terça-feira, 6 de outubro de 2026

A TEOGONIA DO CONSUMO


                Houvera um tempo em que os víveres eram trocados em rotas de mulas no Brasil, onde os peixes se compravam diretamente da pesca, e hoje, um átimo de tempo mais tarde, um robô já é comercializado para fazer sexo com o humano, ou simplesmente para encarnar a alma da inteligência artificial... A nova geração de uma cosmogonia onde o Todo começa a encarnar as partes, e seus fragmentos se encontram nas gôndolas recriadas sob o apertar dos botões de um celular, em linhas de tempo costuradas, ou em linhas de valores e itens sobrepostos. A agonia de querer se ter algo a mais, a sociedade de consumo vem a calhar com produtos os mais variados e deuses se formam a partir do imaginário dos desejos recriados. Fala-se de Jesus, o Cristo, e em nome dele vota-se em fascistas ou em homens que declaradamente são facínoras, com partidos que mormente apenas vão de encontro com o nome de um deus falido que usam para que creiam que exista de fato, e jamais será o Cristo que realmente liberta... Personificar satanás como se ele fosse um inimigo não é mais o jargão que se caiba na humanidade, senão sabermos que sequer existiria o mal se não fosse algo melhor o bem que não cabe muito mais na sociedade de consumo, onde seus deuses não comportam mais sequer a vida em que muitos se metem, por vezes em vícios que amarram outros, tentando abandonar a ponta do iceberg enquanto a lama lava as suas profundezas. É a realidade de fato, e pequenos diabinhos são tão graciosos como a vida pulsa nos íncubos e súcubos das trevas...

                Muitos deuses surgem do nada, e na plataforma do descrente estarão aqueles que louvam sua fé na catarse de uma multimídia encampada pelos estadunidenses políticos em suas estratégias de fé vendida, que sói ruminarem verticalmente a países subdesenvolvidos que, na realidade aumentada, a umbanda seria muito mais autêntica em seus rituais, do que propriamente o carisma de alguns cânticos de louvor: da boca para fora. Afora em se falar de rancores, há homens de Estado que mal sabem que seus poderes são mais podres do que seus rostos brancos como ratos de laboratórios, e que alguns movimentos messianistas, não passam desvairadamente de conjunções de apóstolos do regresso. Um movimento libertário que verte na humanidade algo cristão – de fato – não pode compactuar com movimentos fascistas, ou de pretensões a que se espelhem nas elites aquilo de salvação, se Jesus optara pelos pobres até a sua crucificação, e salvou inúmeros miseráveis de sua condição.

                Um mínimo de contrição deve residir na alma de um pecador, mas há daqueles que pecam por convicção, por maldade pura, por estarem com seus espíritos empedrados pela ganância que esboçam até nos mais pequenos atos o seu modo egoísta de abrutalhar seres humanos, mesmo que para isso saibam no fundo que irão queimar no inferno. Talvez por isso, por serem incapazes de se confessar diante de Deus e da humanidade, estarão queimando o resto de seus cartuchos cruéis na vida que lhes resta aqui na Terra...

                Esse consumo desenfreado de drones, drogas, atos criminosos, formam plêiades de uma nova teogonia, dentro do espectro onde nem sempre os aflitos e arrependidos serão os primeiros a cair, senão toda uma parafernália onde a transparência de sua própria hipocrisia, ou a opacidade de sua ignorância vão se transformar em uma rocha a ser explodida pelo mesmo poder divino que tentam usar, sem conhecimento do que seja esse Poder, realmente... Muitas coisas abjetas surgem com a nova sociedade de consumo, muitos párias se refletem nos lucros desmedidos, e pessoas sem preparo e que se dizem até mesmo religiosas colocam seus lucros na ponta de uma lança, como um despojo de guerra. Até que ponto saberemos aonde encontrar harmonia dentro das possibilidades humanas, vem daí a sabermos que nem todo o deus adorado em relação ao comércio será a viabilidade de sermos empreendedores, ou gestores de nossa ganância supracitada.

                Em termos de geopolítica internacional, e da diplomacia inerente às nações ainda em progresso humanitário real sobre o planeta, o fato de querermos o melhor para a maior parte da humanidade parte do pressuposto ideal de que ainda há tempo para se melhorar o status quo de cada habitante do planeta, mas a cada qual há a oportunidade de fazer um movimento favorável para isso, nem que se tente praticamente o impossível para que se tenha algo que comova as populações mundiais, até que se deem conta de que a ascensão dos movimentos da extrema direita no planeta nada mais é do que um retrocesso histórico neste nosso milênio, onde o que desejamos no fundo é a consecução perene e dileta da paz mundial.

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