pelo caminho de um tipo de corrupção séria onde a investigação mais acurada deve tornar as evidências mais claras a respeito de alguns fatos.

                Os chamados grandes traficantes internacionais sói encontrarem em nossas fronteiras seara por vezes fácil para permitir a entrada de entorpecentes e o mercado apenas consolida cada vez mais a pressuposição dessa facilitação, pois por vezes há agentes do tráfico disfarçados em um morador de rua, ou comandos que passam por aqui e ali, de fato, incorporando, em sua atuação, movimentos transversais que tornam o seu trânsito mesclado com toda a sorte de gente.

                Na hora em que a coisa aperta, que os agentes do tráfico assumem de vez seu perfil, isso faz-nos crer que estaremos mais distantes do problema quando soubermos que acabam por se isolar e passam a usufruir dos seus ganhos de forma a fazer crescer certos bolos, mas nada que não fique evidenciado aos olhares perscrutadores da justa.

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