Algo de declaratório existe no ar quando supomos ser mais factível um servidor estar fora de seu tempo quando não sabe lidar com a tecnologia. No entanto, esta sempre existiu ao longo da história, e quando nos comunicamos, no simples envio de uma carta na forma como se procedia no início do século passado, a partir de evoluções depois que migraram para o facsímile, e bem mais tarde com o advento da internet, as coisas meio que irromperam de tal modo que hoje o mundo se torna compatível com uma comunicação próxima à velocidade das sinapses dos neurônios. Aquele cidadão que presta serviço em determinado trabalho, por vezes está afeito aos modais de eras mais remotas, quando estiver plantando uma hortaliça para uma cooperativa, ou quando estiver sendo um carteiro motorizado, ou um mero taxista, são serviços que ainda compreendem uma Natureza necessária e, no entanto, anacrônica, em virtude do que se espera fosse uma sociedade do futuro o que nos esperaria em tempos próximos. Mesmo que na verdade consideremos como Engels cita em um trabalho da Transformação da Mão do Macaco em Mão Humana, a transformação do trabalho nesse viés, haveremos por comportar que nos dissessem que o “osso-ferramenta” das cavernas se torna a nave espacial, como bem descreve a metáfora do filme 2001, Uma Odisseia no Espaço, de Kubrick. O fogo foi uma das primeiras manifestações tecnológicas, e o serviço de se cozinhar, se torna primordial com essa descoberta, bem como maneiras de se defender, a criação das tochas para se armar e iluminar, e posteriormente as flechas incandescentes, já em processos de civilização mais atualizados.
Os serviços na atualidade podem ter diversos matizes, sendo principais aqueles que conformam a experiência primeira do uso da grande ferramenta da informática, não apenas como aceleradora do viés produtivo fabril, mas no uso da comunicação entre os extratos sociais, como emoliente e aglutinadora e geradora de inteligência como alicerce tão profundo e fincado no solo, como é agora a situação em que nos deparamos com a IA e suas vertentes quase inimagináveis, fruto da conquista humana dentro do viés de ponta tecnológico e necessário, perante a roda da história que não nega sermos ou chegarmos a esse estado de coisas. O salto foi necessário, e o serviço igualmente passa a ser indubitavelmente mais preciso, mais hábil e mais específico, na maior parte dos casos… O que antes seria a função de um relator, hoje já passa a ser quase um compilador, um facilitador, um agente de transformação mesma da matéria em si, um homem da ciência, quase sem precedentes históricos.
No entanto, as funções que esse agente transformador, posto em serviço, tem por base é ainda a questão humana, que na verdade ponteia um universo que ainda não foi “mapeado” e nem resolvido pela ótica de estruturas mecanicistas, ou da automação, posto o behaviorismo não compactua com a vivência mais ampla da psique, e o cérebro humano sói ser mais afeito à realidade quando em consonância com a Dialética da Natureza, que compõe um cenário infinito, posto dialético e contraposto, em questões por vezes sem respostas, mas em respostas igualmente que dependem da individuação e compreensão coletiva dela enquanto somos seres gregários nesse amplo e infinito debate que constrói o conhecimento passo a passo, nem que para isso tenhamos que saber que mesmo que a Natureza como a conhecemos se regenere de algumas perdas, ainda assim a sua manutenção virgem se torna mais necessária do que a fonte da água, ou a riqueza das ondas dos mares…
Na medida em que conheçamos o universo espiritual e seus intricados ramos na esfera de nosso planeta, que somos uma atma, ou alma individual, indivisível e imutável, poderemos supor que em outro ser qualquer também exista uma partícula que o anime, e isso é condizente com acharmos que a própria matéria supostamente, em seus átomos, igualmente conteria essa partícula menor do que a partícula que perfaz mesmo o seu conceito. A vivência dessa realidade não pode ser uma razão de ortodoxia, mas apenas uma sugestão lógica de que restaria a pergunta do porquê sermos os únicos seres ou espécie que tem dentro de si essa realidade espiritual, e contestaríamos o fato de estarmos cruentamente criando uma indústria de abates no mínimo digna a ser contestada, posto assim, comeríamos o pecado? Resta saber ao serviço o servidor possuir nova consciência do que vem a ser o mundo em que vivemos, e ter o conhecimento espiritual daquilo que porventura seja a Matéria, a Natureza e sua Dialética, e saber intrinsecamente quais as ferramentas que dispõe para lidar com novos conceitos que se abram diante dele, em um serviço mais amplo e de magnitudes planetárias, pois será dignificando o ser humano perante “o outro”, sendo este “outro” não apenas o ser humano e seus reflexos, bem como os seres em geral que compreendem os movimentos naturais, a atmosfera, o oxigênio, e um caminho de releitura de nós mesmos que nos faça mais conscientes em busca de uma paz e afeição sincera entre os humanos e aqueles que seriam estranhos ao universo em que aparentemente não nos comunicamos verbalmente, mas que verdadeiros e óbvios sinais já são inerentes que o processo de intercomunicação entre todo o hólos já dá seus ares de andamento em diversas esferas de atuação do conhecimento e da filosofia, ausentes da ortodoxia e do anacronismo acadêmicos.
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